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Mais corpos são encontrados nesta sexta-feira (27) no Centro do Rio de Janeiro (foto/ Lilian Quaino/G1)
Mais corpos são encontrados nesta sexta-feira (27) no Centro do Rio de Janeiro (foto/ Lilian Quaino/G1)

Prédio de 20 andares desabou e fez ruir dois imóveis vizinhos

Foi resgatado por volta das 2h15 deste sábado (28) o corpo da 17ª vítima do desabamento de três prédios, no Centro do Rio de Janeiro. O Corpo de Bombeiros ainda não informou o sexo e a identidade da vítima. Mais cedo, por volta de 0h30, os bombeiros localizaram a 16ª vítima, que também não foi identificada.

O 15º corpo foi localizado por volta de 21h desta sexta-feira (27), segundo a Secretaria estadual de Defesa Civil. Esse e o 14º corpo foram encontrados no subsolo de um dos prédios que ruíram.

Por volta das 18h30, o secretário estadual de Defesa Civil, coronel Sérgio Simões, informou que o 13º corpo foi retirado junto com entulhos dos escombros. De acordo com informações do coronel, o corpo havia sido retirado junto com os escombros levados pela área de descarte e encontrado por equipes da Comlurb que trabalhavam no local.

"Vim aqui prestar um esclarecimento. Nessa madrugada um corpo em muito mau estado, muito dilacerado, saiu daqui sem que nós percebêssemos, foi levado para o local destinado aos entulhos que estão sendo daqui retirados, num espaço da Comlurb. E nós identificamos esse corpo há pouco tempo, já providenciamos a sua remoção e o corpo está sendo levado para o IML. Esse então é o 13º corpo", explicou Simões. "O corpo está muito dilacerado, mas por uma das mãos, conseguimos identificar que é uma mulher", completou.

Simões afirmou ainda que os trabalhos só vão terminar quando a operação estiver concluída. Segundo o secretário, os bombeiros trabalham na noite desta sexta em uma área que seria a sala de aula do 6º andar, ocupada por um grupo de alunos em treinamento.

Mais cedo, o secretário havia informado que as equipes tinham conseguido ter  acesso ao que parecia ser o local. "Finalmente, entramos na parte onde nós acreditávamos que houvesse o maior número de corpos", disse o secretário estadual de Defesa Civil, coronel Sérgio Simões, nesta tarde.

No primeiro dia de buscas, cinco corpos foram resgatados. Nesta sexta-feira pela manhã, outros quatro corpos foram encontrados, sendo que o primeiro foi achado pelas equipes ainda durante a madrugada. Os outros corpos foram encontrados nesta tarde.

Segundo a Polícia Civil, seis vítimas haviam sido identificadas até as 17h: Elenice Maria Consani Quedas, de 64 anos, Alessandra Alves Lima, de 29 anos, Celso Renato Braga Cabral, de 46 anos, Margarida Vieira de Carvalho, de 65, Nilson de Assunção Ferreira, de 50 anos, e Cornélio Ribeiro Lopes, de 73.

Sob aplausos, Celso Cabral foi enterrado nesta manhã em Niterói. Além das vítimas relacionadas oficialmente pela Polícia Civil, parentes também dizem já ter identificado o corpo do catador de lixo Moiséis Moraes da Silva, da jovem Kelly Meneses, de 24 anos, e do alpinista Flavio Porrozzi, de 34 anos - que chegou a falar "Oi, amor" para a noiva por telefone horas após o desabamento, mas depois o contato foi perdido.

O acidente deixou seis feridos. De acordo com a Secretaria municipal de Saúde, o quadro mais grave é o da única pessoa que segue internada. Ela é uma mulher que teve lesão no couro cabeludo, passou por cirurgia e foi transferida para um hospital particular.

Buscas continuam
Não foi divulgada uma lista oficial ou até mesmo o número exato de pessoas procuradas. O secretário municipal de Assistência Social, Rodrigo Bethlem, disse que representantes de 26 famílias procuraram notícias de desaparecidos.  "Pode haver gente sendo procurada que não esteja aqui nos escombros", afirma.

O subcomandante geral do Corpo de Bombeiros, Ronaldo de Alcântara, chegou a afirmar na manhã desta sexta que as equipes trabalham com a possibilidade de haver 23 desaparecidos. Ele disse acreditar que os procurados possam estar concentrados em pontos próximos nos escombros.

Na madrugada desta sexta, o secretário estadual de Defesa Civil, coronel Sérgio Simões, informou que as buscas vão continuar por mais 48 horas. "Esse é um prazo que eu estou me impondo para encerrar as buscas", disse o coronel. Segundo ele, após esse prazo, o trabalho de retirada dos escombros será de competência da prefeitura.

Para Simões, o modo como o desabamento parece ter ocorrido dificulta ainda mais as buscas. "O volume de material é muito grande. A essa altura já era para nós termos encontrado mais corpos, mas a sobreposição das lajes efetivamente é um dificultador", avaliou.

Polícia abre inquérito
A Polícia Civil abriu inquérito para apurar as responsabilidades do desabamento. Na quinta-feira (26), o titular da 5ª DP (Mem de Sá), delegado Alcides Alves Pereira, ouviu sete testemunhas e dois policiais que prestaram socorro às vítimas logo após o colapso das estruturas.

O desabamento ocorreu por volta das 20h30 de quarta. Um prédio de 20 andares, outro de 10 e um imóvel de cinco pavimentos ficaram em ruínas. O trânsito nas ruas situadas nas imediações do Theatro Municipal permanece interditado.

No momento da tragédia, testemunhas disseram ter ouvido a estrutura do edifício estalar antes de ir ao chão. Sobreviventes relataram momentos de desespero. Um vídeo de câmera de segurança mostrou correria na avenida antes de a poeira do desabamento tomar a região.

Para o prefeito Eduardo Paes, a principal hipótese é que o desabamento tenha sido causado por um dano estrutural, já que não há informações sobre explosão ou vazamento de gás. O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) informou que obras "ilegais", sem registro no conselho ou na prefeitura, eram realizadas no prédio de 20 andares.

Reforma questionada
O advogado Gerlado Beire Simões, que representa o síndico do edifício Liberdade, Paulo Renha, o maior dos três prédios que desabaram, afirmou que seu cliente recentemente havia pedido documentos sobre as reformas em dois andares. Conforme o advogado, duas reformas eram realizadas no prédio, uma no 3º e uma no 9º andar, pela maior empresa do prédio, a TO - Tecnologia Organizacional.

O engenheiro Paulo Sérgio Brasil, que acompanhou uma obra da TO no 3º andar do prédio, negou alterações estruturais na reforma. “Não tinha viga. Já vi muita gente falar, mas não conhecem a estrutura do prédio. Todos os pilares são externos. No meio, não tem pilar, não tem viga”, argumenta.

Luto de três dias
O governador Sérgio Cabral decretou luto oficial de três dias no estado do Rio de Janeiro em memória dos mortos. De acordo com o governo do estado, o decreto será publicado no Diário Oficial do Estado desta sexta. A assessoria de imprensa da Prefeitura informou que o município fará o mesmo. As informações são do G1.

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