Galeria de Fotos

Não perca!!

Banner

Nacional

Procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa Lava Jato em Curitiba (Foto: Reprodução)
Procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa Lava Jato em Curitiba (Foto: Reprodução)

Conversas reveladas mostram que ninguém está seguro

As revelações do Intercept e da Folha de S.Paulo desvelam uma espécie de lado obscuro da Justiça brasileira, algo como “The Dark Side of the Justice”. Dizemos Justiça, porque as relações conjumínicas entre Moro e o Ministério Público dão a abrangência do fenômeno.

A par da gravidade de tudo que já foi noticiado, as revelações do dia 1/8/19 mostram que a Força Tarefa atravessou o Rubicão, na medida em que seus membros, liderados por Deltan Dallagnol, demonstraram um agir à socapa e à sorrelfa para tentar envolver ministros do Supremo Tribunal, porque contrariaram seus interesses no contexto da operação Lava Jato.

Os diálogos de Dallagnol com seus colegas são a quintessência do vale tudo processual-punitivista. Para alcançar seus objetivos, tudo era permitido. A eles, é claro.

Chafurdar nas relações pessoais de ministros buscando comprometê-los ou constrange-los não são práticas republicanas. Dallagnol, em “investigações” informais, sem indicar fontes, incitou colegas a buscar elementos que, de algum ou qualquer modo pudessem incriminar os ministros Toffoli e Gilmar. Para tanto, valia tudo: buscar informações sobre sociedade com primo de ministro, reforma de apartamento, algum contrato advocatício de esposa de ministro(s) e coisas do gênero. “Sei que o competente é o PGR”, mas, enfim, ele Dallagnol, queria “ajudar” com dados de inteligência. A notícia do dia 6/8/19 escancara mais ainda o problema: a Lava Jato - leia-se Deltan Dallagnol - buscou “arapongar” o ministro Gilmar até na Suíça.

Tanto ou quanto mais graves foram as tentativas de atingir a Procuradoria-Geral da República, que agora tem a chance e o dever de agir de forma enérgica e pedagógica com os envolvidos neste triste e lamentável episódio, sob pena, inclusive, de se desmoralizar e desacreditar ainda mais.

No fundo, Dallagnol vendia um pacote de intrigas tipo A Vida dos Outros, famoso filme que retrata o papel de um espião da Stasi, polícia secreta da Alemanha Oriental. E sua opinião sobre o Supremo Tribunal não era muito lisonjeira:  "Quando chega no Judiciário, eles se fecham", disse aos colegas em 21 de agosto, um dia após a reportagem da Revista Veja sobre Toffoli chegar às bancas. "Corrupção para apurar é a dos outros."

Como acreditar em um agente politico do Estado que, em conversações com colegas, destila toda sorte de aeticidades?  "A respeito do Toffoli, peçam pesquisa para a Spea de pagamentos da OAS para o escritório da esposa do rapaz que terão mais alguns assuntos para a Veja", disse o procurador Orlando no Telegram. "Não é nada relevante, mas acho que dá uns 500 mil" (sic). “A esposa do rapaz”, disse um dos procuradores à Dallagnol.

“Rapaz” é apenas o Presidente do STF, e sua esposa é uma advogada respeitada e reconhecida. Eis o nível da conversação – em aparelhos celulares públicos, pagos pelo contribuinte -, entre os componentes de uma Força Tarefa que tinha, como alto valor de face, a ética, a moral, o novo na justiça e na política.

Muito mais poderia ser arrolado.

Nestas últimas horas, por exemplo, novos vazamentos revelaram a forma como a força-tarefa utilizou movimentos sociais para manipular a opinião pública.

Mas o que importa, aqui, é o nível simbólico. O filósofo Cornelius Castoriadis dizia: o gesto do carrasco que decepa a cabeça do condenado é real por excelência, mas simbólico em sua essência. E vale mais por seu conteúdo simbólico. Pois no caso das conversas de Dallagnol e seus colegas, o simbólico é lancinante. Mostra esse lado obscuro da Justiça. Quem está seguro se aqueles que devem zelar pelo sigilo dos dados bancários e pessoais usam a máquina pública para buscar informações, não para fazer processos judiciais, eis que para isso a prova é zero, e, sim, para constranger autoridades, pelo fato de terem sido contrariados?

Isso tudo sem considerar os prejuízos às reputações da dra. Roberta, esposa de Toffoli, e da dra. Guiomar, esposa de Gilmar, envolvidas por arrastamento, face a interesses contrariados pelos maridos-ministros em importantes decisões. Aliás, houve investigação sem que os ministros e esposas soubessem. O lado obscuro em mais uma face.

O mais grave nisso tudo é que se trata de dois Ministros da Suprema Corte. Se se vende um pacote de intrigas sobre eles, o que restará para os não-ministros, o restante do povo?

Veja também:

Vaza Jato: Deltan articulou com STF e governo Bolsonaro para indicar procurador baiano na PGR

Juristas realizam ato para denunciar conduta de Moro na Lava Jato

Não se iluda com o novo capítulo da Vaza Jato: Deltan e Bolsonaro são irmãos siameses. Por Joaquim de Carvalho

Vaza Jato - Moro teria pedido que celulares de Cunha não fossem apreendidos

Conselho analisa na terça pedido de afastamento contra Deltan

Deltan Dallagnol chefiava facção de milícia digital, revela Intercept

Okamotto pede ao STJ perícia nos celulares de Moro e Deltan

Tijolaço: A supersafra de factoides

Clique aqui e siga-nos no Facebook

 

Camaçari Fatos e Fotos LTDA
Contato: (71) 3621-4310 | redacao@camacarifatosefotos.com.br, comercial@camacarifatosefotos.com.br
www.camacarifatosefotos.com.br