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A adolescente viveu um relacionamento de três anos com o suspeito, mas, há vinte dias, havia retornado à casa da mãe (Foto: Reprodução)
A adolescente viveu um relacionamento de três anos com o suspeito, mas, há vinte dias, havia retornado à casa da mãe (Foto: Reprodução)

Eles se relacionaram por três anos e terminaram há 20 dias

A imagem da filha deitada sobre um caixão veio como um aviso por meio de um sonho, há cerca de dez dias, conta a autônoma Elisângela Herval, 42 anos. Com a intuição de que algo ruim estaria para acontecer, ela implorou à caçula, Gislane Luiza Herval Cerqueira, 16, que mantivesse firme a decisão de não reatar o namoro com André de Souza Santana, 32 - última pessoa a ver a menina com vida.

Gislane foi encontrada morta, no início da tarde desta segunda-feira (26), em um dos cômodos da casa do ex-namorado, apontado pela Polícia Civil como o principal suspeito do feminicídio. A Justiça já decretou a prisão temporária de André, que segue foragido. Em contato com o CORREIO, a mãe da vítima disse que a filha foi atraída até o local pela ex-sogra, que, segundo ela, “fazia de tudo para juntar os dois”.

A adolescente viveu um relacionamento de três anos com o suspeito, mas, há vinte dias, havia retornado à casa da mãe. “Ela disse pra mim: ‘Mãe, confia em mim, eu não quero mais ficar com André, eu quero viver e ser feliz a partir de agora’. Mas aquela mulher atraiu minha menina, fez bolo e chamou ela dizendo que o filho estava passando mal, e Gi foi para não voltar”, lamenta.

À reportagem, Elisângela contou que a caçula desistiu do relacionamento após o ex-genro se envolver com roubos no bairro do Tororó, no Centro de Salvador, onde morava sozinho. “Ele entrou no apartamento da vizinha e roubou dinheiro. Gi me contou tudo e retornou para casa. Ela estava bem, segura, e saiu de casa dizendo que ia até Paripe encontrar uma amiga”, lembra.

A mãe da vítima estava trabalhando quando recebeu a notícia de que a filha estava morta. Foi até o local, assim como o ex-marido, pai de Gislane, e chegou a ver a filha morta, deitada sobre um colchão e sem sinais aparentes de violência. No local do crime, ouviu familiares de André comentando que a mãe da rapaz fez um bolo e disse à jovem que o suspeito estava “passando mal e precisava dela”.

Justiça
“Que tipo de mãe faz isso? Que tipo de mãe sabe que tem um filho psicopata, drogado, e tenta juntar ele a uma menina indefesa? Ela achava que Gislane ia dar jeito no filho dela, vivia falando que ninguém faria minha menina feliz como André, mas como? Matando?”, indaga a autônoma.

Segundo Elisângela, a irmã do próprio André já havia alertado a estudante para o fato de que o suspeito estava andando armado. Esse foi, segundo ela, mais um dos motivos que ajudaram a vítima a se afastar do ex-namorado.

A autônoma acredita que ele tenha comprado a arma para se vingar da vizinha, que chegou a chamar a polícia após roubos. “Ele ia fazer mal à vizinha ou a minha filha, com aquela arma, com certeza. O celular de Gislane tinha muita prova das coisas que ele havia feito, então foi por isso que ele levou, para que a polícia não tivesse acesso”, diz a mãe da adolescente, ao mencionar que o suspeito é usuário de drogas e reincidente na prática de roubos.

Nos últimos dias, quando já não tinha mais qualquer relação com André, Gislane postou nas redes sociais uma foto com um dos primos, acompanhada de um coração na legenda. Em resposta, a mãe de André questionou quem era e o porquê da imagem. A menina esclareceu que o familiar não era um “novo namorado”.

Durante o tempo em que namorou com o principal suspeito do feminicídio, a adolescente usou um anel no anelar direito, como forma de simbolizar a união. “Meu conforto era esse, foi quando acreditei que tinha acabado”, acrescenta Elisângela.

No dia do crime, Gi, como se refere à filha, avisou à autônoma que tinha um encontro com uma amiga em Paripe, no Subúrbio Ferroviário. Não citou o ex ou a hora que retornaria. Horas depois, a mãe foi surpreendida pela informação de que Gislane tinha “passado mal”. No local, no entanto, encontrou o cadáver da filha.

No dedo da menina, o anel de compromisso que, para ela, foi o jeito que André encontrou de simbolizar a execução da promessa que havia feito à ex: “Se não for minha, não vai ser de mais ninguém”.

Feminicídio cresce na Bahia
O número de casos de feminicídio na Bahia cresceu 17% no primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado. Foram 41 ocorrências em 2018 e 48 até junho deste ano, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (9) pela Secretaria de Segurança Pública (SSP). O número de roubo a ônibus subiu 0,1%.

O aumento nos casos de mulheres assassinadas pelos companheiros foi mais significativo no interior do estado, onde passou de 37 para 42 situações. Na capital, o número saltou de 4 para 5 casos, e na Região Metropolitana de Salvador, que ano passado não registrou ocorrências, teve um homicídio desse tipo.

Ao divulgar o balanço, no início deste mês, o secretário da SSP, Maurício Barbosa, afirmou que a polícia pode ajudar nesses casos oferecendo atendimento personalizado para as vítimas de agressão e auxiliando aquelas que têm uma medida protetiva contra o companheiro. Ele citou a Ronda Maria da Penha da Polícia Militar, que no primeiro semestre deste ano fez 5.344 fiscalizações, 13.130 rondas, atendeu 97 chamados de urgência e realizou 50 prisões.

(Foto: Reprodução)
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