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Entrevista

Desde outubro de 2013, uma investigação policial acompanha uma quadrilha que atuava de dentro da delegacia, emanando ordens para assassinatos, roubos e tráfico de drogas, dentro e fora de Camaçari (Foto: CFF/Romero Mateus)
Desde outubro de 2013, uma investigação policial acompanha uma quadrilha que atuava de dentro da delegacia, emanando ordens para assassinatos, roubos e tráfico de drogas, dentro e fora de Camaçari (Foto: CFF/Romero Mateus)

Biscoitos recheados de Crack, além de trouxinhas desta droga dentro de velas de sete dias. Essas foram algumas das formas de tentativas de introdução de materiais ilícitos por visitantes de custodiados da 18ª Delegacia Territorial, que foram interceptadas por investigadores do organismo.

A criatividade dos criminosos não se restringiu às visitas, ganhando nas madrugadas, a área do fundo da delegacia, numa manobra ousada dos delinquentes. Em uma destas manobras, o titular da unidade montou campana, junto com o coordenador do Serviço de Investigação (SI) da unidade, além de contar com outro policial, conseguindo flagrar o exato momento em que era realizada a investida criminosa, cujos detalhes você poderá conferir na entrevista completa disponível abaixo, com o delegado titular da 18ªDT, de Camaçari, Bruno de Oliveira.

No dia 30 de outubro de 2013, nosso serviço de investigação fortaleceu as suspeitas de que estavam entrando, drogas, armas brancas e celulares na carceragem, porque havia integrantes de uma organização criminosa na 18ªDT, ligada ao CP [comando da paz], com ramificações no presídio.  Tinha essas ramificações aqui dentro e essas pessoas não só estavam utilizando os aparelhos para manter comunicação com o comando dentro da penitenciária, como emanar ordens para fora daqui de Camaçari, para matar, traficar, roubar.

Incursão policial com apoio do Coe

Nós fizemos a primeira incursão com o Comando de Operações Especiais. Foi comunicado tanto a justiça, quanto à comunicação superior da Polícia Civil. Foi de comum acordo; o COE veio e fizemos um pente fino, encontrando, três aparelhos telefônicos celulares, carregador, Chuchu (facas artesanais que eles fazem dentro da própria cadeia). Depois dessa incursão, tivemos informações de que ainda continuavam entrando estes materiais, e queríamos saber se havia facilitação de policiais ou se ocorria nas visitas ou se era uma outra forma de entrada. O fato é que no trâmite da investigação de outubro até dezembro nós fizemos, uma apreensão de 15 trouxinhas de crack que visitantes estavam tentando colocar dentro da carceragem, inseridas em velas de sete dias. Não foi possível dar o flagrante, pois o material que as visitas trazem só eram analisados no dia seguinte, por conta do fluxo de materiais e fluxo de entrada de pessoas, mas essa dinâmica já foi alterada.

Biscoito com crack – 6 de dezembro

(Foto: SI/18ª DT)
(Foto: SI/18ª DT)

No dia 6 de dezembro, a mulher de um traficante e atual mulher de um outro traficante, entregou a um policial um pacote com biscoito recheado, pedindo que entregasse ao marido dela, que estava preso aqui na unidade. Quando este policial entregou ao coordenador de custódia, o policial examinou e dentro dos biscoitos recheados, havia o recheio de sete pedrinhas de crack.

18 de janeiro – O dia D

(Foto: SI/18ª DT)
(Foto: SI/18ª DT)

As investigações foram tomando corpo; cada uma desses fatos virou um inquérito autônomo, que culminou no dia 18 de janeiro, quando recebemos as informações seguras de que não só havia celulares e facas dentro da carceragem. E sim, que grades e cadeados também haviam sido cerrados, além de haver um plano concreto de fuga e iria acontecer na madrugada de domingo para segunda-feira. Diante dessa informação, fizemos o mesmo procedimento contatamos a administração superior, a diretoria do Departamento de Polícia Militar (Depom) e o Judiciário local, que determinou que fosse feita a revista, medida de cautela, para verificar a veracidade dessas informações. Acionou-se novamente o COE, foi feita a revista minuciosa e detectou-se que as grades estavam já  serradas. Nós encontramos diversos pedaços de serras de aço, sabão – que eles  utilizavam pra serrar-, uma faca tipo de açougue enorme com o cabo branco, “chuchus” e mais três aparelhos de celular e um carregador.

Revista de visitantes passa a ser mais eficiente

Diante da investigação que já vinha transcorrendo e diante desses fatos novos, começamos a ver uma sincronicidade entre as informações que estávamos coletando e os fatos que a gente estava comprovando, através dessas revistas. Aí fomos informados de que a entrada de materiais, depois que a revista passou a ser mais eficiente, passou a ser no fundo da unidade policial, que tem uma grade sem tela, onde eles içavam, através de cordas [tipo Tereza] por meio das quais, os objetos que entravam na madrugada, dentro de sacos plásticos, amarrados nessa corda “tereza” e os marginais içavam para entrar na carceragem. E esse era o plano. Eles foram abastecidos, sexta-feira (17) de noite, com estes materiais; seriam abastecidos na madrugada de sábado para domingo e de domingo pra segunda, quando seriam abastecidos também com armas de fogo e teriam apoio logístico de dois veículos para permitir a fuga deles.

Estratégia para surpreender os bandidos

Quando essa informação chegou, nós decidimos fazer uma campana; eu, o coordenador do SI (Jorge Bispo) e um outro policial que ficou posicionado no perímetro da delegacia. Nós ficamos posicionados no fundo da unidade policial, escondidos, enquanto o outro policial ficou no perímetro da delegacia observando.

Por volta de 3h, nós vimos  a corda da grade descer – externa no fundo da delegacia. Pouco tempo depois, o policial  que estava fazendo a campana, informou que havia dois homens em atitude suspeita na frente da delegacia e outros dois homens tinham feito a volta pela lateral da delegacia, provavelmente iriam entrar pelo fundo. Logo em seguida, um desses homens entrou com um saco, no fundo da delegacia, e quando ele estava amarrando o saco na corda, nós o surpreendemos, e como ele estava armado, sacou a arma e começou a deflagrar disparos, houve um troca de tiros e perseguição pela lateral da delegacia e por essa rua, mas um motorista de motocicleta deu fuga a ele.

Porém, ele deixou pra trás os objetos que ele iria amarrar na corda. Nesta sacola foram apreendidos, cinco aparelhos telefônicos celulares, um carregador de celular, cinco serras, uma garrafa pet de um litro com álcool, algumas trouxinhas  de cocaína e outra de maconha, além de outros objetos. Com essa nossa incursão, frustramos o plano de fuga e de domingo pra segunda, transcorreu naturalmente.
Presos se rebelam

Na segunda-feira (20), desde a manhã, os presos começaram a se rebelar e proferir palavras de ordem e de baixo calão. Ameaças, proferindo ofensas contra os servidores da delegacia e foi necessário acionar um contingente da CIPE/Polo para fazer uma nova revista na unidade. Isso foi realizado, mas não foi encontrado nenhum objeto.

Acalmaram-se os ânimos, na segunda-feira, porém a mãe de um dos presos esteve na unidade, dizendo que havia recebido a ligação desse filho preso, dizendo que ele estava se  queixando de dores, porque teria sido supostamente espancado. Fato que não ocorreu, pois as revistas transcorreram, normalmente, com exceção do dia 18 de janeiro, em que houve realmente um  emprego progressivo da força porque os presos estavam bastante rebelados. E houve uma certa dificuldade em tirá-los da cela e depois recolocá-los na cela, após a revista. Essa genitora quando chegou, vimos que realmente havia uma ligação de outro aparelho celular. E por isso apreendemos o celular dela, para mandar pra perícia fazer a conferência para saber se a chamada foi originada daqui da delegacia. Ainda não tivemos resposta da perícia.

Familiares se rebelam em frente à unidade policial


Na terça-feira (21), novamente os presos se rebelaram e foi preciso chamar um contingente extra do 12º Batalhão da Polícia Militar (BPM)  e novamente foram feitas buscas, de aparelhos e armas, conversou-se com os presos e eles se acalmaram.

Na quarta-feira (22), eu havia suspendido a visita, e informado aos familiares que não eles não poderiam visitar, e também que eles não iriam entregar nenhum objeto, nem roupas. Só que diante disto, entre 50 e 60 familiares, se rebeleram, fizeram uma manifestação na frente da delegacia, ofendendo a mim e demais servidores desta unidade, jogaram os objetos que iriam entrar na carceragem na frente da delegacia, para filmar e fotografar.  E diante do caos que eles causaram e da indisponibilidade também, porque eles terminaram inviabilizando a unidade, o público que veio prestar queixa ficou impedido de entrar na delegacia e nós impedidos  de trabalhar adequadamente.

Custódia Legal

Então, eu solicitei, que eles já que estavam inconformados com a suspensão da visita fossem ao Ministério Público, pra historiar os fatos e o MP tomar as providencias que ele julgasse pertinente. Essa comissão de familiares foi ao MP, só que informou ao promotor que os presos haviam sido espancados, torturados, deturpando as informações. O MP por sua vez, não veio aqui na delegacia, não fez inspeção, e nem conversou comigo, com nenhum dos prepostos da unidade e nem conversou com os presos. E solicitou que eu respondesse, dentro de 48 horas, o que havia ocorrido e que fosse realizado exame de lesões corporais em todos os presos da unidade, na própria quarta-feira (22), com cópia da declaração destes familiares que tiveram no MP. Eu solicitei apoio à diretoria do DEPOM, que encaminhou o doutor Carlos José Habib de Lima, pra coordenar a realização destes exames de lesões corporais, que foi a operação que a gente denominou Custódia Legal, que aconteceu nesta sexta-feira  (24), no qual foi mobilizado um coletivo de 30 policiais civis da outras unidades do Depom, diversas viaturas, além de um carro presídio, duas unidades móveis do Instituto Médico Legal (IML), e duas viaturas do DPT, com três peritos médicos legais e peritos técnicos que realizaram identificação criminal dos presos.Tivemos que suspender o atendimento na unidade, durante todo o período da manhã, pra execução dessa operação e ao final, todos os presos foram examinados.

Transferência de parte dos presos que integravam quadrilha

Doutor Wilson, que é juiz substituto da Vara de Execuções Penais, determinou o encaminhamento ao sistema prisional de 10 presos, mas Secretaria de Justiça e Direitos Humanos disse que só tinha condições de receber cinco. Por isso foi feita  a transferência de cinco, e de um outro que estava com condenação, para o presídio de Simões Filho. Eu reiterei o pedido ao juiz, no sentido de que ele continue determinando a transferência de outros cinco presos, porque estes dez presos são os líderes do movimento, tanto do movimento de fuga, quanto das organizações criminosas que atuam aqui.

 
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