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Opinião

Matheus Maciel; Secretário Estadual de Juventude do PT-BA
Matheus Maciel; Secretário Estadual de Juventude do PT-BA

A sentença de Karl Marx segue imperdoável em sua execução: a história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa. Na política, a máxima se confirma com a tradição das famílias que desejam manter seus poderes através dos laços hereditários, transmitindo-os através das gerações. O espólio político dos pais é transmitido aos seus filhos, que seguem o caminho trilhado deixando as mesmas marcas cruéis em suas trajetórias.

De uns tempos pra cá, tenho ouvido falar muito da renovação dos quadros da direita, que segundo dizem, tem sido mais efetiva que a nossa. Não me resta dúvida que a esquerda precisa renovar seus métodos, seus quadros, e fortalecer a juventude, inserindo a faixa geracional de 15 a 29 anos nos espaços não apenas que debatam a realidade das/os jovens, mas nos trazendo a chance de falar sobre o todo da política. Contudo, os políticos de laboratório e as novas caras -muito parecidas com as antigas- que aparecem pela consanguinidade não é o que nós precisamos. A direita não é exemplo pra ninguém, muito menos de renovação.

Na Bahia, o maior exemplo da transmissão hereditária do poder político é o de Antonio Carlos Magalhães para o seu neto. Os perfis são idênticos. Ambos líderes carismáticos que ganham suas batalhas pelo amor ou pela dor de quem por um dos dois passou.

Apesar de ter ficado muito comum falar nestas terras, não enxergo um "neo-carlismo", vejo o mesmo carlismo de sempre, que precisou trocar de máscara para ser aplicado após anos de políticas de inclusão dos governos petistas, mas que seguem com sua mesma natureza cruel. 

A fase do "cabeça branca" era a própria tragédia prevista por Marx, com as propriedades que eu, leigo na arte, pouco conheço: conflitos com um herói que luta por um bem maior que não o seu benefício próprio, reviravoltas e um final lento e trágico, iniciada neste caso com a morte de Luís Eduardo Magalhães - que se vivo estivesse talvez fosse o seu herdeiro político - e encerrada com o fim do próprio ACM. O neto personifica a farsa. Seu comportamento pouco comprometido com a raiz das questões, busca apenas a gargalhada momentânea e etérea do público.

Tal qual o avô, ACM Neto se vale da imagem de apaixonado pela terra que governa. E quem sou eu para duvidar das declarações de amor? O problema está em que ambos, ainda que amem a geografia da Bahia e de Salvador, parecem não ter o mesmo sentimento pela imensa maioria de sua população, sempre governando para uma elite restrita, principalmente com benefícios ao seu poderio empresarial familiar, que controla boa parte das comunicações na Bahia e tem um estranho talento para vencer licitações, como aconteceu na Estação da Lapa.

Com os desafetos o mesmo tratamento, principalmente os insurgentes das ruas. Vou aqui pular a condição de ACM de aliado da ditadura civil-militar porque a circunstância me parece óbvia e chegar até 2001, quando um protesto que pedia a cassação do seu mandato pela violação do painel eletrônico do Senado foi duramente reprimido pela polícia militar, mesmo dentro do espaço físico da Universidade Federal da Bahia, área que uma polícia estadual não poderia atuar. Sem o comando pleno da polícia, ACM Neto criou na Guarda Municipal sua tropa pessoal, cada vez mais militarizada, e com ordens comuns para acabar com atos da esquerda, apreendendo até mesmo carros de som em atos culturais. Num protesto mais recente, contra a concessão do título de cidadão soteropolitano ao prefeito de São Paulo, chegou a declarar publicamente que caso desejasse, poderia usar a Guarda para dar fim às manifestações.

O carlismo não morreu, nem é novo. O próprio herdeiro do seu legado perverso confirmou isso em uma reportagem em 2010, quando ainda era deputado, e após vencer as eleições para prefeitura de Salvador em 2012, quando mencionou o avô ao lado de seu retrato após uma campanha onde o mentor foi colocado em segundo ou terceiro plano.

Não tenho dúvida de que a renovação na política é urgente e necessária. A renovação com a voz das ruas, pela juventude forjada nas lutas cotidianas, tanto da vida quanto dos movimentos sociais. A juventude que corre o risco de ter perdas irreparáveis com a aprovação da reforma trabalhista, da reforma da previdência, do congelamento nos investimentos em educação e em todos os retrocessos do governo ilegítimo e de seus financiadores. O momento para a esquerda é de atenção, e mais do que nunca, de lutar contra as farsas.

*Matheus Maciel é Secretário Estadual de Juventude do PT-BA e Estudante de Direito e de Ciências Sociais.

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