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Carlos Eduardo

Joelma, a líder da banda Calypso se envolveu em um polêmico episódio envolvendo preconceito contra homossexuais, que custou ao grupo certa aversão de parte do seu próprio público e de muitos outros brasileiros
Joelma, a líder da banda Calypso se envolveu em um polêmico episódio envolvendo preconceito contra homossexuais, que custou ao grupo certa aversão de parte do seu próprio público e de muitos outros brasileiros

Nada melhor que começar a semana com elucubrações, e polêmicas, sobre o suposto fim da Banda Calypso, a anunciada nova carreira gospel da vocalista Joelma, discriminação e fides et ratio [termo em latim que significa a fé e a razão]. Sem fazer juízo de valor a quem quer que seja, é incrível perceber o quanto as pessoas ‘transferem’ para a Bíblia suas idiossincrasias e preconceitos. Ou, como alguns ‘fogem’ para o mega-universo fonográfico gospel quando estão em declínio em suas carreiras ‘seculares’, como dizem os religiosos.

A pergunta que surge, generalizando, mas tendo como ‘gancho’ a novidade informada por Joelma, é: e no auge, por que é tão difícil tais artistas terem tal lapso e buscarem dedicar seus talentos apenas para Deus? Aqui poderia enumerar vários que só “aceitaram Jesus” depois do badalado sucesso... Mas deixarei isto para a memória dos caros leitores e leitoras.

Joelma, a líder da banda Calypso – grupo, inclusive, que já não ostentava mais o sucesso que fez no passado, quando sua vocalista ainda tinha voz -, se envolveu em um polêmico episódio envolvendo preconceito contra homossexuais, que custou ao grupo certa aversão de parte do seu próprio público e de muitos outros brasileiros.

Teve contratos e shows cancelados, sofreu uma onda de crítica nas redes sociais, até um filme que seria gravado sobre a história da banda foi revogado. Tudo isso por essa afirmação da vocalista: "Tenho muitos fãs gays, mas a Bíblia diz que o casamento gay não é correto e sou contra... Já vi muitos se regenerarem”. 

Sem querer levantar bandeira da causa gay, mas levantando a questão humana, tratar as pessoas, sejam elas corintianos, prostitutas, padres, pastores, lésbicas, gays, negros, mendigos, indígenas, usuários de drogas, gordinhos, magrinhos..., como se estes fossem “degenerados” [que precisam de regeneração] é de uma ignorância tremenda – para não falar outras coisas.

Ainda mais atribuir à Bíblia tal pensamento. Não são as escrituras sagradas a bússola para uma vida melhor, com respeito, amor e dedicação ao próximo? Não foi o Cristo quem ensinou que o amor é maior que o ódio, que sentar-se com os excluídos é o correto - e que a própria exclusão é coisa de egoístas?

Onde na Bíblia está escrito “que o casamento gay não é correto”? Tudo isso não viria de interpretações equivocadas e traduções pobres, sem levar em consideração contextos importantes da época escrita?

Todos nós temos nossas reservas sobre algum assunto, torce por um time de futebol [ou outro esporte] diferente, gosta de certa cor, religião, político, marca de carro, programa de televisão, escritor, veículo de comunicação. Isso é válido e importante para um convívio adequado entre seres humanos, caso contrário seria insuportável todos fazerem, pensarem e agirem da mesma forma.

E discriminação não é “mal entendido” como muitos defendem, é crime. O pior é ver gente banalizando religião ou o próprio cristianismo em nome de ideologias nocivas às relações humanas [espero que a alegoria do Nazismo, e o mal que ele causou, sirva sempre de lição].

Excessos, porém, de um lado ou de outro, não é bom também. Joelma errou com sua postura, mas execrá-la, pô-la em uma “fogueira da inquisição”, para “queimar feito bruxa”, é igualmente bestial. A cantora, claro, também pode ter tido uma nova experiência reveladora com Deus, já que se diz evangélica há muito tempo, e decidiu seguir cantando apenas músicas religiosas. É uma escolha e o público, fãs ou desafetos, têm que aceitar.

As ponderações iniciais desta crônica servem, não para julgar, mas para abrir uma linha de raciocínio que nos leve a compreensão de que, na vida, não podemos condenar, pois seremos também julgados, que na mesma medida que medimos os outros, igualmente seremos medidos, e por assim vai.

E o mais importante, contextualizo aqui a expressão em latim usada para abrir o texto, o fides et ratio, a fé e a razão, conclamada pelo saudoso Papa João Paulo II em uma de suas encíclicas [carta aos fiéis], quando ele afirmou: “A fé e a razão constituem como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade”. Tem que ter fé, viver nela, mas também razão. Resumindo, equilíbrio e bom senso. Assim, respeitaremos as diferenças e deixaremos os outros viverem em paz.

E isto deveria ser aprendido de berço, assim como esse cronista que vos escreve que, sendo hetero, respeita os homossexuais e luta contra o desrespeito à mulher, respeita a família, mas também quem pensa contrário, torce pelo Bahia, mas respeita os rubro-negros.

E assim deveria caminhar a humanidade, parafraseando Lulu Santos. Em vez de vivermos como beócios que disparam suas radicalidades para os contrários. Eles, os contrários, são necessários. 

Texto publicado na coluna Opinião.

Carlos Eduardo Feitas é Jornalista - DRT 3350

Veja também: Fim da banda Calypso? Joelma anuncia que vai virar cantora gospel

 

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