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Educação

Na Escola Politécnica, fiação solta e computadores quebrados
Na Escola Politécnica, fiação solta e computadores quebrados

Nesta segunda (5), começaram as aulas na Universidade Federal da Bahia (Ufba). Os problemas também. Aliás, eles não começaram ontem. Muitos deles são antigos. Na instituição que figura entre as 50 melhores da América Latina, problemas como falta de professores e a precariedade da infraestrutura dos prédios das unidades fazem parte da rotina dos estudantes.

“A gente sonha em entrar aqui e quando finalmente consegue se depara com lacunas sérias. É uma decepção”, lamenta a estudante de Educação Física, Beatriz Nunes, 18, que diz ter três disciplinas  ainda sem professor.

De acordo com o pró-reitor de graduação da Ufba, Ricardo Carneiro, o déficit do corpo docente da universidade chega a 500 professores. “Por isso todo semestre algumas turmas ficam até um mês e meio sem aula em determinada disciplina”, admite.

Ele explica que a falta de professores será solucionada quando o Congresso Nacional votar uma proposta que tem por objetivo criar cerca de 20 mil cargos docentes em todas as universidades do país. “É uma necessidade da universidade federal e estamos aguardando com esperança. O processo está parado desde o ano passado. Enquanto isso, só podemos suprir algumas lacunas contratando professores temporários”, diz.

Hoje a Ufba conta com 2.394 professores no quadro permanente. Para tentar diminuir o déficit de 500 professores, a Ufba contrata anualmente cerca de 200 temporários. Entretanto, segundo o pró-reitor, o Ministério da Educação (MEC), que autoriza e libera a verba para esses contratos, demora a dar o sinal verde.

“Esse ano a portaria só saiu em fevereiro. Ano passado foi igual. Por conta disso, demorará até um mês e meio para publicar um edital, selecionar e contratar esses profissionais”, ressalta. O MEC foi procurado pelo CORREIO, mas não respondeu até as 21h.

Outras causas apontadas por Ricardo Carneiro para a falta de professores em algumas disciplinas, mas em menor gravidade, são a escassez de profissionais especializados em algumas áreas como Matemática, por exemplo, e a burocracia e restrição dos concursos para contratação do quadro de docentes.

Prejudicados
Por causa da deficiência, a estudante de Física Laura Arouca, 20, repetiu a matéria de Cálculo. “Estou no 3º semestre e não tem um semestre que uma matéria não tenha ficado sem professor nas primeiras semanas. O pior é que quando o professor novo chega, dá a matéria de maneira mais corrida e acaba pegando parte das nossas férias. Nunca é a mesma coisa”, reclama.

Aluna de Oceanografia, Hana Vasconcelos, 19, fez questão de comparecer ontem ao primeiro dia de aula, em Ondina, mas ao caminhar até o prédio de Geociências já imaginava o que ia encontrar. “Ah... Nunca tem professor suficiente e dessa vez não será diferente. Semestre passado, ficamos três meses sem professor em uma matéria”, conta.

Desconsolada, a estudante de Secretariado Kátia Souza, 26, mais uma vez não conseguiu se matricular em Espanhol, disciplina obrigatória para se formar. “Desde o primeiro semestre não há professor de espanhol. O pior é que é uma matéria que tenho que fazer em quatro semestres e já estou cursando o 4º. Tenho certeza que isso vai atrasar minha formatura”, prevê. “Corre risco de só ter professor no último ano da faculdade e serei obrigada a ficar mais quatro semestres aqui só por causa disso”, lamenta.

Na Escola Politécnica, na Federação, onde estão as instalações das  engenharias, há buracos no teto, cadeiras rasgadas e quebradas e computadores abandonados.  O estudante de Engenharia Mecânica Maurício dos Santos, 26, resume as dificuldades de ser aluno da Ufba: “A gente aqui tem que tirar leite de pedra. É difícil passar no vestibular e difícil se manter”.

Alunos reclamam de estrutura
Além da deficiência no corpo docente, a infraestrutura da Ufba é outro desafio. “O laboratório de Física (em Ondina) está decadente. Alguns experimentos são feitos com tampa de refrigerante, palito de pirulito e durepox. A poeira e o mofo, então... Horrível!”, reclama o estudante de Física Matheus Paganela, 20. Já o Instituto de Química, no mesmo campus,  foi destruído por incêndio há 2 anos.

No ano passado ficou inundado e os alunos relatam que cada vez que chove o local alaga. “Enquanto estão construindo o novo prédio, tem poucas salas para o laboratório de Química. E falta manutenção”, diz Hana Vasconcelos, aluna de Oceanografia. Quem estuda Letras precisou mudar de prédio, pois o original passa por reforma e o teto tem muitos buracos. Os alunos de Educação Física não colocam em prática o que aprendem. O campus que abriga o curso, no Canela, não tem piscina, quadra ou sala de musculação.

No prédio de Odontologia, também no Canela, a catraca está enferrujada, o teto tem buracos com fiação exposta e há várias goteiras. “Os livros da biblioteca também estão muito desgastados, parte do teto já caiu sobre alunos e muitos equipamentos estão quebrados. Por sorte os professores são ótimos”, diz Juliana Caetano, 21. O pró-reitor de graduação da Ufba, Ricardo Carneiro, reconhece os problemas e diz que o aumento do número de vagas nas universidades federais não significou uma melhora na estrutura. “Nos últimos três anos, o número de alunos saltou de 24 mil para 35 mil só na graduação.

Enquanto isso, o parque tecnológico não foi reformado ou ampliado”, afirma. Ele diz que a universidade faz o que pode, mas os recursos são limitados. “O governo federal anuncia sempre cortes no orçamento e cada ministério quer puxar dinheiro para seu setor. É uma grande dificuldade conseguir verba, mas continuamos lutando”.

O pró-reitor relata ainda que a Ufba conseguiu cerca de R$ 13 milhões para reformar o prédio de Química e transformá-lo num complexo com curso de Física. “Haverá duas alas de laboratórios e nova biblioteca. A obra está em andamento”.  Já a criação de um Centro Esportivo em São Lázaro pode levar tempo. “Tem projeto, tem briga. Só precisa de boa vontade política e recursos”, diz.

Excelência reconhecida até no exterior
Apesar das dificuldades, a excelência do ensino da Ufba é reconhecida em todo o país e no exterior. Em outubro do ano passado, a universidade apareceu na 42ª posição entre as 200 melhores da América Latina pela organização britânica Quacquarelli Symonds (QS). Segundo o pró-reitor de ensino de pós-graduação da Ufba, Robert Verhine, o desempenho da instituição se deve à ênfase na produção científica aliada à titulação dos docentes.

Para a elaboração do ranking, a QS leva em consideração a reputação acadêmica entre empresas empregadoras e estudantes, titulação de profissionais, artigos e citações. A performance da Ufba foi a segunda melhor do Nordeste, atrás apenas da Universidade Federal de Pernambuco (Ufpe). A universidade baiana conta hoje com cerca de 1.628 doutores (68% do corpo docente) e 550 mestres (23%).

Já o Guia do Estudante, publicação do Grupo Abril voltada para o público universitário, listou os cursos de Engenharia Ambiental, Jornalismo, Arquitetura e Urbanismo e Administração da Ufba entre os melhores do Brasil. A avaliação é feita por 19 profissionais, com a ajuda de 3 mil professores.

Em 2011, os cursos de Jornalismo e Administração receberam cinco estrelas (maior pontuação). Engenharia Ambiental e Arquitetura e Urbanismo receberam quatro. “São esses títulos e a qualidade do ensino que nos motiva a continuar mesmo com tantos problemas”, diz a estudante de Odontologia, Juliana Caetano.

 

 

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