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Carlos Eduardo

A imagem ideal é um dos fatores que podem influenciar positiva ou negativamente em uma disputa de votos (Imagem Ilustrativa)
A imagem ideal é um dos fatores que podem influenciar positiva ou negativamente em uma disputa de votos (Imagem Ilustrativa)

Se “o olhar é a janela da alma” e se “imagem não é nada, sede é tudo”, numa analogia simplória, poder-se-ia dizer, logo, que tudo depende do modo de ver? Talvez. O certo é que, na política, este ponto de vista depende muito da vista quem olha tal ponto. Não é a toa que os setores que mais lucram, em tempos de pleitos eleitorais, são os de marketing e publicidade. A imagem ideal é um dos fatores que podem influenciar positiva ou negativamente em uma disputa de votos, pode sagrar vitorioso ou sancionar derrotado um candidato. A história política do nosso país nos dá dois excelentes exemplos desta equação dúbia: Fernando Collor de Melo e Luiz Inácio Lula da Silva.

Lula e Collor, Collor e Lula, ambos nordestinos, mas o traçado (arquitetado ou não) da imagem pessoal tornou-os personagens diferentes um do outro. Dos avessos e com estereótipos que também renderam à população resultados avessos. Collor era a imagem ideal do “bom moço”, jovem, bonitão, de “boa família”, porte físico atlético, discurso afinado, voz mansa, olhar sedutor, “boa aparência”... Lula, por sua vez, era a imagem indesejada, barbudo, radical, “grosseirão”, baixinho, parrudo, “semi-analfabeto”, operário, nordestino... isso nos idos da década de 90.

Os marqueteiros de Collor usaram e abusaram da “boa imagem” do candidato, posando em revistas em passeios de Jet-skis, super carros ou nas suas famosas caminhadas matinais. A imagem do presidenciável foi um dos itens (os outros ficarão para outro artigo) que fez Collor ganhar a eleição para presidente, contra Lula em 1990. Mas, o contraponto, exatamente, veio após a conquista. O “boa pinta” logo mostrou sua verdadeira face, fez um governo que incomodou desde a população menos abastada à mais abastada, meios de comunicação, empresários... Uma gestão marcada por planos descabidos e corrupção escancarada... O resultado, dois anos depois de eleito, sofreu um impeachment e entrou para a história como sendo o primeiro presidente a ser deposto de seu mandato.

A outra imagem, a indesejada, o Lula “feio”, barbudo, em 2002 foi eleita presidente do Brasil - o primeiro operário a conseguir tal feito. Claro que nesta ocasião, o Lula “barbudão”, “grosseirão”, “radical” já estava com um discurso mais adocicado, mais agregador, a barba mais aparadinha, mais grisalha, mas, nem por isso, deixou de ser taxado de “semi-analfabeto” e outras depreciações. Contudo, seu governo foi responsável por implantar uma lógica nova de política, voltada a dar atenção à população mais carente, tirando milhares de famílias de condições extremas de pobreza e miséria, distribuindo renda, o país passou ileso a uma crise financeira internacional, construiu inúmeras universidades, pagou a dívida do Brasil com o FMI... e, mesmo com denúncias de corrupção em seu governo, comandou o país por dois mandatos consecutivos e entrou para a história como sendo o presidente mais popular e com maior aprovação entre os brasileiros – sem falar em seu prestígio internacional.

Com esses dois exemplos, fica bem claro que estereótipos de imagem não podem traduzir o que de fato é alguém, o potencial, a lisura de personalidade e a competência para administrar um país, um estado ou uma cidade. Rotular as pessoas é o mesmo que reproduzir na sociedade uma das mais torpes atitudes do ser humano: o preconceito - o qual, como diz um amigo, é um misto de ignorância e falta de caráter.

Camaçari vive o advento de uma nova disputa eleitoral, para a sucessão municipal em 2012, e critérios como estes também devem ser levados em consideração na hora de projetar, analisar e votar em seu candidato. Há pré-candidatos, seja a prefeito ou a vereador, que podem ser taxados de ter uma imagem “pesada”, “sisuda”, ou outros de ter cara de “mafioso”, “mudo” ou “preguiçoso”, mas é preciso, para o eleitor, vasculhar a vida pública destas pessoas, postulantes à governança, para melhor compreender cada um. A máxima popular é sempre válida: “Quem vê cara, não vê coração”. Ou: “Aparências enganam”. O melhor é pesquisar sobre o histórico de atuação política, os feitos tanto escancarados quanto nos bastidores, que beneficiaram ou não a população, os projetos defendidos... e não como o tal corta o cabelo.

Para os políticos, porém, é preciso também cuidar do que mais importa para a população: bons, sólidos e realizáveis projetos, lisura, ética, compromisso e atuação concreta. Assim, entre uma imagem e outra, entre um projeto e outro, a população vai traçando o perfil de seus candidatos ideais. E, como dito no início deste artigo, o “olhar é a janela da alma”.

 

 

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