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Delfim Neto (centro), ditador João Figueredo e Paulo Maluf, sentados; e José Maria Martin (em pé e à direita)
Delfim Neto (centro), ditador João Figueredo e Paulo Maluf, sentados; e José Maria Martin (em pé e à direita)

“O que está claro é que a corrupção, real ou imaginária, está erodindo a confiança dos brasileiros em seu governo”.

 

A frase poderia sair da boca um dos analistas da Globonews sobre a greve dos caminhoneiros.

Ou dos mesmos analistas sobre os protestos ocorridos nos últimos meses do governo Dilma Rousseff.

Mas ela vem de um telegrama enviado pela Embaixada dos Estados Unidos no Brasil para o Departamento de Estado, em Washington.

E se refere ao governo dos militares, em 1984, o que mostra que, muito antes da Lava Jato, a corrupção já era um tema recorrente no noticiário.

O repórter Leandro Loyola, em texto publicado hoje no jornal O Globo, registra:

“O assunto dominava o noticiário à época e, segundo os informantes americanos, não apenas enfraquecia o governo de João Figueiredo (1979-85), como indicava o apodrecimento e o fim próximo da ditadura militar, no poder desde 1964.”

O telegrama cita Delfim Netto, então homem forte do governo, como alvo das denúncias de corrupção — uma sobre o caso das Polonetas e a outra sobre relatório Saraiva.

Em ambas as denúncias, Delfim aparece como destinatário de propinas bilionárias.

O telegrama confirma duas verdades: a primeira é que o governo militar não foi imune à corrupção como pensam ingenuamente os intervencionistas.

A outra verdade é que as denúncias de corrupção começaram a ganhar as páginas das imprensa e o noticiário de TV na medida em que os militares contrariaram interesses da elite econômica da época.

Jessé Souza lembra, em seu livro A Radiografia do Golpe (Editora Leya, 2016), que o amor da imprensa pelos militares acabou depois que o general Geisel anunciou o II Plano Nacional de Desenvolvimento, no final da década de 70.

“O II PND era muito mais articulado e refletido que o anterior e implicava forte intervenção estatal nas áreas de infraestrutura como produção de energia, sistemas de telefonia, portos, produção naval, etc.”, lembra o sociólogo.

Com o fim do namoro entre os militares e a elite econômica brasileira, destaca Jessé, entraram em campo os dois braços do que ele chama de elite da rapinagem — aquela que busca a riqueza a curtíssima prazo, predominante no Brasil.

Um braço é a imprensa, o outro,  o Congresso Nacional.

Já havia mortos, desaparecidos e tortura como fruto do regime de exceção, mas a imprensa se calava. E no Congresso a oposição era moderada.

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