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'Esse inferno começou com a instalação da Drogasil aqui do lado', diz dono da Xerographi, sobre interesse 'repentino' da prefeitura pela desapropriação da área (Foto: Jornal Camaçari | Montagem CFF)
'Esse inferno começou com a instalação da Drogasil aqui do lado', diz dono da Xerographi, sobre interesse 'repentino' da prefeitura pela desapropriação da área (Foto: Jornal Camaçari | Montagem CFF)

A prefeitura de Camaçari, muito embora não de maneira oficial, mas através de “recado”, chamou familiares proprietários da copiadora Xerographi para uma reunião que deve acontecer às 14 horas desta quarta-feira (22). A informação é de Welington Guimarães, dono de parte do prédio onde funciona a empresa.

O estranho no entanto é que o convite ocorre imediatamente antes de o governo disparar nota se justificando da ação, onde alega que está “amparada por lei”, o que é contestado pelo advogado da família, doutor Luiz Macedo, que diz que o poder deles sem amparo da Justiça esbarra no fato de que não se trata duma construção numa área pública, como eles atestam que é, com uma obra em andamento, mas duma edificação de 50 anos, que vem desde lá gerando emprego, renda e pagando impostos ao município, e aos governos estadual e federal.

Na nota, que não foi enviada ao Camaçari Fatos e Fotos (CFF) como único veículo que denunciou institucionalmente a ação, a prefeitura alega “que está amparada pela Justiça para seguir com a ação de desapropriação e lamenta o uso da situação por políticos que têm como único objetivo polemizar o fato para, simplesmente, desgastar o governo, sem nenhum compromisso com a verdade”, sem no entanto dizer a verdade sobre a que fim pretende a desapropriação. O que, conforme doutor Macedo, seria “estacionamento e jardinagem”.

O projeto da prefeitura, se a informação de Macedo procede, se considerado tratar-se a Xerographi duma área de apenas 200m², tendo a prefeitura a área descomunal ociosa do entorno dos três prédios da administração municipal, e considerando a área remanescente depois de reservado o espaço “da jardinagem”, e a quantidade ínfima de veículos que caberia no lugar, somado ao estado deplorável em que se encontra as áreas vedes, desde as escolas e postos de saúde até e principalmente das vias públicas, provoca a inquietante pergunta sobre qual de fato é a intenção. Ou melhor, a verdade por detrás do intento.

Outra pergunta, já que a questão é a “verdade”, está no fato de que, ao ser perguntado pelo CFF sobre, uma vez que se trata dum “procedimento legal”, se o convite se deu via oficio, Guimarães respondeu que não, e que teria sido procurado “de boca”, pelos coordenadores do Centro Comercial e da Defesa Civil, Namuciés Santos e Ivonaldo Soares, respectivamente, quando o agente do convite deveria não ter sido outro senão a Procuradoria Jurídica do Município.

Em termos de ilegalidade o CFF ouviu ainda de Guimarães, que “esse inferno começou com a instalação da Drogasil”, farmácia vizinha à Xerographi, que estaria em negociação com a pessoa dele por metade do prédio quando “estranhamente” a drogaria recuou da proposta e a secretária de Desenvolvimento Urbano do Município, Juliana Paes, “uns 15 dias antes de estourar aquelas denúncias de corrupção com ela”, sem comunicado oficial “sem nada” teria chamado sua esposa e que “numa conversa comum” teria “comunicado” que a prefeitura iria demolir o prédio da empresa “e à custo zero”.

O advogado Luiz Macedo disse ao portal, que já acionou a Justiça para “impedir esse absurdo”.

O CFF contatou também a ex-secretária Juliana Paes. E a agora assessora especial do prefeito Antônio Elinaldo (DEM), negou não somente que tivesse havido qualquer encontro entre ela e a esposa de Guimarães e sobre que tivesse dito a alguém que a prefeitura faria a demolição "a custo zero", mas também que a família, em temos, dona da Xerographi não tivesse sido notificada oficialmente como alega Welington Guimarães.

Perguntada sobre o convite para a reunião, já que se trata de uma ação oficial, a prefeitura ter 'enviado emissários' não autorizados legalmente e não ter sido prepostos da Procuradoria Jurídica do Município, Paes disse "desconhecer sobre a questão" mas, completando que outro setor também autorizado "seria a Secretaria de Desenvolvimento Urbano (SEDUR)", concordou ter sido estranho o método usado, conforme afirma Guimarães.

Juliana Paes, apesar de muito conhecedora do assunto, e da resposta técnica que deu, só não ficou muito à vontade diante da pergunta de quais documentos o governo tem que garanta ser ela a proprietária da área e do porque da insistência em 'desapropriar' a área da Xerographi, se considerado o mundo de áreas públicas cidade afora e adentro ocupadas ilegalmente sem que a prefeitura tome qualquer atitude.

Sobre a afirmação de que, diferente do "estacionamento e área de jardinagem", conforme disse doutor Luiz Macedo que seria o projeto do governo para a área, a proposta na verdade ser "um calçadão e uma área verde", de acordo com a ex-secretária, que disse que estava "com o projeto aberto aqui na mesa", quando era entrevistada pelo próprio diretor do CFF, outra pergunta que não deixou Paes à vontade foi como sustentar um projeto que envolve "preocupação" com o verde da cidade se a gestão tem pouco se importado com a arborização do município, como das ruas, postos médicos e unidades escolares, onde até cobras já foram capturadas tanto em escolas quanto num posto de saúde, conforme já publicou este portal.

Sobre que se não seria um contra senso, dado a situação econômica por que passa o país, desapropriar uma empresa que tanto gera empregos quanto paga impostos desde ao Município à União, para "fazer um calçadão", Juliana Paes, discorrendo muito tecnicamente sobre a situação, e afirmando que a Xerographi "tem faturamento mensal suficiente para pagar um aluguel noutro lugar qualquer", discordou.

A ex-secretária, ouvindo do CFF se deve-se considerar "coincidência" a chegada da drogaria vizinha à empresa com a ação da prefeitura sobre a Xerographi, disse que "a Drogasil nada tem a ver com nada disso". À insistência sobre se tratou-se mesmo "duma coincidência", Paes não respondeu e, mais uma vez, muito tecnicamente, como aliás colocou todas as respostas às perguntas do portal, preferiu reafirmar que "o processo é totalmente legal".

O CFF tentou contato com a Drogasil mas o telefone não foi atendido.

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