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Política

A deputada federal Manuela d'Ávila (PCdoB) tem um desafio enorme pela frente: assumir uma candidatura pelo partido comunista após mais de sete décadas. Ao longo dos últimos anos, o PCdoB sempre foi um partido que atuou como braço auxiliar ao PT na construção da ideologia de esquerda no país.  “A pré-candidatura é um desafio por várias razões. A primeira delas é porque, em 95 anos de história do meu partido, essa é a terceira vez que lançamos candidatura. Lançamos em 1930, em 1945 e lançaremos agora em 2018. Por que nós lançamos nesses três ocasiões? Porque a crise chegou a um ponto muito grande. É preciso apresentar saídas para enfrentá-la”, diz Manuela à Tribuna.

Há muita gente que diz que o surgimento da candidatura do PCdoB e de outros partidos aliados ao PT surge com o objetivo de dar fôlego à candidatura do ex-presidente Lula e forçar um segundo turno. Manuela refuta a teoria: “Nossa candidatura surge e tem relação exclusivamente com os desafios do Brasil. Nós somos o um país com 3 milhões de desempregados, com 60 mil mortes violentas por ano, em que as pessoas tem medo de andar na rua dos grandes centros, a nossa economia não cresce, a reforma trabalhista escravizará as mulheres e os trabalhadores em geral”.

“Nós tivemos uma relação longa de apoio às candidaturas de Lula e Dilma. Nós mais do que apoiamos, nós governamos juntos. Construímos mudanças que são importantes para o Brasil.  Quem tem coragem de dizer que não foram importantes as 10 milhões de moradias? Quem tem coragem de dizer que não foi importante o Mais Médicos, que buscou levar médicos para o Brasil? Nós construímos políticas importantes”. Segundo Manuela, o PCdoB deve percorrer vários estados brasileiros para a construção de uma plataforma de governo. “Um programa não surge do nada. Então nosso foco é a retomada do crescimento da economia. Como fazer com que o governo possa investir e possa garantir infraestrutura e políticas sociais. Então, nós nos dedicaremos nos próximos meses para rodar o Brasil conversando com pessoas e construindo o nosso programa”.

“Nós achamos que após o ano passado, com o impeachment de Dilma, um novo ciclo se abre e nesse novo ciclo precisamos apresentar novas propostas. Por isso que nós construímos a pré-candidatura. Para mim, é um desafio tremendo, porque o Brasil é um país continental. Nós nos lançamos no desafio de pensar um projeto de desenvolvimento do Brasil”.

 
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