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A costureira Cláudia já tinha gostado do preço na semana passada. 'Agora está excelente!', diz. (Foto: Marina Silva | CORREIO)
A costureira Cláudia já tinha gostado do preço na semana passada. 'Agora está excelente!', diz. (Foto: Marina Silva | CORREIO)

Há quatro meses, o consumidor chorava só de chegar perto de uma prateleira de cebola. O quilo da cebola roxa chegou a custar R$ 6,99, enquanto a branca, mais comum, bateu R$ 5,90. Hoje, o cliente pode até chorar, mas de felicidade. Com a supersafra da hortaliça, o preço em Salvador e Região Metropolitana também caiu - chegou a R$ 0,79 em alguns estabelecimentos. Mas, agora, quem derrama lágrimas é o produtor baiano: na lavoura, uma saca com 20 quilos de cebola não custa mais que R$ 5.

A baixa no preço da hortaliça, de acordo com a Associação Nacional dos Produtores de Cebola (Anace), é consequência da alta produção no Sudeste e Centro-Oeste, devido às chuvas bem distribuídas, seguida da redução do consumo em todo o país.

Na Região Metropolitana de Salvador (RMS), a inflação sobre o preço da cebola chegou ao nível mais baixo de 2018 (-36,81% em relação a julho), segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). E, junto com a queda no preço, veio a queda no consumo.

O cenário é o oposto do registrado no último mês de maio quando a inflação da cebola em Salvador e na RMS chegou ao nível mais alto do ano, com 44,69%, na variação mensal. No início daquele mês, a cebola baiana era vendida por R$ 70 a saca de 20 quilos em Salvador e em Juazeiro, no Vale do São Franciscom, e por R$ 65 em Irecê, no Centro-Norte da Bahia. Durante a greve dos caminhoneiros, chegou a R$ 560.

De acordo com dados do IBGE, o preço da hortaliça vem caindo  desde o mês de junho, logo após a greve dos caminhoneiros. Mas a maior queda foi registrada em agosto. Se considerado o acumulado do ano, a queda no preço em agosto chegou a 11,31%. Ontem, por exemplo, a saca de 20 quilos da cebola era cotada a R$ 10 (Salvador), R$ 11 (Juazeiro) e R$ 15 (Irecê), segundo levantamento feito pela Secretaria de Agricultura da Bahia (Seagri).

Prejuízo na lavoura
“Na lavoura, tem produtor vendendo a saca de 20 quilos por até R$ 3, de R$ 5 não passa”, afirma o representante na Bahia da Anace, José Carlos Gomes. Ele produz  cebola na cidade de Irecê, que fica em uma das regiões mais produtoras do estado.

Segundo Gomes, na Bahia, a colheita de cebola “está sendo normal, não tem supersafra como no Sudeste e Centro-Oeste”. Por aqui, o pico de colheita é entre os meses de abril e junho. “Mas o preço aqui teve impacto pra baixo por causa da alta produção nessas regiões”, acrescentou o produtor.

Com a safra maior, até os feirantes têm sentido o impacto. “Quando fica barato assim, fica logo ruim para vender. É bom para o povo, né? Só que a venda está devagar”, explica o feirante Gildo Pereira, 42 anos. Com o preço baixo em todo lugar, o feirante acaba perdendo para os supermercados. O problema, ele diz, é que a safra dobrou, triplicou. Veio muito além do esperado.

“Tem que escoar de algum jeito, né? Tem roceiro que está jogando fora para ver se pega algum preço. O único ano que vi a mercadoria ficar tão ruim assim foi este. E ainda vai durar uns dois meses, porque ainda vem muita cebola por aí”, opina.

Clima favorável
O presidente nacional da Anace, Rafael Jorge Corsino, afirma que os produtores não esperaram que o clima fosse tão favorável este ano. “Geralmente, as chuvas são irregulares em alguns locais, mas este ano foram boas para todo mundo, isso fez ter mais produção”, diz. Ele acrescenta que houve ainda aumento de 8% na área plantada.

Nos mercados do Sudeste - estado de São Paulo e Minas Gerais - e no Centro-Oeste do Brasil - em Goiás -, o preço da saca de 20 quilos da cebola está em torno de R$ 10, sendo que, em maio, o preço médio era de R$ 50, segundo dados da Anace. “Temos visto em todo o país uma produção maior que o consumo”, afirmou Corsino.

Consumidor final
Em mercadinhos de Salvador, o preço tem caído. Só no Vale da Muriçoca, na Federação, o CORREIO encontrou o quilo da cebola por R$ 0,79 a R$ 0,89. A costureira Cláudia Amaral, 47, ficou surpresa quando encontrou a R$ 0,79. Na semana passada, comprou um quilo por R$ 1,29 no mesmo mercado.

“Eu peguei muito, na semana passada, justamente porque o preço estava bom. Agora, está excelente. Eu uso a cebola para fazer a comida de rotina mesmo, mas, como ela não estraga fácil quando está na geladeira, valeu a pena ter levado mais. Só que eu não sabia que ia encontrar mais barato”, conta.

As baianas de acarajé também comemoram. Em maio, tinha gente economizando na cebola da salada, diante da escassez e do preço alto. “Agora tem até de R$ 0,59 o quilo, mas não muda nada. Porque não existe acarajé sem cebola, mas ela não influencia no preço, já que o nosso problema é o camarão”, avisa Rita Santos, presidente da Associação das Baianas de Acarajé e Mingau (Abam).

Enquanto isso, o feirante Jorge Almeida, 35, que trabalha na Feira de São Joaquim, em Salvador, anda saudoso. Para ele, bons mesmo foram os tempos da greve dos caminhoneiros. Naquela época, os clientes pagavam qualquer valor pela cebola. E ele nem se deu tão bem quanto os concorrentes, que chegaram a faturar R$ 150 pela saca.

“Hoje, mesmo estando bem mais barato, o povo ainda reclama, acha ruim. Aqui, vendemos muito para donos de restaurantes. No ano passado, em setembro, eu vendia os 20 quilos por R$ 35. Está bem fraco agora, para um mês de setembro”, diz ele, se referindo ao mês do caruru para Cosme e Damião.

Trabalhando em São Joaquim há 27 anos, Monique Lima, 47, foi uma das que venderam sacas de 20 quilos por R$ 150 na greve. Ontem, cobrando R$ 20 pela mesma mercadoria, não tinha vendido nada até 11h. “Agora caiu mesmo. Caiu de verdade. Como tem muita cebola, se não baixar, a gente não vende. Mesmo assim, está muito fraco para setembro”, reclama.

Apesar dos feirantes apontarem queda nos preços, a ialorixá Janarã Santana, 40, não viu muita diferença: “Tem aproximadamente um ano que esse é o preço (R$ 2) do molho de cebola. Subiu durante a greve, mas não aumenta muito. Só que, para setembro, está razoável”.

Bahia é o segundo maior produtor de cebola do Brasil
Para 2018, ainda não há dados da Associação Nacional dos Produtores de Cebola (Anace) ou do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre a produção atual de cebola na Bahia. No ano passado, segundo o IBGE, o estado foi o segundo maior produtor nacional da hortaliça, com 220,6 mil toneladas produzidas – o equivalente a 18%  de toda a produção nacional, que chegou a 1,1 milhão de toneladas.

Para este ano, a previsão do IBGE é de que sejam produzidas 1,7 milhão de toneladas em todo o país - 600 mil toneladas a mais do que no ano passado. O estado de Santa Catarina, na região Sul do país, foi o estado com maior produção em todo o Brasil no ano passado, com 411,4 mil toneladas da hortaliça. Depois de Santa Catarina e da Bahia, os estados com as maiores produções de cebola no Brasil são  Minas Gerais (135.036 toneladas produzidas), Goiás (130.036 toneladas) e São Paulo (106.544 toneladas).

Na Bahia, além da região de Irecê, que fica no Centro-Norte, os plantios que se espalham em 10,1 mil hectares estão no Vale do São Francisco e em outros municípios da região Norte, como João Dourado, onde o produtor Paulo Dourado atua e onde acontece anualmente uma festa dedicada à cebola.

Devido às oscilações do preço da hortaliça, ele busca alternativas de produção. Hoje, o produtor vende uma saca de 20 quilos de cebola por R$ 4 a R$ 5. O mais recente investimento de Paulo Dourado tem sido a  plantação de mamona, em 25 hectares da propriedade.

“A cebola tem um preço que, de um mês pro outro, cai muito rápido. Então, o produtor tem de buscar outros meios para ter mais renda. Acredito que é uma cultura que ainda dá renda, se tiver equilíbrio, mas que, se não tiver cuidado maior, pode dar prejuízo”, explica.

Na Bahia, as cidades que mais produzem cebola, segundo dados de 2017 do IBGE, são Cafarnaum, no Centro-Norte (39,6 mil toneladas produzidas), Canarana, no Centro-Norte (19,6 mil), Morro do Chapéu, no Centro-Norte (19 mil), América Dourada, também no Centro–Norte do estado (14,1 mil) e Casa Nova (14 mil), no Vale do São Francisco, região de Juazeiro. Em 2016, a cidade líder em produção no estado era Sento Sé, no Vale do São Francisco.

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