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Educação

Na Escola Jovina Moreira Rosa, crianças de todas as classes estudam juntas; era o objetivo dos pais da classe média que buscaram a unidade
Na Escola Jovina Moreira Rosa, crianças de todas as classes estudam juntas; era o objetivo dos pais da classe média que buscaram a unidade

“De dez pessoas com quem falei da ideia, dez me disseram que eu estava maluco”. Acostumado a sempre ter uma ideia na cabeça, dessa vez o que passava na mente do cineasta Henrique Dantas era tirar o filho da escola particular onde estudava. Até aí nada demais. O que enlouquecia – não ele, mas sua família – é que o que ele queria era transferi-lo para uma instituição pública.

Não, não havia contratempos financeiros – o último filme que Henrique dirigiu, Filhos de João, vai bem, obrigado –, mas ele desejava ver seu filho educado na diversidade que, acredita, só uma escola pública pode oferecer.

A mulher de Henrique, a administradora Tacila Siqueira, sabia que o marido não perdera o juízo. “Falar em escola pública provoca medo mesmo na classe média”, entende.

Mas o casal não estava só. Junto com ele, um grupo de dez pais, todos de classe média de Lauro de Freitas, na Região Metropolitana, se uniu e, no fim de 2010, decidiu procurar a rede pública.

“Uma coisa é a pessoa defender o ensino público em artigos, palestras, entrevistas… Outra coisa é você colocar o que você tem de mais precioso, seu filho, ali, e melhorar aquilo no dia a dia”, aponta o também cineasta Antônio Olavo, integrante do grupo e pai de uma menina de 6 anos. “A escola particular é uma zona de conforto. A pública é um desafio”, completa.

Escolha
Decididos a deixar a “bolha social” - como qualificam o ensino particular por isolar em um espaço crianças de uma única classe - os pais encontraram a Escola Municipal Jovina Moreira Rosa, em Buraquinho.  “Ela tinha duas características importantes: é uma escola pequena (tinha cerca de 30 alunos), o que facilitaria a participação, e é cercada de verde”, explica o jornalista Aurélio Nunes, pai de dois filhos e presidente do Movimento de Valorização da Escola Pública (MoVa-tE), criado pelo grupo.

“‘Abandonada’ é a palavra que descreve como a escola estava. Procuramos a Secretaria Municipal de Educação, e empresários para parcerias”, lembra Aurélio.

O secretário municipal de Educação, Paulo Aquino, explica que a escola foi pensada inicialmente para servir a filhos de caseiros que trabalham na região. “ A partir do pedido desses pais do MoVa-tE  e da direção da escola, fizemos reforma completa. Pintamos e fizemos reparos, entre eles uma fossa que estava aberta no terreno”, conta.

As doações vieram de empresários e amigos. “Uma empresa doou madeira para os bancos do lanche, outra montou o parquinho, uma terceira doou  grama e ainda conseguimos um projeto de paisagismo”, explica Aurélio. “Iniciamos ainda, em parceria com a secretaria, um programa de capacitação pedagógica, em parceria com a Uneb, que além das quatro professoras da unidade, capacita mais 16 da rede”, completa Aurélio.

A professora que ministra as aulas do curso recebe R$ 100 de ajuda de custo, bancado pelos pais. “Por alguma pendência de documentos, acredito, o contrato ainda não foi concluído, mas as aulas estão ocorrendo semanalmente”, explica o secretário.

Aulas
Além de reformas estruturais, o grupo trouxe para a escola aulas de inglês, capoeira, artes, música e um projeto de educação infantil. De acordo com o movimento, os pais rateiam os gastos com a professora de Educação Infantil (R$ 1.100 mensais) e de Artes (R$ 600 por mês). Aulas de inglês e capoeira são dadas por professores voluntários. “Cada pai contribui com o que pode. Mas o recurso que investimos na escola foi para todos. Se pagamos para ter aula de Artes, todas as crianças tiveram aula de Artes. As nossas e as que não são nossas”, explica Tacila.

Problemas
Apesar dos frutos colhidos, há reclamações de outros pais e funcionários contra o movimento (veja ao lado) e  os pais, pensam em tirar as crianças da escola. Ainda assim,  eles avaliam a experiência como positiva. “É preciso acabar com esse estigma de que o ensino público não presta. Eu vivi um sonho. Ninguém vai nos tirar isso. Nunca vamos esquecer a experiência”, afirma Olavo.

“Meu filho tem 5 anos e  não consegue enxergar classes sociais ou cor de pele. Se crianças com a idade do meu filho estudassem em espaços diversos como esse, teríamos adultos mais dignos, que iam crescer melhor”, conclui Tacila.

 

 

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