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Entrevista

Li4vLi4vLi4vaW1hZ2VzL3N0b3JpZXMvZW50cmV2aXN0YS9lbnRyZXZpc3Rhcy5qcGcmYW1wO3c9OTAwJmFtcDtoPTYwMCZhbXA7cT05MCZhbXA7emM9MA==.jpgBaiano, natural de Cipó, centrado, mostrando humildade e com um currículo invejável por qualquer profissional da carreira, o novo comandante do 12º BPM concedeu entrevista exclusiva ao Camaçari Fatos e Fotos e falou sobre a nomeação para o cargo, modelo de gestão a ser seguido, e combate à violência, de modo geral.

Numa entrevista que deixa claro o seu perfil de trabalho, o comandante, que reflete um humanista e que acredita na polícia Inteligente e falando sempre na 1,ª pessoa do plural (nós), fez questão de ressaltar, a busca pelo fortalecimento de uma parceria com a sociedade Camaçariense. Em suma, com base nas suas palavras, o seu comando, promete.

Confira!
Camaçari Fatos e Fotos: Quem é o coronel Demósthenes?

Coronel Demósthenes: Meu nome é Demóstenes Luiz Souza Pereira, 57 anos de idade, 38 de serviço e 28 anos de comandante, de unidades, quer sejam gestoras, quer sejam ordinárias. Sou casado, tenho três filhos (04, 25 e 26 anos), moro em Salvador. Já comandei diversas unidades, tanto no interior quanto na capital e este é mais um desafio que, certamente, nós iremos atender as expectativas, tanto do Comando Geral, que me indicou, quanto da comunidade.

CFF: O cidadão Demósthenes, tem alguma religião?

CD: Eu não tenho uma religião definida, mas creio muito em Deus Pai, Todo Poderoso. Respeito todos os seguimentos religiosos, irei a todas as igrejas, terreiros, pois é preciso ter esta parceria com a religião também para combater a violência. Um homem sem Deus é vazio e a religião é parte da segurança pública

CFF: Algum dos seus filhos também segue carreira militar?

CD: Um deles é marinheiro, está no Haiti; o outro é Analista de Sistemas da Secretaria de Segurança Pública.

CFF: Toda sua vida profissional foi na carreira militar?

CD: Sim, minha vida inteira; eu nunca tive outro emprego. A minha cachaça é a Polícia Militar.

CFF: De onde nasceu seu interesse pela PM?

CD: Olha, eu sou policial militar desde o tempo em que eu estava sendo gerado, porque meu pai era policial militar. Eu convivi muitos anos dentro do quartel, admirava muito o que meu pai fazia e depois abracei a profissão, por vocação.

Hoje eu não estou tão somente por vocação; eu já tenho tempo para me aposentar, mas eu ainda acredito que eu posso fazer algo mais que eu deveria ter feito.

CFF: O que seria?

CD: Combater a violência de uma forma mais científica, de uma forma mais humana e de uma forma mais amiga.

CFF: Algumas pessoas acreditam que não existe mais cura para a violência...

CD: É difícil de exterminar, mas nós deveremos viver todo tempo perseguindo a perfeição, mesmo sabendo que ela não vai existir. A mesma coisa ocorre com a violência: deveremos viver perseguindo-a, mesmo sabendo que é praticamente impossível acabar com ela.
A violência nasce conosco; de qualquer forma que você foi nascido, você passou por um ato de violência e ela nos acompanha desde o dia que a gente nasce até o dia em que morremos.

Melhor seria se as violências não fossem tão perversas, ao ponto de fazer mal a alguém, se a violência fosse perversa só para quem pratica. O traficante deveria usar o tóxico, mas ele não usa, ele só repassa; o ladrão não rouba o amigo, o parente; o homicida não se corta.

Então, o estigma da perversidade faz com que eles sempre pratiquem a violência contra outras pessoas e a função da Polícia Militar é, através do policiamento ostensivo, coibir esse abuso; não permitir que isso aconteça. Mas, a cada dia está mais difícil combater porque o número de homicidas que aparece a cada dia é bem superior às técnicas, às táticas e a todos os seguimentos normativos para a Segurança Pública.

Mas, o nosso objetivo é fazer em Camaçari o que fizemos por onde passamos, junto com a comunidade, trabalhar para reduzir os níveis de criminalidade, em todos os sentidos, quer seja no roubo, no tráfico, na extorsão e eu espero contar, realmente, com toda a comunidade; todo aquele que vier para somar será bem vindo. Com todo respeito ao guarda noturno, ao guarda de empresa privada e todos os outros, mesmo porque a Constituição Federal, em seu artigo 204 estabelece que segurança pública é dever do estado, mas é direito e responsabilidade de todos.

Se a nossa lei maior diz isso, temos que chamar toda comunidade à combater, porque ela é parte primordial no combate à violência.

CFF: Nos seus 28 anos de comando, o senhor já chefiou batalhões?

DC: Não. É o primeiro batalhão que nós comandamos, mas já comandamos unidades com efetivo bem maior que o do Batalhão. Eu sempre brinco dizendo o seguinte: a diferença que existe entre o Batalhão para uma Companhia Independente – eu agora estou vindo da Companhia de Sete de Abril – é como um piloto decolar um boing ou um teco-teco; só muda do bando para trás, para frente é a mesma coisa. Os problemas são os mesmo, a administração é a mesma.

Então eu imagino que não seja tão difícil. Eu já comandei a Companhia de Seabra, Santo Amaro, Entre Rios; em, Salvador, eu comandei Uruguai, Sete de Abril, a Rondesp, fui coordenador de policiamento do Batalhão de Choque; também passei aqui por Camaçari e sempre procurei fazer o melhor, não para mim, porque eu acho que o melhor do nosso trabalho é perceber que ele surtiu efeito e agradecer, quando nós fazemos com que as pessoas que compram nossos serviços, nossos fregueses, se sintam seguros e nos sentir felizes com o serviço que nós prestamos.

A tônica do Coronel Demósthenes é inquietar; eu gosto de inquietar, no bom sentido. Eu gosto de ficar na rua, de fiscalizar, de fazer blitz; é uma forma de policiamento que me agrada, que dá resultado e esse resultado não é somente quando você pega alguma coisa; é, também, quando a comunidade vê a polícia na rua.

Existem aqueles que ainda pensam que é besteira fazer blitz; pelo contrário: quando você está na rua, está fazendo um trabalho preventivo e a parte mais positiva da Polícia Militar é a prevenção. Então, nós iremos inquietar e eu tenho certeza que a comunidade vai entender essa inquietação; essa inquietação, certamente, é para o bem da sociedade.

CFF: O que o senhor sabe sobre a segurança em Camaçari e quais são as suas expectativas?

DC: Camaçari é um pólo e em razão disso tem muitos problemas. Um dos pilares básicos da violência é o desenvolvimento; toda cidade desenvolvida tente a ser violência porque ela atrai todo tipo de comportamento, todo tipo de gente; o desenvolvimento é salutar, mas ele carrega esse problema. Camaçari certamente não foge à regra.

Nós pretendemos combater isso com a polícia na rua. Eu gostaria que o povo cobrasse a polícia na rua; mas não é na rua passeando; é na rua abordando, orientando, cumprimentando... É na rua, dividindo responsabilidades. Eu gostaria de fazer com que cada cidadão que mora em Camaçari vestisse a farda da Polícia Militar, fosse um policial, na defesa da comunidade; e que cada policial sem farda fosse um cidadão camaçariense.

CFF: O senhor falou duas palavras que, à primeira vista, podem parecer contraditórias: abordando e cumprimentando...

CD: Está no mesmo contexto.A polícia é comunitária e o termo polícia comunitária para mim é uma redundância. A primeira coisa que o policial tem que fazer em quase toda abordagem, em quase todo serviço de polícia, é cumprimentar; “bom dia, boa tarde, boa noite, como vai, gostaria que o senhor descesse do carro e acendesse as lâmpadas”. Quando você age dessa forma, chama para perto aquele cidadão que pode não ser um pacato cidadão; com o cumprimento, ele pode se inibir, se desajeitar.

Toda abordagem tem que ter no conceito o princípio comunitário, o princípio amigo, porque a polícia nada mais é que uma amiga da sociedade. O policial, soldado, tenente, capitão, major, coronel, tem que ser visto, lembrado e se conscientizar que ele é um servidor; o seu público é o povo e esse público não pode ser maltratado.

CFF: Existe um perfil em Camaçari – e isso já foi falado várias vezes pelo delegado – que 90% dos crimes cometidos da cidade estão relacionados ao tráfico de drogas. O senhor tem algum plano de ação especial voltado para essa questão?

CD: O tráfico de drogas é, realmente, o que mais preocupa o governo do Estado, hoje, e consequentemente as polícias. É um crime difícil de ser combatido porque aquele que compra o tóxico não delata; se ele delatar aquele que lhe fornece, ele perde o ponto para locupletar o seu desejo.

Mas, nós temos no 12º Batalhão pessoas ligadas à inteligência; a polícia ostensiva por si só não combate o tráfico porque ele é por demais camuflado, ele não é visível; para chegar você tem que ser informado. Mas nós temos no 12º BPM pessoas que vão trabalhar junto com a Polícia Civil, nesse sentido e vamos, dentro do princípio da investigação conjunta, fazer o que há de melhor.

Agora, nós gostaríamos muito que o povo colaborasse com denúncias, com informações, quer seja por um disque-denúncia, por um jornal, por um rádio, até pelo pombo-correio que nem existe mais... um bilhetinho jogado no Batalhão... Porque a comunidade tem que se envolver.

Ou a comunidade se envolve no combate à violência ou muito pouco nós iremos fazer. Ela é peça fundamental nesse combate; ela é quem é mais molestada, desrespeitada, exterminada. Seria muito fácil nós combatermos a violência se em cada casa nós tivéssemos um parceiro para nos informar. Mas hoje, nós brasileiros ainda carregamos o estigma de só fazer o bem e muitas vezes, em só fazer o bem passa a fazer o mal.

Por exemplo: quantas pessoas têm na sua família, na sua comunidade, delinquentes e que, por um princípio de humanidade, não denunciam. Nós temos que fazer com que as pessoas se conscientizem do mal que aquele vizinho, aquele parente pode causar. Nós não queremos que o povo vá a rua para pegar bandido; esse papel é da polícia, mas nós necessitamos que as pessoas nos ajudem.

A polícia, só, não pode fazer muita coisa; é ledo engano, mesmo porque nós iremos comandar o policiamento. Nós não iremos comandar a segurança pública. Segurança pública é algo muito complexo, que começa com a família, passa pela religiosidade, vem pela moradia, emprego, distribuição de renda, escola e quando tudo isso falta entra a polícia. A polícia é o último esteio da segurança pública. Então, nós temos que fazer um trabalho de base para poder combater a criminalidade.

Nós iremos visitar as igrejas, as associações de classe, a Câmara de Vereadores, todo tipo de imprensa, à fim de que nós possamos constituir um ciclo forte de parceiros que nos ajude a combater.

CFF: E a CIPE-Pólo? O povo tem cobrado maior frequência de suas batidas na cidade. Ela faz parte dos seus projetos, com referência às suas ações no combate ao crime no Município?

CD: O major Piton é meu amigo e terá carta branca. A cidade é dele! A CIPE vai entrar onde quiser, atuar onde quiser e a hora que quiser. Não posso, por vaidade, desprezar quem quer ajudar, principalmente a CIPE, que é um grupamento especializado neste tipo de combate à violência.

CFF: E a Imprensa, coronel?

CD: A imprensa é a maior parceira da comunidade e eu quero ela próxima de mim também. Não terei hora marcada para atender a imprensa, quando precisar estaremos sempre ao dispor

CFF: Qual foi o seu sentimento ao saber que viria chefiar o 12º BPM?

CD: Comandar o Batalhão de Camaçari é uma honra, é um prazer, é uma grandiosidade. Eu fiquei surpreso. No que pese nós sempre estarmos preparados para desenvolver funções, eu não esperava vir para Camaçari. Eu já trabalhei aqui, conheço um pouco dos problemas de Camaçari, porque é um batalhão tão querido, tão cobiçado, que chegar para o pobre mortal coronel Demosthenes e dizer: você vai assumir o batalhão... É uma honra; eu me sinto honrado.

CFF: Bons e maus profissionais existem em todos os lugares. Qual será o seu posicionamento em relação aos meu profissionais que, por ventura, o senhor encontre no batalhão?

CD: É como você disse; bons e maus profissionais existem em todos os lugares; maus médicos, maus jornalistas e maus policias. Mas nós não vamos aceitar, não vamos compactuar com nenhum tipo de desvio de conduta dos policiais do 12º batalhão, quer seja ele, soldado, tenente, capitão... E eu digo mais: não aprovo a frase que diz, faça o que digo, não faça o que faço. Logo, eu devo ser o exemplo. e todos devem fazer como eu fizer, e o melhor procurarei sempre fazer. Portanto eu devo ser o espelho deles.

Então, nós não podemos conviver com os maus médicos, com os maus jornalistas, nem com os maus policiais porque o trabalho deles não é esse; eles não são pagos para ter desvios de conduta. Eles são pagos para prestar um bom serviço.

Eu quero também pedir à comunidade que denuncie, sempre que presenciar ou sofrer algum tipo de abuso de poder, maus tratos ou outro tipo de desvios de conduta. Todas as denúncias serão apuradas e, comprovando-se o fato, nós vamos tomar todas as providências cabíveis, porque o policial, além de estar sujeito à todas as formas da lei, como qualquer outro cidadão, também está sujeito a algumas penas e sanções internas, no quartel.

 

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