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Val Bandeira estava preso no Complexo da Mata Escura, mas ganhou liberdade condicional esta semana (Foto: Reprodução | Almiro Lopes | CORREIO)
Val Bandeira estava preso no Complexo da Mata Escura, mas ganhou liberdade condicional esta semana (Foto: Reprodução | Almiro Lopes | CORREIO)

Após dois policiais militares serem baleados na Sucupira, localidade do bairro da Santa Cruz, em Salvador, a casa do traficante Josevaldo Bandeira, o Val Bandeira, um dos fundadores da facção Comando da Paz (CP), foi arrombada por homens encapuzados e vestidos de preto na quinta-feira (28).

Em contato com o CORREIO, nesta sexta, uma fonte ligada à família do condenado por homicídio e tráfico de drogas contou que o grupo derramou combustível no sofá da residência e ameaçou tocar fogo no imóvel, caso o traficante não aparecesse.

No momento da ação, só estavam na casa a mulher de Val, que é pastora de uma igreja evangélica, os quatro filhos do casal e uma outra moça. Fora a esposa, todas as pessoas tinham idade entre 2 e 16 anos.

A casa foi revirada e dinheiro - pouco mais R$ 1 mil - e bijuterias foram levados, mas a busca era por Val.

“Disseram que iam matar um (familiar) por dia até ele aparecer”, contou a fonte ao CORREIO.

O traficante não estava em casa na hora do ataque. Apesar da ameaça, a família ainda não registrou a queixa na polícia.

Val Bandeira ganhou liberdade condicional na última terça-feira (26), após passar 15 anos preso por conta de diversos crimes.

Leia também: Nordeste de Amaralina: Val Bandeira comanda mortes e tráfico de drogas

Apesar de negar que ainda continue comandando do tráfico de drogas na região, a liberação de Val Bandeira foi comemorada com fogos por parte da comunidade. Assista.

O CP é uma das quatro principais facções criminosas da Bahia.

O local onde os dois PM foram baleados, nessa quinta, também fica próximo de onde o cabo Gustavo Gonzaga da Silva, 44, foi morto na madrugada do último dia 9. Traficantes da região do Boqueirão, também na Santa Cruz, torturaram o PM e o executaram próximo ao final de linha do bairro. O corpo do PM ainda foi mutilado. Desde então, a polícia busca os autores do crime.

Três suspeitos mortos
Ainda nessa quinta, três homens morreram em ataques provocados também por homens encapuzados, entre eles um taxista. Na mesma noite, dois policiais militares foram baleados - um deles na cabeça, e internado em estado grave -, próximo à Travessa Sucupira, endereço declarado por Val Bandeira à Justiça, antes de ser liberado. O paradeiro dele é desconhecido.

O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) informou nesta sexta (29) que investiga as mortes de suspeitos ligados ao tráfico de drogas. Os três mortos, segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), foram atingidos por disparos de arma de fogo.

O taxista Adilton Bonfim Santos Barreto, 34, apontado pela SSP como motorista da quadrilha de traficantes local, foi atacado por volta das 20h50. Ele foi baleado dentro de casa na Rua André Luiz, no Vale das Pedrinhas. Segundo informações do posto policial do Hospital Geral do Estado (HGE), para onde o taxista foi socorrido, Adilton teve sua casa invadida e foi baleado na cabeça, no lado esquerdo e direito do tórax e na mão direita. A vítima foi levada por um vizinho, também taxista, para o HGE. Adilton morreu às 23h15, segundo registro policial feito na unidade de saúde.

Também no Vale das Pedrinhas, às 21h39, os policiais da 40ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM/Nordeste de Amaralina) receberam a informação que havia um corpo em uma via do bairro. Ao chegar no local, os PMs identificaram a vítima como Jean Pessoa de Jesus, 23. Ele foi baleado, mas a autoria e a motivação ainda são desconhecidas. O jovem chegou a ser socorrido em uma viatura  e encaminhado para o HGE. Jean tinha passagem no DHPP. O terceiro morto foi Emerson Fiuza dos Santos, 18, também alvo de disparos de arma de fogo por parte dos encapuzados.

PM em estado grave
Horas antes das mortes no Complexo do Nordeste de Amaralina, dois policiais militares lotados na 40ª CIPM foram baleados, por volta das 17h, na Sucupira. O endereço informado pelo fundador do CP à Justiça é 2ª Travessa Sucupira, s/n, Alto da Santa Cruz, próximo ao Colégio Teodoro Sampaio.

De acordo com informações do boletim de ocorrência registrado no posto da Polícia Civil, do HGE, os policiais militares Ângelo Soares Portelo, 35, e Telmo Santa Rosa, 44, estavam entregando um ofício em uma associação a bordo de uma viatura na Rua Teodoro Sampaio quando foram surpreendidos por cerca de 20 homens armados.

Ainda de acordo com o boletim, os bandidos estavam armados com metralhadoras, pistolas e fuzis. Ao avistar os policiais, o grupo começou a atirar, baleando Ângelo na cabeça.

Já o PM Telmo foi atingido de raspão no braço direito. Ao verificar que o colega tinha sido atingido na cabeça, o PM, que estava dirigindo a viatura, deu ré e conduziu o veículo, mesmo ferido, até o HGE. Ângelo perdeu a visão do olho direito e estava internado até esta sexta no centro cirúrgico da unidade de saúde. Telmo recebeu alta após ser atendido. Nessa quinta, a SSP havia informado que apenas um PM havia sido ferido de raspão.

Liberdade condicional
Condenado por crimes como homicídio, tráfico de drogas e associação ao tráfico, Val continuava, segundo a polícia, controlando a venda de entorpecentes no Complexo do Nordeste de Amaralina, mesmo de dentro da cadeia. Considerado o nº 1 do CP, ele estava preso na Mata Escura e passou por Sessão de Livramento Condicional na 2ª Vara de Execuções Penais, em Sussuarana, na manhã de terça. Após a audiência, comandada pela juíza Maria Angélica Carneiro, ficou decidido que ele seria liberado com o dever de seguir algumas determinações da justiça.

Em nota, a Polícia Militar informou que em função dos ataques o policiamento está reforçado na região do Nordeste com equipes das polícias Civil e Militar.

 

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