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Má qualidade do asfalto é principal reclamação (foto/Evandro Veiga)
Má qualidade do asfalto é principal reclamação (foto/Evandro Veiga)
Trafegar em uma via sem drenagem, acostamento, pavimentação adequada e fiscalização de velocidade tira qualquer um do sério. Ter que pagar por isso e seguir em frente desviando de buracos de todos os tamanhos então, nem se fala. Essa é a realidade do trecho de 680 km das BR-324 e BR-116 sob a concessão da Via Bahia.

A pedido do CORREIO, o professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e especialista em trânsito, Elmo Felzemburg, analisou as estradas e apontou os problemas das vias. Os pontos citados acima estão entre as principais questões. “Essa rodovia não é nem de terceiro mundo. É de quarto”, disse o professor.

Mas, segundo decisão do juiz federal Wagner Mota Alves de Souza, divulgada no dia 16, isso tem prazo para acabar. A concessionária terá até 60 dias para “reparar, corrigir, remover, reconstruir ou substituir qualquer obra ou serviço prestado de maneira viciada, defeituosa ou incorreta”. Caso contrário, terá que pagar uma multa de R$ 50 mil, perde o direito a cobrar o pedágio e pode responder criminalmente pelo não cumprimento de decisão judicial.

Para Felzemburg, as condições da estrada merecem atenção. “A pavimentação da via está toda irregular e é de péssima qualidade. O veículo pode perder o controle por conta das saliências que tem na pista”, observou. “A rodovia deve ser mantida em condições de segurança e trafegabilidade e depois se cobrar o pedágio. Está se pagando por um serviço que não é oferecido”, critica.

Perigos
Depois de sair de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, e viajar durante quatro dias, o caminhoneiro Nivaldo Brasileiro, 45 anos, sentiu na pele as dificuldades.

“Eu não sou contra o pedágio, mas tem que ter um retorno”, reclamou. “Às vezes a gente não tem nem um acostamento pra descansar”, comentou.
Segundo Felzemburg, as BRs deveriam ter acostamentos pavimentados de, no mínimo, 2,5m de um lado e 60cm do outro.

A falta de fiscalização também é apontada como problema grave. “Como tá, o indivíduo trafega do jeito que quer”, diz o professor, que sugere a instalação de radares de velocidade.

Na manhã de ontem, o CORREIO flagrou um acidente, próximo ao município de Amélia Rodrigues, envolvendo três carros. O motorista de um Corsa bateu no fundo de um Celta, que estava parado por conta de obras na pista, e capotou em seguida. O Celta ainda atingiu uma Sandero.

“Ele estava correndo muito pra conseguir provocar isso”, avaliou o funcionário público José Wagner Santos, 32 anos, motorista da Sandero. Ninguém se feriu.

Na praça de pedágio de Simões Filho, motoristas reclamavam da concessionária.

“Não melhorou nada depois da cobrança. Não ampliaram as pistas, como disseram, e ainda continua tudo esburacado”, observou o administrador Sérgio Lapa, 31 anos.

Depois de danificar o carro em um dos muitos buracos da pista, o motorista José Elson Oliveira, 26 anos, aguardava o reboque havia mais de três horas.

“Disseram que vai demorar mais uma hora. E o carro desalinhou por causa da pista deles”, contou. “Passo todo dia por aqui. A única coisa que vejo fazerem é cortar mato”.

Segundo Elmo Felzemburg, a falta de drenagem nas estradas agrava problemas como a buraqueira que prejudicou Elson. “Essa situação é precária em alguns pontos devido às condições do pavimento. A drenagem pluvial não ocorre normalmente e as pistas ficam cheias de buracos e depressões”, explica.

O professor apontou também o risco da falta de opções de travessia para o pedestre. “As pessoas não têm passarela, sendo que, só a BR-324, deveria ter pelo menos cinco ou seis”, destacou.

Explicações
A Via Bahia informou através de sua assessoria de imprensa que ainda não recebeu a notificação judicial sobre a decisão liminar.

Em nota, a concessionária afirmou que “está em fase de estudo e realização de projetos para implantação de novas passarelas na BR-324 e recuperação das existentes”.

A Via Bahia afirmou ainda que as obras de acostamento serão priorizadas e que concluirá a recuperação dessas áreas até o outubro de 2014.

Segundo a empresa, até setembro de 2011, foram investidos mais de R$ 310 milhões em pavimentação. A concessionária afirma que contratou uma empresa especializada em desentupimento de drenagem e explicou que a responsabilidade pela fiscalização e controle de velocidade é da Polícia Rodoviária Federal.

 

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