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Opinião

Qual a carne verdadeiramente fraca?

Ao longo de toda a minha atividade como Juiz e luta como cidadão contra a corrupção, infelizmente, sempre consegui estabelecer os vínculos dos escândalos com a atuação de políticos inescrupulosos que só veem na política o seu sustento pessoal e sugam tudo que for possível como um parasita e o pior sem qualquer piedade do povo.

E será que no que vimos no último dia 17 foi diferente? A resposta é sonoricamente um não.

A Polícia Federal desmascarou um grande esquema de fraude e corrupção através da intitulada Operação Carne Fraca (nome bem sugestivo), a maior operação já realizada pelo órgão, desarticulando uma organização criminosa que atuava no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, através da Superintendência Federal da Agricultura no Paraná.

A operação, deflagrada no último dia 17, foi realizada em sete estados, tendo sido expedido mais de 190 mandados de busca e apreensão em empresas e residências de acusados e contou com cerca de 1.100 policiais federais, 30 auditores-fiscais e analistas-tributários da Receita Federal.

A Operação Carne Fraca assinalou a existência desse esquema de corrupção entre fiscais do Ministério da Agricultura e as principais empresas nacionais do ramo frigorífico, onde estas, além de comercializar produtos fora do prazo de validade, ainda as vendiam adulteradas com ácido ascórbico e outros elementos estranhos. Entre as grandes empresas do setor de carnes e embutidos estão a JBS, dona das marcas Friboi e Seara, e a BRF, dona das concorrentes Sadia e Perdigão.

A Polícia ainda não identificou os lotes que estariam sob o alvo das investigações, mas já apuraram que as irregularidades iam além da fronteira nacional. Uma carga brasileira foi interceptada na Europa sob suspeita de seus produtos estarem contaminados com a bactéria do tipo Salmonela. Ou seja, além de colocar em risco milhares de cidadãos, ainda golpeia frontalmente a nossa abalada economia e põe em risco a credibilidade do Brasil como um dos maiores exportadores de carne no mundo.

Entretanto, de que carne fraca vamos falar nesse pequeno texto cheio de interrogações?

Todo esse esquema de corrupção - que enoja muito mais que a carne podre e adulterada que pode ter nos alimentando por muito tempo - era mantido através de fiscais da pasta que recebiam propina em forma de dinheiro e mesmo de produtos – em boa qualidade, claro-, para fazerem vistas grossas às irregularidades.

Eles facilitavam a produção de alimentos adulterados e emitiam certificados sanitários sem realizar as atividades fiscalizatórias necessárias e indispensáveis a nossa a saúde. Os fiscais que não aceitavam participar dos esquemas eram severamente punidos, sendo afastados de seus locais de trabalho, removidos ou exonerados de suas funções. Que loucura, os que agiram correto eram sancionados e estigmatizados dentro do sistema.

Agora a grande indagação: a quem esses fiscais serviam? Será que eles não eram apenas parte de um esquema bem maior? De uma engrenagem com vários braços?

Segundo o delegado da Polícia Federal, Maurício Moscardi Grillo, uma parcela do dinheiro pago pelos frigoríficos abastecia políticos do PMDB e do PP – partido do ministro da Agricultura, Blairo Maggi, e uma das legendas mais investigadas por outra operação, a Lava Jato.

Sou conhecido ao longo da atuação mencionada no início, por não acusar diretamente ninguém e continuarei nessa linha, contudo fica mais um questionamento - a prtir da realidade que estamos presenciando nos últimos anos e que com certeza teremos diversas outras operações semelhantes – será que a ligação enunciada é mais uma conspiração?

E sinceramente, todo esse caminho de corrupção tem que ter algo por trás para ser mantido, logo mais do que plausível pela triste realidade de nossa política, que era necessário assegurar políticos capazes de chefiarem os esquemas. Para isso, existia o apoio financeiro nas campanhas eleitorais. No pleito de 2014, último onde as pessoas jurídicas puderam fazer doações aos candidatos e partidos, calcula-se que as empresas investigadas doaram cerca de R$ 393 milhões a candidatos.

Em artigo publicado em seu site, Márlon Reis denuncia:

“Mas a face mais cruenta do monopólio é a intromissão na política. O grupo JBS financiou 106 dos atuais 513 deputados federais. Tem uma bancada de 20% da Câmara! A empresa que em 2002 fez doações eleitorais de 200 mil reais, em 2014 doou mais de 300 milhões de reais para definir quem deveria atingir o poder político no Brasil. E até ensaiou levar um dos membros da família dirigente ao governo de Goiás. Definiu a eleição de senadores, governadores. Subornar fiscais é fichinha perto disso. Lamentavelmente, não tenho como concluir que isso foi por um equívoco. Foi propositalmente pensado para fazer o que os monopólios fazem: destruir a economia para os pequenos e lançar seus braços sobre a política. Não concebo o desenvolvimento social e econômico dessa maneira. Não me convidem para defender isso. Venda de produtos cancerígenos e estragados causa menos dano do que essa decisão política primordial".

O nome da operação além de explicitar a qualidade dos alimentos comercializados pelas empresas investigadas, ressalta a fragilidade moral do homem frente à possibilidade de se beneficiar de modo fácil. Os agentes públicos, que deveriam zelar pela saúde e segurança da população, não o fizeram e se deixaram corromper em troca de propina em forma de dinheiro e produtos alimentícios.

Esse esquema de corrupção, assim como todos os outros, apenas confirmam mais uma vez a teoria de estrutura de poder pelo poder que já falamos aqui em reiterados textos: a necessidade do homem em manter o seu posto, seu âmbito de domínio e sua cobiça pelo dinheiro e poder, fazendo com que ele não poupe esforços, ultrapassando para isso os limites da legalidade, da moralidade e até mesmo da humanidade.

Qual a carne mais fraca?

Sem dúvida, a da corrupção, que mata bem mais do que deve ter matado as podres e cancerígenas comercializadas, porque retira o dinheiro público que poderia ser aplicado na saúde, educação e segurança, que tanto tem faltado nesse momento em nosso país.

Tá na hora de expormos de uma vez só todas as carnes fracas que temos e aproveitarmos o momento difícil que passamos para fazermos uma assepsia geral em todos os setores públicos e privados, de modo que a corrupção deixe de ser a regra geral, passando a ocupar o seu devido lugar: a excepcionalidade da fragilidade de alguns seres humanos e não o que estamos vendo hoje!

E como isso será possível?

Somente com uma verdadeira revolução no modo de agir dos brasileiros, de modo que exija dos políticos uma postura diferente da que estamos acostumados. Agora mesmo, qual a preocupação deles em meio a tudo isso?

Com o financiamento de suas campanhas em 2018, pois a partir dos escândalos e a famosa lista do Janot, já perceberam que não teriam como manter o sistema de outrora, então buscam a proposta indecente de anistia ao caixa 2 e querem que nós banquemos a farra de suas campanhas, falando inclusive agora da lista fechada.

Meu Deus aonde vai a “cara de pau” de alguns políticos no Brasil?

Não tem limite pelo jeito por causa da gente, logo a nossa proposta é bem mais ousada do que somente fazer valer o instituto do plebiscito e do referendo, passa por uma mudança radical no trato com os políticos, de modo que possamos avaliar a todo momento o que eles falam e fazem.

E quando percebemos que só era conversa como se diz, que possamos tirá-lo imediatamente do poder. Quando forem pegos com a boca na botija nesses esquemas de corrupção, que saiam imediatamente do poder como ocorrem em algumas democracias. E porque lá isso acontece?

Porque os povos de lá, diferente do nosso, não tem a nossa paciência, pelo contrário, não dialogam com a corrupção e quando acontecem escândalos bem menores do que esse que vimos, políticos renunciam imediatamente quando não se suicidam. E isso acontece também com alguns agentes públicos de um modo geral.

Então, fica a dica para que não tenhamos novas surpresas, pois com certeza essa não é a primeira carne fraca e nem será a última, mas poderá ser a carne fraca que nos torne forte para vencermos a luta contra o maior mal de nosso pais: a podridão da corrupção.

 
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