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Antonio Franco Nogueira

Monica Pereira está grávida
Monica Pereira está grávida

No inicio da nossa relação, ainda nos primeiros dias, ou semanas, desconhecida que era para mim, não a deixei descansar até que me apresentasse sua mãe. A emoção de tê-la em meus braços àquela altura, recém acidentado e paralisado do peito para baixo, ela uma mulher de 21 aninhos, jovem e bela – inclusive quando olhamos as fotos do nosso começo, brinco que não sei onde andava a polícia que não me prendeu -, completamente entregue a um sujeito alem de naquele estado, com quase 40 anos, deveria ser conhecida pela responsável por sua existência. Sua mãe, agora, era o motivo da minha inquietação: eu tinha que encarar a fera, mas para lhe agradecer pelo presente que era sua filha para minha vida, pouco me importando se seria bem recebido ou não. Se me enxotasse de lá já teria valido a pena até ali. Mas estava escrito que se daria diferente. Pois hoje, 14 anos depois, como acontece desde sempre, sogra e genro são como mãe e filho, mesmo que ela com 65 e ele com 53.

Mas a força que nos atraia, ou que me impulsionava na direção da sua mãe, logo teve uma intrigante explicação: ela, a sogra, assim como eu, nascera em 08 de setembro. Eu não me contive quando soube disso. E hoje celebramos juntos os aniversários.

Setembro, e não por ser o mês em que eu nasci, é um mês muito especial mesmo. Se mês tivesse cor, inclusive é assim que o imagino, talvez pelo colorido especial que emana dos raios do sol durante seus dias, setembro seria o mais colorido de todos.

Considerando isto, e pelo especial que é o nono mês do ano em todos os meus conceitos, se fosse elencar aqui todos os seus valores para mim, isto lhe tomaria deveras mais tempo do que lo dispõe para ler o texto; mas claro que não arriscaria perder a honra da sua leitura sobre a razão de escrevê-lo, e que para mim, naturalmente, é bem mais importante que a ''coincidência'' do meu aniversário com o da minha amada sogra. Portanto, fique em paz.

Como deve saber, ou talvez não saiba, a vida e o desejo sexual dum tetraplégico – tema este que trarei aqui noutra ocasião e num texto exclusivo - é tão real quanto o fato de que você enxerga e sabe ler. Entretanto, a geração dum filho por vias naturais para uma mulher fisicamente normal com marido de corpo paralisado, como é o meu caso, não é tão simples como pode levar você a pensar já que acaba de ler que o lesionado medular/cervical também transa. Não. Nesses casos o buraco é mais embaixo. [sem trocadilho, por favor].

Ela, que por anos a fio escondeu de mim sua vontade de ser mãe, certamente para me poupar da agonia de me sentir culpado por sua frustração de jamais poder parir seu tão desejado filho, ou filha, enfim resolveu fazer o processo com ajuda médica. Engravidou, mas perdeu com duas semanas, depois de nosso cachorro atacá-la após confundi-la com um estranho à noite na área externa da casa. Alguns meses depois tentou de novo, mas não conseguiu. Outros meses adiante, conseguiu mais uma vez. Só que voltou a perder por ter pego peso comigo, tentando me por na cama. Mas não desistiu.

Algum tempo depois - de tantas tentativas com sucesso parcial,  determinada que estava, tentou outra vez. E está grávida.

Hoje, depois de presenciar, admirado, tanto sofrimento com tantas injeções auto-aplicadas - dia após dia, tanto medicamento e seus efeitos colaterais agonizantes, para ela e para mim, e de tantas idas à clinica para consultas pra lá de dolorosas, e vê-la tão alegre por ter enfim conseguido, pensando com meus botões, com ela sentadinha a meu lado no carro, com um brilho irradiantemente especial, típico duma mulher quando muito feliz, de volta de mais um fim de semana na casa da sua mãe, resolvi que ao chegar em casa lhe faria uma homenagem. E aqui está.

E o bebê, é pra quando? Ganha um doce se pensou Setembro!!!

[Esse sacrifício todo não foi só por causa do meu sonho de ser mãe. Como você diz aí acima. Foi muito sofrido, mas você me acompanhou em todas as etapas, sem deixar eu cair, sempre me colocando pra cima. Mas o meu foco era: eu preciso ter um filho desse cara! Porque se a fisionomia puxar a minha, eu quero que o caráter e a honestidade, e a pessoa humana, puxe a você. Aí sim, terá valido a pena ter passado por esse sofrimento todo. Obrigada por ser esse marido incrível que você é. De sua pequena e esposa. Te amo, meu filho].

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Antonio Franco Nogueira

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O casal, que está junto há 14 anos, espera ansioso pela chegada do filho, enfim
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