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Entrevista

Antonio Franco Nogueira, Diretor do Camaçari Fatos e Fotos (foto/CFF/ Marcelo Franco)
Antonio Franco Nogueira, Diretor do Camaçari Fatos e Fotos (foto/CFF/ Marcelo Franco)

A odisséia de um novo visual. A mudança na interface do Camaçari Fatos e Fotos, mas que uma mera estética, traz a trajetória do seu criador, Antônio Franco Nogueira, que nesta entrevista, concedida ao jornalista Carlos Eduardo Freitas, revela as peripécias, lutas, sofrimentos e vitória de sua história de vida que, por hora, se mistura à do site. A política de Camaçari, a solidariedade, ou falta, dos empresários locais, o jornalismo e suas polêmicas, o Legislativo e  Executivo municipal e a força de vontade para vencer limitações são outros instigantes capítulos desta entrevista. A hegemonia de Camaçari, sua gente e história e uma lição de vida digna de ser apreciada prometem embalar a leitura desta saga humana, profissional, jornalística. Acompanhe.

Carlos Eduardo Freitas - Antônio Franco, superação ou determinação? A história de existência do Camaçari Fatos e Fotos (CFF) se assemelha muito com sua própria história de vida. Se pudesse narrar de forma breve esta relação, qual dos dois predicados se enquadraria melhor para tal enredo?

Antonio Franco Nogueira - Os dois. Numa recente palestra que dei na Semana Global De Empreendedorismo, disse que um sujeito, em situação difícil, deve pegar o que tiver à mão, por singelo que seja, planejar algo e transformá-lo no seu meio de sobrevivência. No meu caso, foi um computador que comprei parcelado e o usei para sobreviver à situação que vivia: recém tetraplégico e sem perspectivas. Então, tendo que me superar, fui determinado. E aí está, inegavelmente, um dos melhores e mais respeitados portais de notícia da região.

Réporter - O Fatos e Fotos, como muitos em Camaçari apelidaram o jornal, nasceu, cresceu e hoje rende bons frutos jornalísticos. Qual foi a proposta inicial? Você imaginava que o site causaria tanto frisson na cidade? Que o mesmo seria acessado em mais de 20 países?

Franco - Para ser mais preciso, são 25 países que o acessam. Não, não imaginei. Até por que a proposta era de um blog onde eu pudesse escrever meus artigos e crônicas. Mas junto fazendo o trabalho de disseminação da informação com imagens à embasá-las, como o nome já diz. Mas como tenho o costume, ferindo a modéstia, de tentar sempre fazer bem feito o que me proponho a fazer, o resultado foi esse. Mas o caminho foi e tem sido árduo. Quem está no ramo sabe que nele, ou você mata um leão a cada dia, ou a selva lhe engole.

Réporter - Foi como criar, educar e modelar um filho a formatação do CFF para a forma como atua hoje, sendo uma das referências do jornalismo local? É satisfatório conduzir este veículo de imprensa?

Franco - É exatamente assim que acontece. Um filho precisa de atenção 24 horas por dia. Até quando dorme. Quando o telefone toca no meio da noite, só me vem à cabeça, algum problema com um dos filhos. Assim é com o CFF: se recebo uma ligação dando conta de alguma incorreção, um erro de digitação que seja, saio do sério. Fico preocupado até que seja corrigido. Avalie quanto às informações, as pautas escolhidas para levar a notícia ao leitor, o cliente final. É sim como modelar a um filho. E esse cuidado, seriedade e preocupação é que trouxe o CFF até o patamar onde está. De mais, a satisfação é indescritível. A resolução duma demanda de saúde, dum buraco na pista, do lixo mal trabalhado, dum abuso de autoridade denunciados aqui, me afaga a alma. É imensurável a satisfação. Não dá pra descrever.

Réporter - Por falar em jornalismo, você mergulhou de cabeça nesta odisséia, dirige um jornal, o que é tarefa nada fácil considerando algumas situações e pessoas, mas muito do seu conhecimento na área se deu de forma empírica. Dado a experiência de conviver de perto com vários jornalistas que já passaram ou que atuam ainda no CFF, na sua opinião, há profissionais da imprensa que fizeram “uma opção errada” de curso?

Franco - Em determinados casos, não tenho dúvida alguma. E você deve saber disso pois é quem sempre me socorreu além tarefas quando estou noutras demandas. Antes, porém,  e sem desprezar a obrigatoriedade do diploma, quero lembrar os autodidatas da área e parabenizá-los; e dizer que não é muito, mas tudo. Tudo o que aprendi foi de forma empírica sim, e com orgulho. Há quem me considere um autodidata do jornalismo, como muitos o são, e de forma maestral. Mas acho que para isso eu teria que ir bem além de escrever bem um texto. Posso até ter qualidades de um bom jornalista, como apuração, correção, coragem, responsabilidade, seriedade, ética e consciência, mas não sou um autodidata. Um autodidata é muito mais complexo que o pouco que aprendi. No mais, a estrada me ensinou que o bom repórter, além do bom texto, não deve abandonar seus princípios e a própria consciência, ou formação humanista, como queira, os que os tem, e nem esquecer da proposta, da correção, do discernimento e senso de justiça na apuração, construção, e conclusão dos seus trabalhos. Mas infelizmente alguns não assimilam ou custam assimilar, e, a contra-gosto, quando assimilam.

Por isso concluo que alguns fizeram sim o curso errado. Talvez por incentivo de um colega, ou coisa assim. Isso sem citar a falta de humildade de alguns, aqueles que se sentem, pensam e agem como auto-suficientes, como donos da verdade, como semi-deuses. E os preguiçosos. O que se agrava quando se vêem comandados por um tabaréu que, como dizem alguns, não alisou banco de faculdade. E que, apesar de aleijado, não para quieto no canto nem deixa parar. Aí é que dana.

Réporter - Nestes anos de atuação – e agora de cara nova – o Camaçari Fatos e Fotos viu e noticiou as mais diversas peripécias no cenário político da cidade. Hoje, como você definiria a movimentação da política partidária no município, dado o advento de mais um pleito eleitoral, ano que vem?

Franco - Como fascinante. É bonito ver as articulações, a engenharia desenvolvida para esquadrinhar as coisas a cada favor. E a democracia, diga-se de passagem. Entretanto, apesar de estarem aí vários nomes, legítimos, se apresentando para a disputa, é inegável que lá no final não teremos, se tudo continuar indo como vai e ainda que aqueça um pouco mais a frente, um embate à altura do que requer uma cidade da envergadura de Camaçari. O consolo, no entanto, está no fato de que a esperança alimenta a vontade de termos sempre o melhor como governante. E essa é a minha torcida. Agora, para isto não se deve contar com a escolha certa por acidente de percurso, mas por análise profunda das propostas, perfil e representatividade do candidato a se escolher.

Réporter - O dia a dia da atividade das Secretarias municipais é algo acompanhado de perto pela apuração jornalística do CFF. Mas, o cidadão, eleitor e empreendedor, Antônio Franco Nogueira, como avalia o Poder Executivo local?

Franco - Dia desses presenciei um sujeito dizendo ao prefeito que ele teria que fazer a campanha passando na cara de muitas pessoas o que ele tem feito pela cidade, por que havia ouvido algumas delas reclamando; dizendo ele ser essas de memória curta. Ao que o prefeito respondeu: “isso é bom, deixa o povo, que quanto mais o povo reclama mais o governante trabalha e quem ganha é a cidade”. Acho que foi mais ou menos assim. O problema é que ele tem esse pensamento e disposição, mas não posso afirmar que todos dos escalões mais altos, primeiro e segundo, tenham o mesmo sentimento e vontade. Muitos trabalham arduamente, é inegável, mas nem todos na mesma sintonia. Alguns olham só para o umbigo e jamais para os lados. Diria até que há deles que não valem o rasto. Além do quê, por mais vontade que tenha o prefeito, ele não é perfeito, logo penso que todos, sem excessão, principalmente os tais, deviam tomar vergonha na cara e fazer o que se propuseram fazer: trabalhar para o povo; fazer jus ao dinheiro que recebem. Eu se fosse ele já a muito tempo tinha dado uma varrida nuns cantos ou outros. Mas apesar desse fato, no geral, a avaliação é positiva. Principalmente no comparativo a governos passados.

Réporter - E a atuação da Câmara de Vereadores e dos edis camaçarienses? Está chegando a reta final dos mandatos, como você enxerga o desempenho geral do Legislativo da cidade?

Franco - A Câmara sentiu um pouco no quesito direção. O presidente atual tem perfil diferente do da dirigente anterior. Não como ela, mas ele também é um sujeito capaz, mas seu perfil administrativo refletiu demasiado diferente na opinião publica. Essa leitura é embasada na audiência da tevê Câmara e número de presenças na platéia, que diminuiu explicitamente, além de outros fatos. Quanto aos vereadores, fica a cargo da população, que terá oportunidade logo à frente, de fazer a avaliação. Mas o quadro é favorável para alguns. Dizer que para todos não seria sensato, mas para alguns, sim. Mas considerando as seis novas cadeiras que comporão a Casa, talvez as chances aumentem para outros. O complicador, porém, é que a ascensão e busca do sangue novo é latente.

Réporter - O dever social das empresas é algo apregoado pelo CFF como uma das premissas para se ter uma sociedade com mais equidade. Esta visão deve ser, no seu ponto de vista, disseminada em todas as áreas, sobretudo, no empresariado?

Franco - Não quero desprezar as demais, mas essa foi, a pergunta! Vamos lá: além do comércio, nós temos no Município centenas de indústrias e milhares de empresas explorando o mercado, incentivos fiscais e benefícios outros sem dar a mínima para contra-partidas sociais; algumas não devem estar aqui inclusas, claro. Mas é infinitamente a minoria. Agora, de quem é a culpa já que o industrial e o empresário não têm consciência própria? Do governo local! Posso afirmar. Ainda que haja o ensaio de que acontecerá, isso não se conclui. Não há fiscalização, nem acompanhamento. Esse não é o caso, mas vou te dar um exemplo em escala ínfima: passamos há pouco pelo Natal, os Correios fazem  todos os anos a campanha “Papai Noel dos Correios”.

Este ano, como no ano passado, o CFF, que tem mais de 6 milhões de visualizações mensais, trabalhou, exaustivamente, matérias chamando essa turma [o empresariado] à responsabilidade, até com palavras tocantes no afã de sensibilizá-la. E o resultado foi que, mesmo com mais apelos posteriores, de 100 enviadas, ficaram 37 cartinhas sem serem atendidas. E o pior: com pedidos singelos. E quer um agravante? É uma participação sazonal. Agora, se o sujeito não se mexe para doar um brinquedo uma vez no ano, não vai, por vontade própria, se mexer para trazer-lhe uma demanda mensal. Mas penso, e aqui se aplica o caso daqueles que só olham para os próprios umbigos, que muitas das empresas e indústrias, quiçá todas, aqui instaladas, deveriam sim, depois da apresentação dos devidos projetos e com os devidos acompanhamentos destas, claro, adotar algumas entidades, filantrópicas, públicas e não, para investir no fomento continuado na cultura, educação, saúde, esporte e lazer, entre outros, da nossa gente, pois, independentemente da consciência social que devem ter, os incentivos, fiscais ou não, com os quais são beneficiados pelo governo, saem do bolso dessa mesma gente. Uma sugestão, já que não se agiu na implantação dessas empresas ainda que sempre se soubesse que a demanda é inalcançável pelo governo sozinho, seria a criação de uma comissão, fiscalizada, de captação de recursos voluntários para essas ações. Mas algo institucional, vendo-se as questões legais, deve haver um jeito. Mas aí só se a ficha cair. E obrigado pela pergunta: lavei a alma.

Réporter - Camaçari! Esta sem dúvida é a grande bandeira do CFF e, por detrás disto, se percebe claramente a paixão de Antonio Franco pela cidade. De onde vem todo este amor? E, hoje, o município é um dos principais do país, em desenvolvimento, política, riquezas culturais e industriais. Mas, isto anula possíveis grotões de desigualdade e miséria que ainda sobrevivem nas margens da cidade?

Franco - Esta entrevista é uma providencia Divina. [silêncio] Começando pelo final, não. Há na Bíblia um versículo, mais precisamente em Deuteronômio 15:11, que diz o seguinte: “Pois nunca deixará de haver pobres na terra; pelo que eu te ordeno, dizendo: livremente abrirás a mão para o teu irmão, para o teu necessitado, e para o teu pobre na tua terra”. Então, partindo do fato de que Deus jamais será desmentido, não será a iniciativa pública ou privada que erradicará a pobreza da face da terra. A pobreza estará sempre aí. E por isso a determinação de Deus. Agora, se você prestou bem atenção deve ter observado que esse versículo, desobedecido por um punhado de gente, que come com a cara enfiada no prato enquanto seu semelhante amarga a fome ao seu lado, deixa em muito maus-lençóis àqueles dos governos (que tem o dever), das indústrias e empresas que têm como mas não abre a mão para o seu próximo, necessitado. Então, mesmo a cidade sendo tão abastada como disse, as mazelas a acompanharão, até mesmo porque, tudo passa, menos a palavra de Deus. E, quanto ao meu amor por essa cidade, muitos sabem que sou natural de Maragojipe, então, sabendo que a gratidão é um dos pilares da boa-conduta e moral, te pergunto: Por acaso, você, ao pedir e ser atendido numa casa alheia, uma dormida, ao acordar sai batendo a porta e chutando o caqueiro da planta, ou sai de fininho, em silêncio para não incomodar seu anfitrião e, se por acidente chutar a planta, volta depois com uma melhor e num vaso mais bonito, em agradecimento? Pois é: eu também. E as ações com as quais tenho buscado agradecer a esta cidade, ainda está muito aquém do que ela merece pela guarida, pelo acolhimento que tem me dado, pelo que me tem feito. É por isso o meu amor por Camaçari, amigão.

Réporter - Adversidade e, novamente, superação! Seriam estes outros dois agrupamentos de palavras chaves para definir sua história de vida? O que pensas daquelas pessoas que desistem de lutar e se entregam, como parasitas, ao sabor da sorte?

Franco - Não conheço uma pessoa pobre que não sofra adversidades. A minha dependência física não me apresentou adversidades maiores que a minha infância. Essa sim, me testou cada dia que a vivi. Agora, não como muitos, lamentavelmente, usei cada dificuldade para fazê-las de degrau: a casa onde vivi, as faltas que passei, a insatisfação de parentes quando na adolecência buscava até uma dormida e, depois, o acidente, a tetraplegia. E eu não tinha nada além que a fé em Deus, a disposição, a perseverança. Assim me superei.

Quanto aos que pensam que estão impossibilitados de se mexer, mesmo com pernas e braços fortes, que olhem para mim e outros em situação física pior que a minha mas que fazem acontecer mesmo com dores do pé à cabeça, o que é a realidade diária dum tetraplégico; que arrastem a cadeira, que não façam como o Cavalo e a Cadeira, mas que se desloquem pois o cavalo não raciocina para entender que não há prisão ali, enquanto elas sim. São racionais. Que se mexam, portanto.

O cavalo e a cadeira (Google)
O cavalo e a cadeira (Google)

Carlos Eduardo Freitas - Para finalizar, o que os leitores do Camaçari Fatos e Fotos devem esperar desta nova fase do site? Muitas novidades ou só deu mesmo um “tapa no visual”? Também cite dois exemplos de disposição, que não mede esforços para nada. Um homem e uma mulher.

Antonio Franco Nogueira - O leitor deve esperar sempre o melhor. Não brincamos de fazer jornalismo: nós fazemos jornalismo. O foco, porém, não é a notícia, apenas. Mas a notícia atrelada ao dever solidário. Talvez sejamos, senão os percursores dessa modalidade em Camaçari, um dos poucos com essa prática, e preocupação. Este é, foi e sempre será o CFF. Pelo menos enquanto eu viver. Então, como disse há pouco, matamos um leão a cada dia, mas se houver a necessidade, pela população, leitora ou não, mataremos dois, três, quatro, centenas... E os dois exemplos de disposição que me ocorre, são dois extremos: um é o prefeito Luiz Caetano. A quem considero uma fera para trabalhar; e a outra pessoa é uma senhora, uma cidadã in'comum a quem sempre quis homenagear dado à sua disposição e exemplo de cidadania, que aos 82 anos, e andando com dificuldade, se houver no mês na cidade 30 eventos, ela comparece aos 30: Dona Adeusuíta. Ou, dona Zuzu. A quem, oportunamente, peço aqui que o governo olhe com outros olhos.

Veja também: Nossa História

Dona Zuzu, uma das pessoas mais conhecidas de Camaçari (foto/ Unsvintepoucos)
Dona Zuzu, uma das pessoas mais conhecidas de Camaçari (foto/ Unsvintepoucos)

 
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