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Política

A jurista Eliana Calmon, primeira mulher a compor o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no qual ocupou o cargo de ministra no período de 1999 a 2013, afirma que é preocupante o estremecimento entre o Legislativo e o Judiciário brasileiros. “É uma preocupação grande, mas nós estamos ainda confiantes de que possa haver um recondicionamento do Poder Judiciário no sentido de vencer essa crise. Mas nós chegamos em um momento crucial, uma verdadeira encruzilhada. Então, o momento é difícil”, declara em entrevista exclusiva à Tribuna. Candidata ao Senado na eleição de 2014, ela acredita que os parlamentares estão tentando “salvar a própria pele” no processo envolvendo Aécio Neves (PSDB). “A questão do Aécio foi emblemática porque foi muito visível. E isso prejudica muito, porque a opinião pública tem um posicionamento. Nós vimos o que se passou lá com muita clareza, e fica difícil voltar para trás. O Judiciário ficará bem em falta com a opinião pública se não tomar uma posição em relação ao senador”. Calmon, entre outros assuntos, ainda avalia a Procuradora-Geral da República e compara as gestões de Rodrigo Janot e Raquel Dodge. “Tendo a acreditar que as coisas vão voltar aos seus lugares. Porque a Raquel Dodge tem um perfil de muita discrição e ainda está acostumada a lidar com a imprensa e essas questões de grande atividade na área da corrupção. Isso faz com que ela se coloque em uma posição de maior salvaguarda, o que não aconteceu com Rodrigo Janot”, pondera.

Tribuna da Bahia - Voltamos a ver o estremecimento entre o Legislativo e o Judiciário brasileiro. Essa crise institucional preocupa?

Eliana Calmon - Preocupa, porque estamos chegando a uma verdadeira queda de braços. Isso é preocupante ainda mais porque nós já vimos isso na Itália, justamente quando a Operação Mãos Limpas chegou ao poder político. E houve exatamente essa grande fissura entre o Judiciário e o Legislativo. E o Judiciário não foi capaz de aguentar a pressão, tanto que o Sérgio Moro vem dizendo que a estrutura do Judiciário é muito pesada e difícil. Naturalmente, isto é apenas uma previsão que nós temos. É uma preocupação grande, mas nós estamos ainda confiantes de que possa haver um recondicionamento do Poder Judiciário no sentido de vencer essa crise. Mas nós chegamos em um momento crucial, uma verdadeira encruzilhada. Então, o momento é difícil.

Tribuna da Bahia - Isso tudo está sendo gerada por causa do senador Aécio Neves. Como a senhora avalia este caso?

Eliana Calmon - Na verdade, isso não é só por causa de Aécio Neves. Aécio foi o pretexto para que houvesse justamente este baque. Na realidade, os senadores estão tentando salvar a própria pele. Mas a questão do Aécio foi emblemática porque foi muito visível. E isso prejudica muito, porque a opinião pública tem um posicionamento. Nós vimos o que se passou lá com muita clareza, e fica difícil voltar para trás. O Judiciário ficará bem em falta com a opinião pública se não tomar uma posição em relação ao senador. A preocupação ainda é maior porque não é algo que se possa esconder, é algo que está muito visível para todos.

 
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