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Saúde

Gestante, Marli Santos sentia dores na barriga e penou para chegar à emergência (Foto: Marina Silva)
Gestante, Marli Santos sentia dores na barriga e penou para chegar à emergência (Foto: Marina Silva)

A vendedora, aos cinco meses de gestação, sente dores na barriga. Há pelo menos um dia, começou a sentir os desconfortos. Não foi à maternidade. "Já estava era pensando a agonia que seria. Desisti de ir", justifica. Mas, neste domingo, não houve alternativa: precisou sair do bairro de Tancredo Neves em direção à Tysila Balbino. Muita agonia, como previu. Esperou uma hora para chegar à Estação Acesso Norte. Lá, aguardou por mais uma hora o ônibus que a levaria à Baixa de Quintas. "Só vim porque não teve jeito mesmo, né?", comenta.

No sufoco da espera, também esteve Carine, grávida de nove meses, bolsa estourada, pronta para dar luz à filha. Sem gasolina no carro, como levá-la até a maternidade?

"Tirando o cumbustível da moto do marido de Carine e botando no carro", respondeu Danúbia Porto, mãe da gestante.

Daí, feita a transferência, poucos minutos depois, já estavam na maternidade. "Tem que se virar, né?", brinca Danúbia. A greve, contudo, não afeta a dispensa de medicamentos ou a alimentação de mães e acompanhantes na unidade, gerida pelo Governo do Estado. Em nota, a Sesab afirmou: "O atendimento aos pacientes nas unidades hospitalares da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) permanece normal, bem como o suprimento de medicamentos hospitalares e da rede de gases encontra-se regular.


Falta de funcionários nas unidades e feijão no cardápio

Na prática, o serviço não está tão normal assim. "Faltou um, acaba fazendo toda a diferença, afetando a equipe", diz uma funcionária da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Hospital Roberto Santos, sob anonimato. Lá, no bairro do Cabula, a dificuldade de transporte começa a fazer com que alguns funcionários não consigam chegar ao trabalho. Na equipe de técnicos de enfermagem, por exemplo, são quatro. Neste domingo, uma faltou. "Acontece, também, de gente ter que dobrar o turno para poder cobrir", revela. Os plantões, normalmente, são de 12 horas.

O atendimento de serviços regulares na UPA está suspenso desde ontem, por falta de leitos desocupados. "Se tivesse funcionando normalmente, com certeza sentiríamos mais essas faltas", opina outro funcionário. Os medicamentos e a alimentação, contudo, ainda não faltaram. "A alimentação, por enquanto. Porque, se não tem fruta, vai acabar faltando sim", continua ele. No Hospital Geral do Estado (HGE), já faltou. As prateleiras onde ficavam feijão, arroz e frutas começou a ficar vazia.

Em frente à unidade de saúde, no horário do intervalo, um funcionário conta: "Começou a faltar feijão. Acho que é o que tá faltando mesmo. Tanto que, no refeitório para os funcionários, já está havendo algumas mudanças". A Sesab nega que tenha havido interrupção na disponibilização de refeições para "pacientes, acompanhantes e profissionais de saúde". Mas, acrescenta: "Ainda que o cardápio tenha sido adaptado em algumas unidades".

Nas cidades de Juazeiro e Vitória da Conquista, a greve chegou a afetar o abastecimento de oxigênio em hospitais. A situação é mais grave em Juazeiro, onde os hospitais só tiveram oxigênio até a útima esta sexta-feira. Em entrevista coletiva neste domingo, o governador Rui Costa prometeu que "todo e qualquer equipamento" chegará aos hospitais, por meio do suporto da Secretaria de Segurança Pública (SSP).

"Vamos garantir a chegada da bolsas nas unidades de saúde. Eu peço a compreensão de todos que fazem o movimento, pois, a pretexto de fazer uma justa reinvindação, não podemos prejudicar a vida de seres humanos, a chegada de oxigênio, de medicamentos ou de materiais tão necessários para salvar a vida de pessoas que estão precisando", finalizou.

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