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Vida de campeã não é fácil. É entrevista para lá, promoção para cá e ainda precisa treinar bastante, já que um novo desafio sempre se aproxima, ainda mais para quem se tornou alvo de cobiça das adversárias.

A baiana Amanda Nunes confessa: ser campeã é ótimo, mas também é desgastante. “Pra quem gosta de começar um treinamento antes, organizar tudo, acaba atrapalhando sim um pouco (a rotina promocional do UFC). Quando você viaja tanto, precisa ajeitar agenda, alimentação, é complicado”, confessa a lutadora de 29 anos, campeã dos galos do UFC, em entrevista coletiva por videoconferência, direto de Las Vegas, com participação do CORREIO.

No sábado (8), a 'Leoa' terá que superar esses percalços para continuar dona do título. Vai enfrentar de novo a quirguistanesa radicada no Peru Valentina Shevchenko, no UFC 213. As duas já lutaram em março do ano passado, quando Amanda ainda não era campeã, também em Vegas, com vitória da brasileira por decisão unânime dos árbitros.

Além de ter sua agenda de treinos interrompida, a baiana de Pojuca confessa que ainda se decepciona com a falta de reconhecimento nas ruas. Mesmo com a vida tendo mudado bastante após triturar a ex-campeã Ronda Rousey em dezembro de 2016, quando venceu por nocaute em menos de um minuto, Amanda ainda sente falta de ser vista como a campeã da categoria.

“Às vezes, é um pouco triste. As pessoas ainda olham pra mim e perguntam: 'você é aquela que ganhou da Ronda?' e não 'você é a Amanda Nunes?'. Eu acho que sou uma atleta que precisa continuar provando, lutando, até o momento que as pessoas me olhem como campeã. Se você não tem a promoção da mídia, você tem que ir lá e fazer como atleta”, analisa.

Amanda sabe o que diz. Tímida, dificilmente iria conseguir ser a estrela - hoje, de cinema - que Ronda Rousey é. Simplesmente, não faz parte do estilo dela, nem é o seu desejo. “Essa é a real. Sou campeã, sou a melhor do mundo. Não quero ser a cara de nada. Quero ser promovida como campeã, com algo que conquistei com o meu trabalho. Quero ser reconhecida assim. É uma outra era”, garante.

CONDICIONAMENTO
Ainda que tenha vencido por unanimidade a primeira luta contra Valentina, Amanda sofreu no 3º round daquela luta, quando acabou cansando. O condicionamento físico dela é sempre o maior questionamento, já que não foi a primeira vez em que "pregou".

Na sua última derrota, contra Cat Zingano, em 2014, ela também dominou o início da luta, mas não manteve o ritmo e acabou perdendo por nocaute técnico no 3º round.

“No dia da luta, vou provar, mostrar e responder todas as perguntas das pessoas. Estou pronta para essa revanche”, garante Amanda, que mudou de academia após a primeira vitória contra a quirguistanesa.

O combate de sábado ainda ganhou um empurrão a mais - literalmente. Em maio, no anúncio da luta, Amanda empurrou o rosto de Valentina na primeira encarada das duas. “Eu não faço essas coisas, mas ela tocou em mim primeiro. Ela sabe disso. Tanto que na última encarada (dia 30 de junho), ela nem chegou perto de mim. Ela mudou depois da outra luta. Voltou espevitada, falando mais. É até bom pra promover a luta”, acredita.

NO MATO
Para lidar com toda a pressão e compromissos do UFC, Amanda recarrega as baterias perto da família, seja na Bahia, ou na Paraíba, onde vive sua avó. “Gosto de ir relembrar dos momentos da minha infância. Adoro estar no meio do mato com minha vó, cuidar das galinhas, tirar leite das vacas, capinar o mato. É gostoso demais”, revela.

No entanto, ela praticamente descarta um desfile em carro de bombeiros caso siga campeã. “Sou muito tímida, não gosto de ficar em cima do carro, não (risos)”, confessa.

 

 
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