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Policial Civil confundiu o idoso com o criminoso e acertou três tiros no morador (Foto: Reprodução | Montagem | Acervo Pessoal)
Policial Civil confundiu o idoso com o criminoso e acertou três tiros no morador (Foto: Reprodução | Montagem | Acervo Pessoal)

Vítima tem 74 anos e teve a casa invadida por um criminoso na Saramandaia

Uma perseguição policial deixou um idoso de 74 anos baleado no bairro de Saramandaia, em Salvador, na manhã desta terça-feira (23). Segundo a família da vítima, um dos bandidos arrombou a casa de Almir Ferreira Paiva para tentar escapar dos policiais. O Policial Civil que vinha logo atrás confundiu o idoso com o criminoso e acertou três tiros no morador.

A filha de Almir, a vendedora Elen Paiva, 39 anos, contou que tudo aconteceu por volta das 11h. Bandidos e policiais civis entraram em confronto no bairro, foram muitos os tiros e os moradores perceberam a confusão pelo barulho dos disparos. Nesse momento, Almir estava em casa com a esposa, uma idosa de 76 anos, e com o neto, um adolescente de 16 anos. Ninguém saiu do imóvel.

“Quando perceberam que eram tiros, eles correram e fecharam as portas e as janelas. Os vizinhos também, todo mundo fez isso. Eu não estava lá nesse momento, mas minha mãe contou que depois de fechar tudo ela correu para a cozinha e que meu pai ficou abaixado na sala. Meu sobrinho estava no quarto do fundo”, contou Elen.

Durante a perseguição um dos bandidos correu em direção à vila em que fica a casa de Almir, na rua do Tubo, mas o local não tem saída. Os familiares contaram que foi nesse momento que o bandido forçou e arrombou a porta do idoso. Ele invadiu o imóvel e escapou por uma escada que leva para a laje da casa. De lá, o criminoso pulou de telhado em telhado e conseguiu escapar.

O policial civil que perseguia o bandido confundiu o idoso de 74 anos que estava deitado no chão com o criminoso e, ainda do lado de fora da casa, fez diversos disparos. Três balas acertaram a região pélvica e a virilha de Almir. Os tiros acertaram também uma poltrona que estava ao lado. Depois da confusão foi possível ver os buracos. 

“Quando o policial começou a fazer os disparos meu pai gritou que ele era morador, e minha mãe saiu da cozinha desesperada gritando que ele era o dono da casa e pedindo para o policial parar de atirar. Meu pai é um idoso e estava deitado no chão, ele não representava um risco para a vida do policial, então, por que ele atirou?”, questionou Elen.

Seu Almir foi socorrido pelos policiais para o Hospital Geral do Estado (HGE), onde passou por cirurgia. Ele ainda está na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), e o estado de saúde é considerado estável. Como ele está na UTI, a família ainda não pode estar com o idoso, mas foi informada pela equipe médica de que ele está lúcido.

A esposa de Almir foi levada pelos policiais até a Delegacia de Repressão a Frutos e Roubos de Veículos (DRFRV), em Saramandaia, para registrar a ocorrência. Depois da confusão, policiais voltaram ao imóvel, recolheram as capsulas das balas e ajudaram o neto do idoso a limpar o local. Seu Almir mora há 12 anos na mesma casa.

Nesta tarde, a esposa da vítima decidiu deixar o bairro. "Minha mãe vai ter que sair do bairro porque passou um carro atirando e ela está em desespero, não dá mais para ficar lá", disse a filha do casal.

Procurada, a Polícia Civil ainda não se pronunciou sobre o caso. 

Já a Polícia Militar disse que deu apoio, mas que a operação em Saramandaia era da Polícia Civil, e solicitou que a reportagem entrasse em contato com os investigadores.

Operação

De acordo com informações da Secretaria de Segurança Pública, equipes da Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos (DRFRV) foram ao bairro para investigar denúncias de que homens armados circulavam pela região, quando foram recebidos a tiros. No confronto, quatro suspeitos foram atingidos e três não resistiram, morrendo no local. Um policial também ficou ferido.

O delegado Marcelo Tannus, titular do Grupo Especial de Repressão a Roubos em Coletivos (Gerrc), que participou da operação, informou que os criminosos são suspeitos de fazer parte de uma quadrilha de traficantes do Nordeste de Amaralina.

Com eles, a polícia apreendeu duas espingardas calibre 12, uma pistola Glock adaptada para disparar rajadas, munições de diversos calibres, coletes antibalísticos, além de 100 trouxas de maconha e uma balança.

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