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Saúde

Colapso do sistema de saúde define a incapacidade de as unidades oferecerem o atendimento adequado a todos os pacientes (Foto: Reprodução)
Colapso do sistema de saúde define a incapacidade de as unidades oferecerem o atendimento adequado a todos os pacientes (Foto: Reprodução)

No mesmo dia em que o Brasil alcançou a desesperadora marca de 3.650 mortes causadas por Covid-19 em apenas 24h, uma reunião do Conselho Nacional de Secretarias de Saúde (Conass) teve como pauta os critérios para definir, em caso de colapso do sistema de saúde, quais pacientes de covid-19 receberão cuidados paliativos e quais receberão cuidados efetivos.

A palavra colapso é constantemente associada aos caos, o que de fato, é assertivo. No entanto, quando se fala em colapso do sistema de saúde, não estamos falando de um sofrimento que vá ser vivenciado ao mesmo tempo por toda sociedade. Um exemplo é o que aconteceu no Amazonas, no início do ano. Colapso do sistema de saúde define a incapacidade de as unidades oferecerem o atendimento adequado a todos os pacientes. Tal situação já está acontecendo em várias partes do país e Camaçari, que permanece a semanas com fila de espera por leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), não está longe de atingir o mesmo cenário.

Cuidados paliativos


De acordo com dados da Folha de São Paulo, durante a reunião do Conass realizada na sexta-feira (26), a médica Lara Kretzer destacou a importância e necessidade de os hospitais se preparem para um cenário de colapso geral, tendo um protocolo de triagem pré-estabelecido.

“Idealmente, a gente não gostaria de usar triagem. O que a gente gostaria é que tivesse dado conta de fazer o atendimento de cada brasileiro que precisa de um serviço de saúde”, disse a médica no encontro. No entanto, também segundo ela, estar preparado para fazer essa escolha é uma obrigação ética das unidades de saúde.

Na prática, a triagem para seleção de pacientes pode significar a diferença entre a vida e a morte daqueles que forem ou não selecionados: "cuidados paliativos" são cuidados que sabidamente serão ineficazes na cura e recuperação da pessoa, mas poderão minimizar o sofrimento. Em caso de colapso, minimizar o sofrimento pode ser a única opção para muitos.

O paciente que não passa na triagem para um recurso escasso, como um leito de UTI, deve receber “o melhor cuidado disponível para alívio dos seus sintomas e, na eventualidade da morte, que ele possa receber os cuidados de final de vida e sedação paliativa”, disse Lara.

A proposta apresentada pela profissional, conforme a Folha, prevê a criação de comissões de triagem nos hospitais, com três profissionais experientes e, de preferência, um representante da área da bioética e da comunidade local.

Risco

A proposta não é nova. Em 2020, no pico da pandemia, o Conass elaborou um modelo que recebeu críticas por incluir como critério a idade do paciente. A médica explicou que esse parâmetro foi excluído. A pontuação agora se dá, entre outros fatores, pela gravidade e pela existência de doenças crônicas.

Em São Paulo, desde o início da pandemia, o Hospital Municipal do M’Boi Mirim, na zona sul da capital, segue o protocolo criado pela equipe do Hospital Albert Einstein para o contexto de escassez de recursos durante a pandemia, que estabelece uma espécie de pontuação pelas vagas de UTI.

Como mostrou a Folha, o local virou referência para casos da doença na região. A UTI saiu de 20 para 220 vagas e um novo setor foi erguido em menos de um mês com dinheiro da iniciativa privada.

O hospital tem uma ala para pacientes com cuidados paliativos. O estabelecimento adotou práticas de visitas de despedida para ajudar o processo de luto das famílias e para tentar trazer conforto aos pacientes em seus últimos momentos de vida.

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