Camaçari, 19 de maio de 2012 - 23:47
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Barack Obama, presidente dos EUA, recebeu o vice-presidente chinês, Xi Jinping na Casa Branca. Na ocasião, o líder americano deixou claro sua postura de cordialidade frente ao gigante asiático (Jason Reed/14.02.12/Reuters)
Barack Obama, presidente dos EUA, recebeu o vice-presidente chinês, Xi Jinping na Casa Branca. Na ocasião, o líder americano deixou claro sua postura de cordialidade frente ao gigante asiático (Jason Reed/14.02.12/Reuters)

Os EUA ainda são a maior potência global. Mas há algo de diferente no ar. Os temidos americanos estão mudando de postura em muitos aspectos e sua política externa é um ótimo retrato dos novos tempos. No século 20 a dinâmica da guerra fria dominou a cena: os russos eram sempre retratados como demônios enquanto os EUA tentavam passar imagem de mocinhos prontos para salvar o mundo dos perigos do comunismo.

Hoje os americanos evitam confrontar diretamente as potências mais próximas ao seu tamanho. A China é um bom exemplo. Chineses assumiram um papel importante na política externa dos EUA.

Durante recente visita a Washington, capital americana, o vice-presidente chinês, Xi Jinping, foi muito bem recebido e escutou de Barack Obama, presidente americano, que não há necessidade de os chineses se preocuparem com a ameaça dos EUA, já que os espaços e interesses do gigante asiático serão respeitados.

Uma cena como esta seria impossível na segunda metade do século 20, quando as duas maiores potências eram EUA e Rússia. Na época, a relação entre estes dois países era sempre muito cuidadosa e os conflitos, frequentes. Apesar de nunca terem entrado em guerra diretamente, os dois países atuaram em outras regiões do globo onde tinham interesses, fornecendo armas, logística e informações que pudessem de uma forma ou de outra atrapalhar os planos do inimigo estimulando assim, os conflitos locais.

A relação que os EUA têm com China não possui as proporções que a guerra fria tomou; muito menos os objetivos que a polarização da ocasião exigia. Hoje o respeito americano aponta para uma atuação menos belicosa e mais negociadora. Ainda existem questões que os EUA tratam de forma bastante dualista, como o terrorismo ou o Irã. Mesmo assim, estes assuntos também muito importantes, não possuem o status que o extermínio dos soviéticos tinha nas mentes americanas.

Durante o auge da guerra fria, mísseis nucleares estavam apontados para cabeças de milhões de cidadãos americanos e russos. O temor da guerra total era real. Com a queda do muro de Berlim, esse temor se dissipou. Muitos acreditavam que os EUA assumiriam sozinha a condição de única superpotência do mundo. Mas atualmente é fácil saber que os chineses aos poucos conquistaram seu espaço e logo estarão em pé de igualdade (talvez isso já aconteça) com americanos.

Os EUA se modernizaram antes que comprassem novamente a ideia dualista conflitante em vigor na guerra fria. O mundo agradece. Obama tem sua responsabilidade se olharmos o governo anterior liderado por George Bush filho. Mesmo em campos sensíveis da diplomacia, o atual presidente americano e sua secretária de Estado, Hillary Clinton, têm agido de forma bastante branda, com políticas que são permanentemente reformuladas e atualizadas. Esta atitude é a clara expressão da redução da tradicional arrogância americana.

De fato, tudo indica para uma reestruturação do papel americano no mundo. Isto não está acontecendo unicamente de fora do país para dentro, mas também de dentro para fora.

Importante dizer que, sim, a crise financeira deixou a economia dos EUA abalada; os gastos e insucessos das guerras do Afeganistão e Iraque deixaram profundas marcas difíceis de serem cicatrizadas; sim, hoje as políticas locais receberam mais atenção em detrimento da uniformidade de idéias. Entretanto, o século 20 não foi cercado de flores, pelo contrário, os EUA também passaram por crises de impacto global, como a crise do petróleo, e ainda assim não abdicaram de ter como primeiro mandamento de sua política externa: exterminar a URSS (União das Republicas Soviéticas Socialistas, antiga nome da Rússia). No final eles conquistaram o objetivo, mas não a paz que sonhavam.

A capacidade dos americanos em se adaptar e se transformar é de fato uma característica que permitiu a manutenção do seu poder e influência no mundo. O novo sentido que os EUA poderão seguir daqui para frente poderá ser um verdadeiro exemplo para as iniciativas de integração vigentes. O potencial humano e cultural deste processo é imenso. O Brasil tem muito em comum com os americanos, principalmente em relação à aceitação das mudanças e o perfil multicultural. A menor agressividade da maior potência do mundo e a aposta em métodos alternativos menos belicosos de atuação internacional é uma conquista que se for bem sucedida abrirá novos horizontes para a globalização. Para os otimistas, talvez uma globalização mais humana esteja no horizonte.

 

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