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Associada ao consumo de peixe, a síndrome pode afetar função do rim e levar à insuficiência renal aguda (Foto: Reprodução)
Associada ao consumo de peixe, a síndrome pode afetar função do rim e levar à insuficiência renal aguda (Foto: Reprodução)

Conhecida como doença da "urina preta", a Haff ainda é desconhecida pela maior parte dos baianos, mas já tem deixado a Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab) em alerta. Associada ao consumo de peixe, a síndrome pode afetar função do rim e levar à insuficiência renal aguda e já registrou 13 casos na Bahia este ano.

O Presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia Regional Bahia e diretor de qualidade do Grupo CSB Nefrologia e Hemodiálise, José Moura Neto, explica que a doença não é exatamente uma novidade. "Foi descrita no início do século passado na região do mar báltico, em uma região que levava o nome da doença. Acomete pacientes com histórico de ingestão de pescado e provavelmente está relacionada a uma toxina, que ainda não foi identificada", conta.

Ele explica ainda que a doença causa a destruição de fibras musculares, uma condição conhecida como rabdomiólise, que leva a liberação de enzimas musculares e eletrólitos. A mudança na cor da urina é causada pela destruição de fibras musculares. "É uma condição conhecida como rabdomiólise, que leva a liberação de enzimas musculares e eletrólitos", salienta.

Além da urina escura que é o sintoma mais conhecido, o quadro da doença aparece de forma súbita levando o paciente a apresentar dores no corpo, rigidez e fraqueza.

Nas redes sociais não é difícil encontrar relatos de pessoas que tiveram a síndrome. "Fique internado por 22 dias no hospital Português, sendo 7 dias de UTI. Tive que fazer hemodiálise pois o meu rim tinha parado de funcionar. Minha urina estava da cor de Coca cola", disse um dos depoimentos.

"Na época todos falavam que era lenda urbana, que não existia isso. Eu não consigo para de chorar lembrando de tudo. Pensei em ficar sem ver meus filhos crescerem, sem não poder encontrar mais meus amigos", completou.

O nefrologista explica ainda que os pacientes devem ter avaliação médica para acompanhar complicações da doença e o acometimento da função do rim. "Se houver falência do rim, pode ser necessário que o paciente realize diálise e outras medidas de suporte".

Apesar disso, o quadro renal tem cura. "O acometimento renal da doença de Haff costuma ser agudo e, portanto, reversível. Na maioria dos casos, felizmente, os pacientes não terão sequelas nos rins", pontuou.

Devido à gravidade da doença, o secretário da Saúde da Bahia, Fábio Vilas-Boas, fez um alerta para a população nas redes sociais. "Aos primeiros sintomas, busque uma unidade de saúde imediatamente e identifique outros indivíduos que possam ter consumido do mesmo peixe ou crustáceo para captação de possíveis novos casos da doença", twittou.

Fábio reforçou também orientações aos profissionais de saúde. "Observar a cor da urina e o desenvolvimento de rabdomiólise, pois neste caso, o paciente deve ser rapidamente hidratado durante 48 a 72 horas". Nesses casos, ainda conforme o secretário, é importante evitar o uso de antiinflamatórios.

As falas de Vilas-Boas vêm após o novo registro de uma infecção na última sexta-feira, 13, em Dias D’Ávila, e outros três casos na quinta-feira, 12, em Camaçari. Segundo a Sesab, o paciente está internado em um hospital particular em Salvador

Ao todo, são 13 notificações registradas este ano na Bahia. Em Salvador, nos meses de setembro e outubro, duas unidades hospitalares notificaram a ocorrência de seis casos da doença de Haff. Desde dezembro de 2016, quando surgiram os primeiros casos, a Bahia registra um único óbito em virtude da doença de Haff, ocorrida em 2017.

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