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Saúde

O pesquisador virologista Gúbio Soares, da Ufba, diz que na Bahia o acompanhamento da disseminação dos vírus é mais rápido (Evandro Veiga)
O pesquisador virologista Gúbio Soares, da Ufba, diz que na Bahia o acompanhamento da disseminação dos vírus é mais rápido (Evandro Veiga)

Nos últimos quatro anos, os baianos incluíram novas palavras em seu vocabulário: chikungunya, zika, Guillain-Barré, oropouche... Todas 'novas' doenças que tiveram alguns dos primeiros casos do país registrados aqui. Mas, por que a Bahia se tornou essa espécie de porta de entrada para elas? Segundo médicos e pesquisadores ouvidos pelo CORREIO, uma explicação para isso é a grande circulação de pessoas de fora, ajudando a disseminar os novos vírus, além da constante vigilância de profissionais de saúde que se dedicam a identificar doenças que estão soltas por aí.

Um dele é o infectologista Antônio Bandeira, que acompanhou a identificação dos primeiros casos das novas doenças no estado. Ele explica que cada doença teve um motivo diferente para chegar aqui, mas a maior parte está ligada, principalmente, à circulação de pessoas.

“No caso da chikungunya, veio através de pessoas que trabalhavam na África, faziam construção de infraestrutura em Angola. Uma das pessoas era moradora de Feira de Santana, voltou com febre e, na sequência, começou a ter o surto de pessoas acometidas”, explica.

Já a zika não apresentou os primeiros casos na Bahia, mas o vírus foi identificado primeiro aqui. “A zika nós conseguimos identificar primeiro o vírus, que já estava em outros lugares do Brasil, mas não se sabia o que era”, conta o infectologista.

Ciclo

O Ministério da Saúde explicou, em nota, que a proliferação das doenças está relacionada à circulação de pessoas, mas também aos ciclos naturais das doenças.

“O recuo ou avanço de epidemias ou surgimento de 'novas doenças' é resultado de um ciclo natural de aumento e queda dessas doenças. Isso ocorre porque, conforme parte da população é infectada, ela desenvolve defesas”, destaca Bandeira. “Muitas doenças, como a dengue, são cíclicas. Com a globalização e alta circulação de pessoas, é comum que as doenças também circulem”, conclui.

O vilão Aedes

A cientista da Oxitec Cecília Kosmann, que produziu o “Aedes do bem” – mosquito geneticamente modificado que ajuda a barrar a reprodução de insetos contaminados – explica que a proliferação do Aedes aegypti no país já existe há tempos, mas que o fato de Salvador e a Bahia serem locais turísticos contribui para a transmissão de doenças como a dengue e as 'novatas' zika e chikungunya. “Muita gente viaja pra Bahia. Então, qualquer local com tráfego de turismo pode ter aporte porque uma arbovirose tem três pilares: o vetor, que é o Aedes, o vírus e o hospedeiro (ser humano)”, elucida.

Cecília também lembra que o armazenamento de água pode contribuir para a proliferação do mosquito e, consequentemente, a disseminação das doenças. “No caso do Nordeste, até a seca contribui (para a disseminação), porque as pessoas acumulam água da maneira errada. Então, tem muito mosquito e o grande fluxo de pessoas que pode ter a chance de chegar”, observa.

Pode vir mais

E se você acha que dengue, zika e chikungunya já é demais, é porque não sabe a real capacidade do mosquito. “O Aedes pode transmitir mais de 100 tipos de vírus. Já tem outros vírus que circulam na América Latina que estão a ponto de estourar a qualquer momento. Tem outras pandemias vindo, infelizmente”, anuncia a cientista.

Segundo o Ministério da Saúde, existe um programa permanente de controle e prevenção do mosquito no país e que desenvolve ações com estados e municípios para fazer o controle de larvas.

É importante ressaltar que o Brasil tem um programa permanente de prevenção e controle do Aedes aegypti, com ações compartilhadas pelos níveis federal, estadual e municipal durante todo o ano. A prevenção envolve a utilização de estratégias, em geral já elaboradas e testadas em outras situações, as quais tem uma alta possibilidade de que tenha resultados satisfatórios. Vale destacar que o Ministério da Saúde realiza a aquisição de insumos estratégicos, além do desenvolvimento de ações de apoio a estados e municípios, responsáveis pela coordenação e execução das ações. Os gestores municipais devem investir na organização das ações de rotina que favoreçam o controle larvário por parte da população.

Reforço na vigilância

Segundo o secretário estadual da Saúde, Fábio Villas Boas, após o surgimento de casos das “novas” doenças em territórios baianos, houve um reforço de vigilância nos portos por causa da proliferação de mosquitos. “Passamos a reforçar a vigilância não apenas no porto mas nos portos secos que são os estacionamentos de contêineres que tem na BR-324, na cidade baixa, a vigilância passou a fiscalizar com maior vigor”, diz.

O reforço foi motivado por uma das hipóteses de epidemias das doenças na Bahia. “Uma das hipóteses é que por a Bahia ser um porto muito forte nessa região, é possível que mosquitos infectados tenham atravessado os oceanos e vindo para cá, mas isso é apenas uma hipótese”, explica o secretário.

A última novidade em doença foi a febre oropouche, que teve dois casos em Salvador e Lauro de Freitas no final do ano passado, mas só foi identificada esse ano. “Não tinha identificado casos na região costeira. E do mesmo jeito como nós fizemos pra zika, saímos buscando possibilidades de outros vírus circulando na Bahia”, explica Antônio Bandeira.

Pioneiros

Mas a identificação de todas essas doenças surge com a parceria entre o médico e o pesquisador Gúbio Soares, do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (Ufba). “Estamos sempre procurando que haja possibilidade de vírus estar entrando na Bahia, que é a parceira com Gúbio, e identificamos esses dois casos de oropouche. Eles passariam despercebidos, porque se manifestaram de forma semelhante à dengue. Identificamos apenas nos testes”, detalha.

O pesquisador virologista Gúbio Soares ressalta que o surgimento dos casos não ocorre necessariamente primeiro na Bahia, mas a identificação aconteceu mais rapidamente. “Não é que a Bahia tenha o vírus primeiro, mas aqui acompanhamos o que está acontecendo para tentar identificar quais vírus estão circulando”, reforça. Por isso, ele destaca a importância de valorizar a pesquisa. “É importante buscar identificar, ver o que está acontecendo nos postos de saúde. Tudo tem ser acompanhado”, indica.

Principais sintomas e complicações de cada doença

Chikungunya. A principal hipótese é de que o vírus tenha chegado por meio de pessoas que trabalhavam em Angola, na África, e vieram contaminadas para a cidade de Feira de Santana, em 2013. A doença é comum na Ásia, África e Índia. Os sintomas também são semelhantes à dengue: febre, dor nas articulações, dor muscular, dor de cabeça, fadiga e erupção na pele

Zika. Os primeiros casos foram no Rio Grande do Norte e se espalharam no Nordeste. Na Bahia, pesquisadores conseguiram isolar e identificar o vírus, em 2014. As Copas das Confederações e do Mundoteriam facilitado a entrada do vírus, com a vinda de turistas e atletas. Os sintomas são dores na cabeça, costas, articulações e músculos, além febre, vômito, diarreia e manchas na pele

Guillain-Barré. Os casos começaram a aparecer na Bahia em julho de 2015,  logo após um surto de zika, e por isso foi relacionada ao vírus. Pacientes que tiveram a zika manifestaram a paralisia meses depois. A síndrome causa fraqueza muscular, que pode evoluir para paralisia de membros e comprometer o sistema nervoso central. Em 2015, uma mulher morreu em Salvador, vítima da doença

Oropouche. A febre é transmitida pelo maruim ou muriçoca e teve dois casos na Bahia - um em Salvador e outro em Lauro de Freitas -  no final do ano passado. Segundo o Ministério da Saúde, antes deles, foram cinco casos confirmados desde 2015 - três em Roraima e dois no Amazonas. Os sintomas são febre, manchas vermelhas, dores no corpo e dor de cabeça.

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