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Antonio Franco Nogueira

Nogueira (14/09/1921 – 22/02/2016)
Nogueira (14/09/1921 – 22/02/2016)

Todos viemos à esta vida e a nenhum de nós é dado o direito moral de passar por ela sem deixar sua marca; e com o senhor, meu nobre tio, não se deu diferente. E enquanto alguns optam por uma marca a que na sua partida não deixem saudade alguma entre os seus, graças ao Altíssimo Criador, contigo se deu diferente, não tendo se tornando um dos que fugiram à regra, se mantendo firme à semelhança de Deus, qual como foi criado. Basta que cada um aqui presente dê uma olhada para os lados e veja a presença dos que vieram sofrer esse adeus – momentâneo. Sim, momentâneo, pois que todos acordaremos no dia do juízo final.

Falando em fuga à regra, sabendo dessas minhas palavras a lhe homenagear, se houver, não entre estes mas entre os que não vieram, quem fale das suas duas mulheres, as nobres Arlinda e Zezé, (também in-memoriam), pelo que o Criador já lhe perdoou, que fale também que mesmo com as dificuldades da época, nenhuma passou fome, foi esquecida, abandonada, ou pelo senhor foi maltratada, ou minimamente desrespeitada ao menos ouvindo um destoar da sua voz; que fale também do seu comportamento entre seus concidadãos coqueirenses por toda a sua vida;  que fale do seu respeito e reverencia à sua saudosa mãe, dona Maria do Rosário Nogueira, de quem sempre levava bofetadas quando lhe encontrava bebendo, coisa que vi acontecer muitas e muitas vezes, sem que jamais o senhor levantasse nem o rosto, para tirá-lo do alcance dela, e sendo já pai de todos esses filhos; que fale dos filhos que gerou, não tendo bandido algum entre estes, pelo contrario: todos, homens e mulheres de bem, pela criação que lhes deu, educados e sustentados que foram pela sua voz, pelo seu proceder, e o tilintar daquela tesoura - que, desconsiderando a relevância dos erros de cada um como seres-humanos que são, pelo que se sabe, tem vindo pela existência como exemplo de vida e conduta. Aqui me lembro das suas broncas dizendo que não queria nenhum deles “falando palavrada”.

Como também não tolerava que filho de senhor nenhum falasse palavrão no ambiente em que o senhor se encontrasse. O que nem sempre era compreendido por muitas das mães, achando elas se tratar duma simples implicância, mas que nada mais era que por respeito aos mais velhos que o jovem devem sempre ter. E por ser feio mesmo, criança com palavras torpes na boca. Com isto, mesmo a contra-gosto de alguns, e sendo pouco compreendido, acabou por prestar um serviço social deveras importante, que, quiçá, passou despercebido por essa comunidade.

Mas, Nogueira (14/09/1921 – 22/02/2016), há algo que não posso deixar de expressar diante dessas pessoas nesse momento que nos deixa tão tristes. O senhor não percebeu, quem sabe, mas todo o amor que em mim a cada dia era desenvolvido pelo senhor, o último dos moicanos, o herói da resistência, certamente que era cumulativo por todos os demais, irmã e irmãos seus, dos nossos, que já tinham partido; mas a ausência dos meus pais - não pela convivência com meu pai, que vivia longe, mas pela sua falta na existência - poderia justificar tal sentimento representando todos os outros. Entretanto, meu caro tio, pela convivência que tivemos no passado ao lado dela, e pelo amor que ela tinha muito parecido por nós dois – o que deveras causava uma ponta grande de ciúme entre mim e o senhor -, vem da falta da sua mãe, minha avó, o maior volume desse sentimento de amizade fraternal parentesca por sua pessoa, e, acredito nisso, também da sua pessoa para com a minha. Vá sabendo disto.

Mas, o mais importante é que, servo do Senhor Jesus, que sou, e sabendo da importância disso, fico tranqüilo, pois sei que sua alma estará salva. Pois, ainda que naquele dia, ao lhe perguntar se O aceitava como seu Salvador, ainda que sua voz, impedida pela doença, não tivesse saído, vimos seus olhos falando naquelas lágrimas ao ouvir daquelas irmãzinhas aquele cântico de louvor.

Portanto, vá em paz, meu tio, meu orgulho, que tudo valeu a pena...

Antonio Franco Nogueira

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