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Saúde

Estudo publicado pela conceituada revista britânica The Lancet comprova que o aquecimento global já prejudica a saúde de milhões de pessoas em todo o mundo (Foto: Arquivo Correio)
Estudo publicado pela conceituada revista britânica The Lancet comprova que o aquecimento global já prejudica a saúde de milhões de pessoas em todo o mundo (Foto: Arquivo Correio)

Uma nova pesquisa lançada nesta semana pela revista científica britânica The Lancet, uma das mais respeitadas do mundo na área da medicina, mostra que as mudanças climáticas já são uma das principais urgências de saúde pública no mundo.

O estudo concluiu que a mudança climática antropogênica (causada pela ação humana) ameaça minar os últimos 50 anos de ganhos na saúde pública. O que a nova pesquisa The Lancet Countdown: Tracking Progress on Healt and Climate Change (Contagem regressiva da The Lancet: Acompanhamento do progresso em saúde e mudanças climáticas, em tradução livre) demonstra é que os impactos do aquecimento global sobre a saúde pública estão se tornando cada vez mais claros e os desafios são maiores do que o previsto.

A análise em cinco temas separados e os 40 indicadores que formam a base do relatório de 2017 fornecem o primeiro inventário global da questão. As descobertas demonstram as várias maneiras pelas quais as mudanças climáticas já afetam a saúde das pessoas em todo o planeta hoje. Os resultados também mostram que os efeitos são sentidos desproporcionalmente pelas populações mais vulneráveis da sociedade – que também são os menos responsáveis pelo problema.

O relatório De 25 anos de inação a uma transformação global para a saúde pública mostra que emergem atualmente desafios de saúde que estamos apenas começando a identificar e as descobertas demonstram que não há espaço para a complacência. Aumentos inevitáveis na temperatura global e no papel das mudanças climáticas como multiplicadores de ameaças e aceleradores da instabilidade indicam que muitas tendências identificadas deverão piorar significativamente.

Alguns dos impactos existentes sobre a saúde documentados incluem:

1) Uma queda média de 5,3% na produtividade do trabalho rural estimada globalmente desde 2000, como resultado do aumento das temperaturas. Em 2016, isso efetivamente tirou mais de 920 mil pessoas em todo mundo da força de trabalho, 418.000 delas somente na Índia;

2) Entre 2000 e 2016, o número de pessoas expostas a eventos de ondas de calor aumentou em aproximadamente 125 milhões, com um recorde de 175 milhões de pessoas expostas a ondas de calor em 2015. Isso apoia a pesquisa existente da Lancet mostrando pouco menos de 1 bilhão de eventos adicionais de exposição a ondas de calor ocorrendo até 2050;

3) A desnutrição é identificada como o maior impacto das mudanças climáticas sobre a saúde no século 21. Os impactos relatados das mudanças climáticas sobre a produção de culturas que são mencionados no relatório incluem uma queda de 6% na produtividade global do trigo e um declínio de 10% nas safras de arroz para cada aumento adicional de 1°C na temperatura global;

4) Mais de 803.000 mortes prematuras e evitáveis em 2015 como resultado da poluição do ar em 21 países asiáticos, atribuíveis a apenas um tipo de poluição do ar a partir da energia do carvão, transporte e uso de combustíveis fósseis no lar;

5) Um aumento acentuado de 3% e 5,9% desde 1990 na capacidade vetorial para a transmissão da dengue devido às tendências climáticas por apenas dois tipos de mosquitos. Com 50 a 100 milhões de infecções de dengue estimadas a cada ano, isso irá agravar a propagação da doença em expansão mais rápida do mundo.

Medidas necessárias

Outras descobertas do relatório mostram que mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo enfrentarão a necessidade de migrar dentro dos próximos 90 anos devido ao aumento do nível do mar causado pelo colapso da plataforma de gelo, a menos que seja tomada a atitude necessária. Cerca de 87% de uma amostra aleatória de cidades globais estão violando as diretrizes de poluição atmosférica da Organização Mundial da Saúde (OMS), o que significa que bilhões de pessoas em todo o mundo estão expostas a níveis inseguros de partículas finas (PM2.5).

Saúde do mundo

Os autores são claros: a resposta necessária às mudanças climáticas ainda oferece oportunidades para obter ganhos substanciais na saúde pública. Os benefícios e oportunidades potenciais são surpreendentes, incluindo a limpeza do ar das cidades poluídas, a oferta de dietas mais nutritivas, a garantia da energia, a segurança alimentar e da água e a redução da pobreza, juntamente com as desigualdades sociais e econômicas.
Christiana Figueres, presidente do Conselho Consultivo de Alto Nível da Revista Lancet e ex-secretária executiva da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, explica: "Quando um médico nos diz que precisamos cuidar melhor da nossa saúde, prestamos atenção, e é importante que os governos façam o mesmo".

Como uma colaboração internacional de pesquisa, a Lancet Countdown ajudará a garantir que a necessidade de ação sobre a saúde e as mudanças climáticas seja melhor evidenciada e compreendida. A pesquisa será publicada anualmente em The Lancet e suas descobertas destinam-se a ajudar a informar uma resposta política acelerada às mudanças climáticas e a equipar os profissionais de saúde no gerenciamento de suas implicações.

Brasil

O estudo também levantou alguns dados específicos do impacto das mudanças climáticas no Brasil.

Doenças infecciosas sensíveis ao clima - A capacidade vetorial média de dois mosquitos portadores de dengue aumentou 10% desde 1950.
Exposição à poluição do ar ambiente nas cidades - As concentrações médias anuais de PM2.5 no Brasil são de 15 ug / m3, com uma medição máxima de 44 ug / m3 em Santa Gertrudes, SP. A OMS recomenda que as concentrações de PM2.5 não excedam 10 ug / m3.

Planos de adaptação, infraestrutura e resiliência - O Brasil tem um plano nacional de adaptação à saúde e realizou uma avaliação nacional dos impactos das mudanças climáticas, vulnerabilidade e adaptação para a saúde.

Avaliações de risco de mudança climática em nível municipal - Das 59 cidades que responderam à pesquisa do CDP, 13 realizaram uma avaliação de risco das mudanças climáticas, 16 apresentaram avaliações em andamento e 30 não fizeram tais avaliações de risco.

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