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Política

Michel Temer (MDB) assumiu a presidência da República após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) (Foto: Reprodução | Brasil 247)
Michel Temer (MDB) assumiu a presidência da República após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) (Foto: Reprodução | Brasil 247)

No país da piada pronta, mais uma - embora absolutamente sem graça. Mais de quatro anos após o impeachment de Dilma Rousseff (PT), um dos grandes beneficiados pela manobra política mudou o discurso e reconheceu, ainda que em partes, a inocência da ex-presidente.

Em entrevista à revista Veja, Michel Temer (MDB), que assumiu a presidência da República no período entre o afastamento da presidente e a eleição de Bolsonaro (sem partido) disse que Dilma Rousseff tinha uma "honestidade ímpar". Ainda assim, ele tentou culpar os movimentos sociais pela derrubada da petista e afirmou que ela sofreu impeachment por causa da pressão das ruas.

Temer foi vice-presidente de Dilma de 2011 a 2016 e presidente do país de 2016 a 2018. Mesmo à época do processo de impedimento, Temer já era apontado por correligionários da ex-presidente como um dos responsáveis pelo impeachment e por ter, ao contrário do que lhe caberia como vice-presidente, agido nos bastidores articulando a queda

O caso rendeu duras críticas à Lula e à alta cúpula do PT por ter alçado Michel Temer ao posto de vice na chapa, através de uma aliança política com o então PMDB em nome de uma suposta governabilidade que, no fim das contas, acabou custando o mandato de Dilma.

Decorativo

Além de, tardia e convenientemente, defender Dilma Rousseff, Temer deu corpo a algo que era falado largamente no meio político: ele era um vice decorativo.

"Ela cometeu crime no sentido institucional, com a questão das pedaladas, que levou à responsabilização política dela. Não cometeu crime no sentido penal. Às vezes se acusa a ex-presidente de uma eventual desonestidade. Convivi com ela, claro que muito decorativamente, mas devo dizer que é de uma honestidade ímpar", disse, fazendo contorcionismo linguístico para afirmar que Dilma, na realidade, não cometeu nenhum crime.

Coitado?

Além de posar de defensor tardio dos 'fracos e oprimidos', Temer também aproveitou a oportunidade para defender quem estava ao lado dele, sem esquecer - claro - de tirar o próprio corpo fora e se eximir de responsabilidades. E como a conta dos erros políticos dos mandatários, em geral, cai nas costas do povo, dessa vez não ficou por menos.

"O Eduardo [Cunha], coitado, não foi o autor do impedimento e nem eu. Ele teve de levar adiante alguns pedidos de impeachment, que, ao ver dele, eram inafastáveis. Quem derrubou a ex-presidente foram os milhões de pessoas que foram para a rua", disse, aparentemente esquecido de como seu partido, com atuação forte do correligionário e então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, atuou intensamente para travar e implodir o governo Dilma a partir do parlamento.

Rei (morto, rei posto)

Na sequência de absurdos ditos por Temer, eis o mais cômico: ele que, apesar da longa história política, só chegou ao Palácio do Planalto carregado nas costas por Dilma e pelo PT de Lula, agora rechaça a ideia de se candidatar ao posto, mas fala em ser alçado ao trono.

"Nenhuma (chance de disputar algum cargo em eleições). Só se vierem aqui e disserem: 'Você vai ser entronizado presidente da República'. Mas isso é impossível e não é saudável". Entronizado, segundo o dicionário Michaelis, significa "que se pôs no trono; que foi exaltado"

Quem sabe com o próximo presidente, não é Temer?

História

Diante das falas absurdas de Temer, não apenas articulador mas grande beneficiário do golpe que derrubou Dilma, vale lembrar que em março de 2016, cinco meses antes da definição do impeachment, o PMDB de Temer mandou às favas o PT e sua 'ingênua' crença na governabilidade, para trilhar os caminhos que mais interessavam ao seu líder, então vice-presidente.

Com 68 deputados federais e principal sustentáculo de Dilma na Câmara, o PMDB simplesmente se retirou da base aliada, abrindo espaço para que o processo corresse sem nenhuma resistência sólida. Com o caminho livre e todo parlamento no bolso, Eduardo Cunha nadou de braçadas em travamentos e pautas-bombas, criando o lastro necessário para gerar fatos políticos.

Daí para que se formasse uma aliança entre partidos de direita, centrão e empresários anti-petistas para manipular a opinião pública, financiar manifestações e dar ao golpe uma cara de 'vontade popular' foi um passo.

Sem arrependimentos

Com a fala atual, Temer demonstra não apenas total falta de escrúpulos como absoluto menosprezo (ou desprezo?) tanto pelo país quanto pelos brasileiros. À época, o discurso era "vamos tirar a Dilma e depois melhora". Nada melhorou. Desde a saída de Dilma o país segue numa espiral de piora.

E, no atual cenário, Temer desponta como um dos conselheiros oficiais do cada dia mais trágico governo Bolsonaro. Para bom entendedor, a sequência de escolhas fala por si só.

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