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Valéria Heloísa Zadorozny de Abreu, 42 anos (Foto: Reprodução)
Valéria Heloísa Zadorozny de Abreu, 42 anos (Foto: Reprodução)

Valéria Heloísa Zadorozny de Abreu morava no Rio Grande do Sul. Tinha apenas 42 anos, olhos verdes brilhantes e três filhas, que ela sustentava trabalhando no negócio próprio: uma pequena sorveteria, que vendia açaí. Nesta terça-feira (03), a história e a vida de Valéria foram interrompidas, deixando dor e um espaço vazio no coração da família.

Ela contraiu covid-19, precisou ser levada para uma Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) e não pode ter acesso ao tratamento que poderia ter salvado sua vida: assim como em várias outras partes do país, na cidade em que Valéria morava os leitos estavam lotados.

A história dessa família, mais uma entre as mais de 250.000 vítimas brasileiras, se tornou pública após a filha mais velha de Valéria, a estudante de Farmácia, Giulia, de apenas 23 anos, postar no Twitter um print da última vez que pode falar com a mãe: uma conversa de Whatsapp.

(Foto: Reprodução)
(Foto: Reprodução)


"Eu vou para a UTI, só não tem vaga em lugar nenhum". Valéria entrou para as estatísticas das vidas que poderiam ter sido salvas, no pior dia da pandemia, até agora, no país. No mesmo dia que ela, outras 1.909 pessoas morreram. E o relato de Giulia atinge em cheio a alma de qualquer ser humano capaz de sentir amor ou empatia.

"Essa foi a última mensagem que tive da minha mãe, ela faleceu hoje por covid-19 e tinha só 42 anos, deixando três filhas (uma de 8 anos) pra trás. Ela nunca vai ver eu me formar... Usem máscara, não saiam se não for necessário, por favor.  A forma de dar amor dela, era ser provedora e ajudar os outros. Eu escolhi o caixão mais bonito que tinha pra ela e espero que ninguém mais tenha que passar por essa dor tão cedo na vida.", escreveu ela, no Twitter.

Mais tarde, depois do sepultamento, ela voltou à rede social. "Eu reconheci o corpo, escolhi o caixão, fiz velório, sepultei e mesmo assim não parece que é real... A sensação é estar presa em um sonho. Pelo amor de Deus alguém me ACORDA e mostra que eu só tava dormindo faz dias", pediu a jovem, agora órfã.

Porque, logo após perder a mãe, ela estava postando seus sentimentos na internet? Porque, graças ao covid, esse era o lugar para onde ela podia recorrer. "Uma das piores partes é que ninguém pode/quer vir me ver e dar um abraço por causa do covid-19... Vocês não tem noção de como é solitário", descreveu.

Como ainda existe bondade nos seres humanos, Giulia recebeu milhares de respostas afetuosas, de conhecidos e desconhecidos.

Nesse meio tempo, ela respondeu à equipe do Camaçari Fatos e Fotos (CFF) e, ao autorizar a publicação da matéria, perguntou se o nome da mãe podia ser citado: "Só de ela ser lembrada já nos conforta". Em seguida, falou sobre como a mãe se posicionava sobre a pandemia. "Ela não aglomerava, só trabalhava. Ela se sentia muito irritada com as pessoas não se cuidando. Ela ficaria feliz... (com a publicação da matéria)".

A família, Giulia contou, acredita que foi justamente no trabalho que Valéria contraiu covid. Além dela, o padrasto de Giulia, a avó da jovem e, provavelmente, ela mesma - que ainda aguarda resultados dos exames - também ficaram doentes. E, eis uma mensagem a mais da história dilacerante da família de Valéria: contrariando o que alguns insistem em dizer sobre idade e nível de risco, a avó de Giulia, aos 73 anos, teve apenas sintomas medianos.

Que Deus dê conforto a essa família - às 259.000 famílias -, resiliência aos que seguem respeitando os protocolos de segurança e um mínimo de humanidade a todos aqueles que são responsáveis por essas mortes, inclusive aos que estiverem lendo essa matéria.

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