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Segundo a primeira ministra-alemã, 'a totalidade de mortes e prejuízos nas últimas semanas na Bolívia, Paraguai e Brasil podem jamais serem conhecidos'. - Foto: Reprodução
Segundo a primeira ministra-alemã, 'a totalidade de mortes e prejuízos nas últimas semanas na Bolívia, Paraguai e Brasil podem jamais serem conhecidos'. - Foto: Reprodução

Na abertura da 42ª sessão do Conselho dos Direitos Humanos da ONU, nesta segunda-feira (9), a alta comissária Michelle Bachelet voltou a denunciar o desmatamento na Amazônia. Segundo a ex-presidente chilena, as intensas queimadas que já duram semanas podem ter consequências catastróficas para toda a humanidade.

O discurso inaugural da 42ª sessão do Conselho dos Direitos Humanos da ONU focou no meio ambiente e o Brasil foi um dos 40 países citados por Bachelet. “Estou profundamente preocupada pela aceleração drástica do desmatamento na Amazônia”, afirmou a alta comissária diante de uma sala lotada.

“As queimadas que atualmente devastam a floresta amazônica podem ter consequências catastróficas para a humanidade como um todo, mas os piores efeitos são sofridos por mulheres, homens e crianças que vivem nessas áreas – entre eles, muitas comunidades indígenas”, salientou a alta comissária dos Direitos Humanos da ONU.

“O fogo está devastando nossas florestas (…). Nós estamos literalmente queimando nosso futuro”, ressaltou. Segundo ela, essa situação afeta as economias de todos os países, de todas as pessoas e das futuras gerações. “Essa é uma situação sobre a qual nenhum país, nenhuma instituição, nenhum governante pode ficar à margem”, reiterou.

Segundo ela, “a totalidade de mortes e prejuízos nas últimas semanas na Bolívia, Paraguai e Brasil podem jamais serem conhecidos”. Por isso, Bachelet fez um apelo para que “as autoridades desses países garantam a implementação de políticas ambientais de longa duração e de sistema de incentivo à gestão sustentável evitando assim tragédias futuras”.

Defesa dos povos indígenas e ambientalistas

A alta comissária da ONU também salientou a necessidade de defender os povos indígenas, “marginalizados e discriminados”. Segundo Bachelet, é essencial que os governos reconheçam os fatores estruturais que vêm prejudicando essas comunidades e que busquem soluções, dedicando recursos para garantir seus direitos e acesso à proteção social.

Em seu discurso, a ex-presidente chilena também expressou sua preocupação com os ataques contra ativistas do meio ambiente e dos direitos humanos, “particularmente na América Latina”. “Estou abatida com essa violência, e também com ataques verbais contra jovens ambientalistas, como Greta Thunberg e outros, que estimulam apoio contra os danos que suas gerações terão que arcar. (…) Devemos respeitar, proteger e garantir seus direitos.”

Alerta ao Brasil

Boa parte do discurso da alta comissária é considerado como uma espécie de alerta ao Brasil, em campanha para ser reeleito para um dos 47 assentos no Conselho de Direitos Humanos da ONU. As considerações de Bachelet acontecem a duas semanas da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, na qual o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, irá discursar e deverá se pronunciar sobre os incêndios na Amazônia.

O pronunciamento de Bachelet sobre a situação na floresta amazônica também acontece cinco dias depois que ela expressou sua preocupação com a redução do espaço democrático e o aumento da violência policial no Brasil. As afirmações, em entrevista coletiva em Genebra, suscitaram uma reação imediata de Jair Bolsonaro, que acusou a alta comissária de “se intrometer nos assuntos internos e na soberania brasileira”.

Em um post em sua página no Facebook, o presidente brasileiro também fez menção à morte do pai de Bachelet, após o golpe militar liderado por Augusto Pinochet, nos anos 1970, no Chile. Segundo ele, a ex-presidente “se esquece que seu país só não é uma Cuba graças aos que tiveram a coragem de dar um basta à esquerda em 1973, entre esses comunistas o seu pai brigadeiro à época”.

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