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Política

Maurício Bacelar, 49 anos, tem a política no sangue, conforme sua própria definição (Foto: CFF/Adriana Lopes)
Maurício Bacelar, 49 anos, tem a política no sangue, conforme sua própria definição (Foto: CFF/Adriana Lopes)

O engenheiro civil Maurício Bacelar, 49 anos, tem a política no sangue, conforme sua própria definição. Seu pai, Amélio Batista, exerceu mandatos de vereador entre 1970 até 1988, tendo em vários períodos ocupado a presidência do Legislativo camaçariense. A mãe, Joanice Bacelar, pedagoga e professora, exerceu os cargos de diretora em escolas públicas e de secretária municipal da Educação. Maurício também é irmão do presidente estadual do PTN, João Carlos Bacelar, atual secretário da Educação da Prefeitura de Salvador.

Natural de Esplanada (BA), Bacelar chegou com sua família a Camaçari no ano de 1966. Aqui estudou sempre em escola pública – como faz questão de frisar. Foi diretor técnico do Complexo Petroquímico de Camaçari (COPEC) e secretário da Habitação e da Infraestrutura na prefeitura de Camaçari. Atualmente desenvolve atividade empresarial e é presidente do diretório municipal do Partido Trabalhista Nacional (PTN). Foi pré-candidato a prefeito nas eleições de 2008, mas não conseguiu consenso em torno do seu nome. Por isso, se lançou a vereador no mesmo ano, também pelo PTN, obtendo 1.436 votos.

Com toda a bagagem profissional e política acumulada ao longo dos anos, Maurício Bacelar, que esteve na última semana, na redação do Camaçari Fatos e Fotos, parte agora para um novo desafio: ser candidato a prefeito de Camaçari pela oposição. Para isso, o pré-candidato precisa ter seu nome referendado pelos partidos que compõem a frente oposicionista. Buscar esta união não será tarefa fácil, posto que já começam a haver fissuras no grupo, com a possível adesão de nomes de peso à ala governista.

Na entrevista a seguir, ele expõe as suas idéias para a elaboração de um projeto administrativo para a cidade, além de tecer críticas ao atual prefeito e à sua maneira de conduzir o processo político.


CFF - Com todas essas idas e vindas da oposição, com informações de que dois nomes importantes do grupo estariam prontos para ingressar na base de apoio da atual administração, mesmo assim o senhor mantém firme a intenção de se lançar candidato a prefeito de Camaçari?

Maurício Bacelar - Nós somos na oposição nove partidos, que são o PTN, DEM, PP, PSDB, PMDB, PRP, PTC, PPS e PSDC. Nós todos temos um compromisso de unidade, de marcharmos juntos nas eleições de 2012. Eu acredito na unidade das oposições. E entre esses partidos existem sete pré-candidatos, que a população me honra com a lembrança do meu nome, de Marco Antônio, Zé de Elísio, dos ex-prefeitos Tude e Helder, da vice-prefeita Tereza Giffoni e de Osvaldinho Marcolino. Então, dentre esses, um de nós será o candidato a prefeito da oposição e acho que todos nós estamos preparados para enfrentar essa disputa. Agora, eu tenho certeza absoluta, acredito que a unidade das oposições vai se dar em torno do projeto do PTN.

CFF - Como é que têm acontecido as discussões para definição do nome que vai encabeçar a chapa majoritária? Os partidos de oposição têm se reunido, as lideranças têm conversado sobre isso?

Maurício Bacelar - Frequentemente nós temos nos reunido aqui em Camaçari e também as direções regionais têm se reunido lá em Salvador. E nessas reuniões temos avançado muito. É óbvio que uma escolha dessa não se dá facilmente da noite para o dia. Mas, eu acho que essa demora está sendo boa para o processo. Porque o processo está sendo rico e ao fim, quando nós estivermos reunidos e unidos estaremos verdadeiramente reunidos. Não será uma coligação apenas para as eleições, mas uma coligação para governar Camaçari.

CFF - Em 2008 o senhor tentou ser indicado como candidato a prefeito pela oposição. Não conseguiu e disputou uma vaga para a Câmara. Se isso ocorrer novamente, o caminho será o mesmo? Disputaria novamente uma vaga no Legislativo?

Maurício Bacelar - O cenário hoje é diferente. Em 2008, a oposição não conseguiu a unidade e, atendendo ao apelo da militância do PTN, fui candidato a vereador. Agora, não. O PTN está estruturado, estamos construindo um projeto de desenvolvimento e tenho a certeza de que o PTN será o porto seguro das oposições. Sou pré-candidato a prefeito. Acho importante o papel do Legislativo, mas a militância do PTN entende que represento neste momento a melhor opção para dirigir os destinos da nossa cidade.

CFF - Qual o projeto da oposição para a cidade, tendo em vista que se tem hoje uma administração municipal supostamente bem avaliada. Quais as críticas em relação ao atual governo e o que os senhores propõem de diferente para convencer o eleitorado?

Maurício Bacelar - Eu entendo que Camaçari é uma cidade privilegiada. Temos uma receita anual próximo de R$ 1 bilhão e temos uma população de 240 mil habitantes. Então, se formos observar cidades do Sul do País que têm a mesma renda e a mesma população, veremos que lá as pessoas têm uma qualidade de vida muito melhor do que aqui. Isso por uma questão de gestão pública. Precisamos ter uma administração em Camaçari que saiba priorizar os anseios da população, que faça bem a gestão dos recursos públicos. E eu entendo que nesse momento não estamos tendo isso. Camaçari na década de 70 deu um salto muito grande no seu patamar de desenvolvimento com a chegada do Pólo Petroquímico e foi considerada nessa época como a grande locomotiva da Bahia. Nós vamos apresentar um projeto de desenvolvimento que vai tornar Camaçari novamente essa locomotiva da Bahia. Eu imagino que temos que trazer Camaçari para o século XXI; transformá-la na grande metrópole da Região Metropolitana do século XXI. Para isso, temos que requalificar a cidade. E é nesse sentido que o PTN vem trabalhando e vem desenvolvendo os seus estudos.

CFF - Mas, quais os pontos negativos da atual administração que o senhor identifica ou, por exemplo, quais promessas eleitorais não tenham sido cumpridas nesses sete anos de governo Caetano?

Maurício Bacelar - Eu não posso admitir que em Camaçari, com a receita que o município tem, a gente faça uma campanha como se faz em outras cidades, com promessas de melhorar a saúde, a educação ou melhorar a geração de emprego. Isso ai é o dia-a-dia de qualquer prefeitura especialmente de uma prefeitura como Camaçari. Isso é o óbvio que tem que ter. Em Camaçari, com os recursos que a cidade dispõe, nós temos que fazer o algo mais, transformar essa cidade, tirar de Camaçari a pecha de que ela é somente a referência como uma cidade rica. Camaçari tem que ter outras referências, como já teve no passado: referência em educação, em saúde. Tem que ser uma cidade de vanguarda e é nesse sentido que nós do PTN estamos trabalhando. Não vou entrar nesse jogo, estou pensando na cidade do futuro e esse é o desafio meu e da minha geração: preparar Camaçari para o século XXI.

CFF - Em se falando de eleições, na sua visão qual o grande apelo eleitoral que vai ter o candidato oposicionista? Porque a situação tem o discurso de que a aliança com os governos estadual e federal faz com que os projetos fluam com mais rapidez para a cidade. E o candidato da oposição, como deve se comportar para angariar os apoios necessários para vencer a eleição?

Maurício Bacelar - Eu sou um homem do diálogo, filho de família tradicional da política da Bahia. Em sendo prefeito de Camaçari terei uma relação muito gentil com o governador Jaques Wagner e com a presidente Dilma Rousseff. Agora, não podemos esquecer de que Camaçari com essa receita que tem é uma cidade independente. Se a prefeitura souber construir bons projetos, eu tenho certeza que o governador e a presidente, cada um na sua esfera de competência, vão saber atender Camaçari. Você há de convir que nos últimos anos essa ligação entre os governos municipal, estadual e federal não tem trazido vantagens para Camaçari. E vou dar exemplos: Nós nunca tivemos na história de Camaçari um prefeito tão íntimo do governador como o prefeito Caetano, nunca tivemos na história da Bahia um governador tão íntimo do presidente da República como é o governador Jaques Wagner, com o ex-presente Lula e agora com Dilma Rousseff, e veja que Camaçari não tem tirado vantagem disso. Nos últimos anos nós ao invés de atrairmos investimentos, temos perdido muitos. Nós perdemos, por exemplo, o Pólo Acrílico... (ou melhor) perdemos o Pólo Têxtil, que seria um avanço muito grande na cidade. O Pólo Têxtil geraria aqui 50 mil empregos diretos. E o que foi que nós vimos? Vimos a retirada do Pólo Têxtil de Camaçari para Pernambuco com a aquiescência do prefeito Luiz Caetano e do governador Jaques Wagner que nada fizeram. Até 30 dias atrás o presidente da Petrobras era também do PT e da Bahia, e veja que a Petrobrás resolveu investir na petroquímica e onde foi que ela investiu? Está investindo no Pólo do Rio de Janeiro, no Pólo de São Paulo e no Pólo do Rio Grande do Sul, e nenhum centavo no Pólo da Bahia. O grande presente que o PT poderia dar ao Pólo Petroquímico a Camaçari, ao Pólo Petroquímico e à Bahia seria a duplicação da Refinaria Landulfo Alves e isso o governo do PT não deu ao povo baiano. É um pecado muito grande do PT porque é da Refinaria Landulfo Alves que sai a nafta que movimento todo o nosso Pólo Petroquímico.

CFF -
Apesar das dificuldades que o senhor identificou no campo econômico, a administração municipal se vale dessa parceria com os governos estadual e federal para carrear obras importantes de infraestrutura por exemplo, que, segundo anunciado, somente o saneamento básico e a revitalização do Rio Camaçari vão gerar um investimento de cerca de R$ 400 milhões. É possível desmerecer isso?


Maurício Bacelar - Eu vejo da seguinte maneira. A obra do esgotamento sanitário é uma obra importantíssima. Começou em 2008 com previsão para término em 2010 e nós já estamos em 2012 e a obra não tem prazo para terminar. Parece-me que ela tem uma questão muito séria de gestão. No caso da revitalização do rio Camaçari, outra obra importantíssima, claro. A revitalização do rio é um velho anseio da população. Eu que tomei banho nesse rio é obvio que eu quero vê-lo revitalizado. Agora, acho, que a visão da Prefeitura na revitalização do rio esta errada, porque ameaça remover mais de 20 mil famílias que estão instaladas no entorno do rio há mais de 30 anos. E estão homologadas pelo Poder Público que levou até suas portas a infraestrutura de pavimentação, drenagem, iluminação pública, enfim, todos os serviços públicos e agora, da noite para o dia, a Prefeitura quer remover essas pessoas. Acho que o enfoque está errado, pois sou engenheiro civil e sei como revitalizar o rio Camaçari sem remover as 20 mil famílias que a Prefeitura está ameaçando.

CFF - Em sendo efetivado pré-candidato e depois candidato a prefeito de Camaçari, caso vença as eleições, como imagina trabalhar a correlação de forças com o Legislativo? Há nomes de relevância no seu campo político que possam disputar uma vaga na Câmara Municipal com chances de se eleger e fazer uma base expressiva de vereadores?

Maurício Bacelar - Tradicionalmente a Câmara de Vereadores de Camaçari sempre fica ao lado do prefeito. Os vereadores têm se colocado tradicionalmente a serviço da população, haja vista a eleição de 1992 quando o prefeito eleito, Humberto Ellery tinha minoria na Câmara. Em 1996, quando Tude se reelegeu, novamente, tinha minoria mas conseguiu a maioria. O prefeito Luiz Caetano em 2004 quando se elegeu tinha minoria na Câmara, eram 8 contra 3, mas com a sua habilidade ele conseguiu construir a maioria. Apesar de no arco das oposições termos bons nomes para disputar a Câmara e eu ter a certeza de que faremos a maioria, caso isso não aconteça, com a minha habilidade política, pode ter certeza que com diálogo e mostrando os bons projetos para Camaçari, vou ter a maioria da Câmara de Vereadores ao meu lado.

CFF - Agora, para adquirir essa maioria o senhor pretende se utilizar da sua caneta para nomeações e distribuição de cargos?

Maurício Bacelar - Eu sou um político da nova geração, esses são os métodos dos antigos como o prefeito Luiz Caetano que tem feito isso de uma maneira muito acintosa. E isso não é dito por mim, mas pelos próprios aliados dele. O deputado Bira Coroa, por exemplo, se queixou nas eleições de 2010 que a máquina pública em Camaçari foi usada contra a candidatura dele. O meu método é o diálogo e é assim que vou convencer as pessoas das minhas idéias. Tenho sofrido muitas agressões do prefeito e dos seus partidários, através da imprensa e também com agressões físicas, como foi a covardia da invasão e destruição da sede do PTN, comandada por seguranças do prefeito Luiz Caetano. Mas, o meu método não é a truculência, é o diálogo. E no diálogo, tenha certeza, vamos construir a Camaçari do futuro.

CFF - Recentemente houve conversas de que um dos expoentes da oposição, o radialista Marco Antônio, estaria negociando uma possível adesão ao grupo que está no poder e, consequentemente, o apoio ao pré-candidato situacionista. Como o senhor tem acompanhado o desenrolar dessa história?


Maurício Bacelar - Realmente a imprensa tem noticiado a adesão de Marco Antonio ao grupo do prefeito.  Mas, eu ainda não ouvi dele a confirmação dessa notícia. Tive várias reuniões com ele, inclusive públicas, aonde ele afirmava a sua disposição de marchar com as oposições numa candidatura única nas eleições de 2012. Sou daqueles que acredita na palavra. Ele tem dito que não concorda com a maneira com que o prefeito Luiz Caetano governa a cidade e que, nesse sentido, ele não iria nunca se juntar ao grupo que ele combate. Então, eu acredito em Marco Antônio. Ele estará do nosso lado e no nosso palanque.

CFF -
Mas como o senhor analisa o fato dele nunca ter desmentido publicamente essas informações?


Maurício Bacelar - Eu mesmo não falei com ele, mas tenho informações que Marco Antônio está acometido de uma gripe muito forte contraída após o carnaval, por esse motivo, inclusive, não está apresentando o programa de rádio. Você há de convir que cada um tem seu estilo de como se portar frente a uma boataria dessa magnitude. Então, eu respeito a posição de Marco Antônio. Confio nele e estou aguardando o seu pronunciamento.

CFF - E sobre os boatos de que o seu nome também estaria envolvido nessas negociações, inclusive cotado para assumir uma secretaria no primeiro escalão?

Maurício Bacelar - Ninguém esta autorizado a negociar em meu nome, nem em nome do PTN. Não aprendi a fazer política na base da negociata. Estou centrado na construção de um projeto de desenvolvimento para tornar Camaçari uma grande metrópole do século XXI. Entendo que Camaçari não pertence a uma pessoa nem a um partido político e sim às famílias que aqui residem.

CFF -
Para arrematar a nossa entrevista, como o senhor define o eixo da campanha oposicionista à prefeitura e quais as principais propostas que serão levadas ao julgamento do eleitor no pleito de outubro próximo?


Maurício Bacelar - Nós do PTN estamos desenvolvendo um projeto de desenvolvimento para Camaçari. Não é um projeto de Maurício apenas, é um projeto para a cidade, um presente que o PTN vai dar ao município. Camaçari não pertence a uma pessoa, a um grupo, mas a todas as famílias que vivem aqui. O projeto que o PTN vai apresentar contemplará todas a todos que aqui moram e trabalham. Se for da vontade de Deus e da confiança do povo de Camaçari que eu venha a ser prefeito dessa terra, quero que a minha administração seja marcada pela melhoria na qualidade de vida das pessoas daqui. Entendo que Camaçari merece e pode muito mais.

CFF - Com relação aos projetos que estão sendo tocados ou que foram inaugurados pela Prefeitura pode haver solução de continuidade, já que é muito comum quando há mudança de gestão a prática de não dar continuidade às obras ou desmanchar aquilo que já foi feito? Na visão do engenheiro Maurício Bacelar, os projetos serão mantidos ou, por conta de divergências político-administrativas, muita coisa pode ser paralisada ou não ser concluída em Camaçari?

Maurício Bacelar - Essa prática é do prefeito Luiz Caetano, de que tudo o que vinha da administração passada não servia e ele parou. Vou dar um exemplo: o maior programa de complementação alimentar bancado por uma prefeitura no Brasil era o programa da Vaca Mecânica e que de maneira inexplicável ele extinguiu em Camaçari. A Vaca Mecânica chegou a distribuir aqui na sede seis mil litros de leite diários e quarenta mil pães. Na Orla, chegamos a distribuir dois mil litros de leite por dia e doze mil pães. Distribuíamos também mais de uma tonelada por mês de uma multimistura que ajudava a combater a desnutrição infantil. O prefeito extinguiu esses programas, os quais eu, se for eleito prefeito, vou restabelecer. Agora, é inegável que o projeto da Cidade do Saber implantado pelo prefeito é um bom projeto, só tem um problema: é um projeto-piloto e muito pequeno, atende a uma parcela pequena da população. É pensamento do PTN levar o projeto da Cidade do Saber para todas as escolas públicas do município, tanto na sede quanto na orla. Este é o nosso objetivo.

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