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Política

Um dia depois de nomeado diretor da Polícia Federal pelo presidente Michel Temer, o delegado Fernando Segóvia decidiu trocar todo o comando da instituição. Segundo um interlocutor do diretor-geral, o delegado Sandro Avelar deverá ser o vice-diretor, o segundo cargo mais importante na hierarquia da polícia. Ex-presidente da Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), Avelar foi secretário de Segurança na gestão do ex-governador do Distrito Federal Agnelo Queiroz (PT) e, mais recente, presidiu a Comissão Nacional de Segurança nos Portos e Terminais de Navegação (Conportos).

Nas eleições de 2014, ele se candidatou a deputado federal pelo PMDB, mas não se elegeu. Com 21.888 votos, o delegado ficou em 19º lugar na disputa por uma das oito vagas reservadas na Câmara para o Distrito Federal. Na manhã de ontem, ele chegou a participar de uma reunião com Segóvia e o ex-diretor Leandro Daiello. Segóvia também teria escolhido o delgado Cláudio Gomes,ex- corregedor-geral, para comandar a diretoria de Inteligência. A diretoria de Combate ao Crime Organizado deverá ser ocupada por um delegado que hoje da expediente na PF do Espírito Santo.

Segóvia começou a montar a equipe às pressas. Segundo um interlocutor, ele esperava ser escolhido como diretor da PF, mas não sabia que a indicação ocorreria esta semana. A indicação do novo diretor foi anunciada na quarta-feira e ontem a portaria de nomeaçãofoi publicada no Diário Oficial da União. Segóvia se reuniu com Daiello e o vice-diretor Rogério Galloro para iniciar imediatamente a transição. Eles fizeram uma teleconferência com os 27 superintendentes para, em tom amistoso, anunciarem as mudanças.

O novo diretor teria tentado demonstrar que a troca de comando não implicará em ruptura com a gestão de Daiello, que estava no cargo desde 2011. Na noite anterior, logo depois de receber o convite formal de Temer para chefiar a PF, Segóvia tratou de se reunir como dirigentes da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) e de outras entidades sindicais da polícia.

Aposentadoria - O delegado Leandro Daiello pediu aposentadoria. Depois de seis anos e dez meses no comando da Polícia Federal (2011/2017), na fase das operações mais espetaculares já desferidas contra a corrupção, entre elas a Lava Jato, o delegado decidiu dar adeus à carreira. Nesta quinta-feira, 9, ele protocolou o pedido de aposentadoria. Ele completou 23 anos de corporação e conta mais 10 anos de trabalho antes de assumir o cargo de delegado na PF. Daiello foi o diretor mais longevo da PF. Nenhum outro, no período democrático, ficou por tanto tempo na cadeira número 1 da corporação.

 
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