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Moradores reunidos em quintal de motorista onde provável meteoro caiu (Raquel Saraiva/CORREIO)
Moradores reunidos em quintal de motorista onde provável meteoro caiu (Raquel Saraiva/CORREIO)

Moradores da Rua Guajirus, na localidade de Monte Gordo, em Camaçari,jamais vão esquecer a noite de 20 de fevereiro de 2018 - quando um clarão misterioso, seguido de um estrondo, iluminou o céu de cidades da Bahia.

Marcus Vinicius Simões, 50 anos, encarregado de manutenção, pensou se tratar da explosão do transformador de um poste próximo. "Vi um clarão forte, bem laranja. Vi o clarão batendo no chão e pensei: pronto que vou dormir no calor". A luz não faltou, mas Marcus demorou a dormir, mesmo com o ar-condicionado ligado.

Ele foi um dos que foi para a porta de casa, depois do fenômeno que ainda intriga astrônomos. No bairro Cascalheira, a 6km da Praia de Guarajuba, moradores garantem que um pedaço do corpo celeste que cruzou o céu da Bahia caiu por lá - entre 21h30 e 22h, precisamente no terreno do motorista Edinei da Silva Almeida, 37, pai de Ravine Almeida, 12 anos.

"Fechei o olho e saí correndo. Nem pensei em nada. Rezei uns três terços antes de dormir, cheguei em casa branca de medo", conta a menina.

Ela estava com o pai no terreno da família quando o objeto caiu do céu. "Só vi o clarão, pensei que fosse tiro", lembra a menina. “Foi um clarão muito forte. Eu até fechei os olhos. O barulho também foi muito forte. Fiquei muito assustado”, diz o pai da menina. Edinei conta que se desesperou sem saber o que estava acontecendo. “No momento pensei que tinha sido tiro, mas tremeu tudo, aí descartei logo. Fiquei chamando minha filha, mas ela já tinha corrido pra casa”.   

Nei, como o motorista é conhecido, e um vizinho uniram forças e foram buscar o que tinha causado o fenômeno. “Eu fiquei curioso. Começamos a clarear as árvores com uma lanterna, vimos galhos quebrados no chão e o objeto estava lá”. O artefato caiu e foi arremessado a uma distância de cerca de 300 a 400 metros do local.

Para os moradores o objeto, que abriu um buraco de 1 metro de diâmetro e 60 cm profundidade no quintal onde Ravine costuma brincar, lembra uma "bomba aberta" e tem "formato de coração".

"Não acho que foi nada de outro mundo, não. O objeto tem formato de  bomba, parece um coração. Acho que veio fechada e abriu na terra. Acho que tem coisa enterrada, porque o barulho foi muito alto pra só ter sido aquilo", diz a comerciante Francisca Lima, 64, se referindo ao objeto que foi encontrado no buraco no terreno vizinho à sua casa.

Perguntada sobre o que teria embaixo do buraco, dona Deinha, como dona Francisca prefere ser chamada, sonha. "Pode ser que tenha ouro. Acho que vou cavar", ela brinca. E mesmo com o objeto estranho perto de casa, ninguém quis ir ver o que era. "Tá doida? Aqui tava muito escuro. Só liguei pra meus vizinhos e meus funcionários pra saber se tava tudo bem", ela lembra. Antes de cair, o objeto bateu em galhos de árvores. "Veio rasgando o céu, quebrando telha e galho", lembra Deinha.

Dona Deinha assistia a novela e pensou que um vizinho desatento tivesse sofrido algum acidente com uma panela de pressão.

"Pensei que uma panela de pressão tinha estourado, mas o barulho eu sabia que tava forte pra ser só uma panela ou um botijão. Aí pensei que o mundo tava acabando. Me tremi toda", afirma Deinha.

Ela conta que todos os moradores da rua saíram de suas casas com medo e para tentar entender o que estava acontecendo. "Não sei como não matou meus cachorros, o coração deles faltava voar. Não sei nem como meu coração não acabou de se lenhar", brinca a comerciante, mostrando uma telha e um galho da mangueira do seu quintal quebrados. Ela lembra que o chão e as paredes de sua casa tremeram com o estrondo.

"O barulho foi muito alto. Todo mundo saiu correndo de casa. Mas não fiquei com medo não", diz o corajoso Almir Filho, 54, operador de processos.  Almir lembra que depois do clarão viu muita fumaça. "Uma fumaça que você não ia acreditar. Parecia de coisa queimada".

Hipóteses
O objeto foi trazido por uma equipe de TV para o Instituto de Geociências da Ufba (IGeo). Lá foi analisado pela professora Débora Rios, estudiosa de meteoritos. Segundo ela, não se trata deste tipo de corpo celeste, mas de um fragmento metálico que ainda precisa ser analisado. "O meteorito é um fragmento de rocha ou de ferro de origem espacial que sobrevive a paisagem na atmosfera terrestre e cai na superfície", explicou Débora.

“É uma peça metálica, manufaturada, feita pelo homem”, concluiu a professora. Segundo ela, não é possível ainda dizer que foi este o artefato que provocou o clarão e o estrondo de ontem, nem mesmo se a peça realmente caiu do céu. O artefato tem forma de coração e dimensões aproximadas de 20x20 cm e pesa aproximadamente 3kg. O metal está escurecido e com deformações, o que indica que foi submetido a altas temperaturas, aponta a professora.

“Camaçari é uma região industrial, então pode ser que tenha sido algo que saiu de uma explosão ou que já estivesse lá há tempos”, cogitou. Outras hipóteses levantadas sobre a causa do clarão no céu de ontem são a de um pedaço de um foguete russo que teria explodido no dia 16 de fevereiro ou de um fragmento de um asteroide que estaria previsto para passar pela Terra ontem às 20h30, segundo a Nasa.

Os pesquisadores do Instituto de Geociências precisam ainda analisar a liga metálica constituinte da peça para chegar a uma conclusão. “Precisamos saber se não é uma liga metálica comum, como a usada nos cilindros de gás, por exemplo. O material usado em um foguete é muito mais resistente”, disse, acrescentando que a situação se complicaria se fosse um foguete russo, já que o país não costuma divulgar informações sobre as suas atividades espaciais.

Para fazer a análise, ela precisa que o dono do terreno onde o objeto foi encontrado o ceda para estudo. Por não haver legislação específica no Brasil sobre corpos celestes, os meteoritos e similares eles não são propriedade da união assim como acontece com minas de metais preciosos.

Apelo
Os pesquisadores do IGeo buscam agora não só analisar mais detalhadamente o objeto metálico ou outros possíveis fragmentos de corpo celeste, mas também imagens de câmeras fixas que tenham registrado a passagem do clarão. “A gente tem pedido a quem tem câmeras fixas instaladas que reveja as imagens no momento de 22h28. Com isso, a gente faria a recomposição da trajetória do corpo, bem como identificar um possível local de queda”, apelou Rios.

Foi deste modo, por exemplo, que foi descoberto que o tremor que ocorreu no dia 26 de março do ano passado na capital baiana se tratou realmente da passagem de um meteoro. "Teve relatos de um estrondo, de um clarão e de uma massa de ar. Porém, até hoje não encontramos fragmentos", apontou Débora.

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Morador da Rua Guajirus mostra suposto meteoro (Foto: Raquel Lima/Reprodução)
Morador da Rua Guajirus mostra suposto meteoro (Foto: Raquel Lima/Reprodução)

 

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