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Bahia

(Foto: Arquivo CORREIO)
(Foto: Arquivo CORREIO)

A Vulcabras/Azaleia anunciou ontem o fechamento de seis das 18 fábricas que mantém na Bahia. A decisão, conforme comunicado divulgado ontem pela empresa, visa a redução de gastos para restabeler as condições que permitam fazer frente à concorrência no mercado interno, principalmente com os produtos importados.


As unidades fechadas ficam nos municípios de Potiraguá, Itarantim, Maiquinique, Ibicuí, Iguaí e Itati. Nessas fábricas eram produzidos cabedais de calçados esportivos - parte superior dos sapatos, que protege os pés - e feita a montagem final, com componentes da matriz de Itapetinga, a 560 quilômetros de Salvador.

Conforme o comunicado, assinado pelo presidente do grupo, Milton Cardoso, as seis filiais fechadas tinham baixo volume de produção, o que, segundo ele, não permite ganhos de escala para melhorar a competitividade no mercado.

Além disso, o grupo alega que as filiais estão distantes da matriz, o que onera os custos com manutenção de máquinas, equipamentos de informática e transportes.

A empresa observou ainda que o comportamento da taxa de câmbio nos últimos meses ampliou a concorrência dos calçados importados. “Nossos produtos têm que disputar o desejo do consumidor brasileiro ao lado de concorrentes cujos custos não evoluem como os nossos”, ressaltou.

Com o fechamento das fábricas, a direção da Vulcabras disse que ofereceu aos 1,8 mil colaboradores a possibilidade de transferência para as demais unidades da companhia que continuarão em atividade em 12 municípios do estado.

O grupo afirma, inclusive, que irá disponibilizar transporte diariamente para quem for trabalhar nesses locais. “Aos que não optarem pela transferência, concederemos uma gratificação financeira de dois salários mínimos, além do pagamento de todas as verbas rescisórias”, garantiu.

Em outubro e novembro deste ano, a empresa já havia demitido 1,5 mil funcionários da unidade de Itapetinga. A empresa assegurou, entretanto, que a produção total da Bahia não será reduzida e que o complexo de Itapetinga continuará sendo a principal unidade da Vulcabras/Azaleia. De janeiro a outubro deste ano, 901 mil pares de calçados foram produzidos pelo grupo na Bahia.

Investimento
A decisão da Vulcabras surpreendeu o governo do estado. Para o secretário de Indústria, Comércio e Mineração, James Correia, essa foi “uma ação desrespeitosa com o governo e a sociedade baiana”. “Nós só fomos avisados hoje (ontem). Esta não era a forma e nem o período adequado para se tomar uma decisão como essa”, lamentou.

Em julho deste ano, o governo havia prometido interceder junto ao Banco do Nordeste (BNB) para a liberação de um financiamento de R$ 63 milhões que seria investido na ampliação da fábrica de Itapetinga. Mas, de acordo com o presidente da empresa, Milton Cardoso, exigências burocráticas atrapalharam o processo e o dinheiro não foi liberado.

“Esta questão do crédito também pesou muito na nossa decisão. O projeto foi enquadrado no BNB em junho de 2010, mas até hoje não conseguimos assinar os contratos, devido a exigências que se renovam em um processo sem fim. De todas elas, falta uma licença ambiental, já solicitada ao governo do estado há mais de 90 dias”.

James Correia disse que o atraso para liberação do documento é culpa da própria empresa, que só fez o pedido há cerca de três meses. “Se eles tinham o projeto quando começaram a negociar, por que não pediram logo a licença?”, questionou. “Noventa dias é um prazo recorde. Eu pedi a minha equipe para monitorar esse trâmite devido à importância e a licença seria publicada no Diário Oficial de segunda-feira”, afirmou.

Na opinião de Correia, faltou diálogo para que o impasse fosse resolvido de modo satisfatório para todos.

MPT quer anular demissões
O Ministério Público do Trabalho vai entrar com uma ação civil pública na Justiça para requerer que um possível processo de demissão em massa com o fechamento de unidades da Vulcabrás/Azaleia seja anulado.

A ideia é fazer com que a empresa negocie com o sindicato da categoria um plano para atenuar os impactos do enxugamento sobre os funcionários e a economia dos municípios onde estão as unidades. A decisão foi anunciada pelo procurador do trabalho Marcos de Jesus. “É preciso que a empresa observe regras e princípios constitucionais que determinam o respeito à dignidade da pessoa".

 

 

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