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Antonio Franco Nogueira

A família
A família

Sobre um dia inesquecível...

Quando se pensa que, em matéria de emoção, já se viu e viveu de tudo nessa vida, eis que alguém completa 60 anos. O sair de casa na manhã da última terça-feira, de forma despretensiosa – com vistas apenas em dar um abraço num amigo, o que deve ter ocorrido com mais gente que também se deslocou de seus lares para aquele ambiente com a mesma intenção, além de com os que lá já se encontravam, se transformou no que posso considerar no sacrifício pela viagem dos 180 quilômetros de ida e volta, mais prazerosa que já fiz por alguém nos últimos anos.

Há algum tempo, num 3 de agosto, que fiz uma viagem de quase 600 quilômetros – ida e volta, para fazer a mesma coisa. Que foi dar um abraço numa aniversariante, minha ex-sogra, dona Maria do São Pedro, que mora em Valença e que completara 80 anos, e voltar imediatamente. Acho que o tempo com ela não passou de 5 minutos. Era só para dar-lhe um abraço mesmo. Até por que além de não ter levado a cadeira-de-rodas, estava com minha esposa, e ouvindo-a dizer que se soubesse da distancia não teria me permitido tamanha 'loucura'.

Mas como consideração não se mede com distância, lá fui, a abracei da porta do carro mesmo, manobrei, e retornei. Mas o feito, por ver a sua carinha de satisfação por me ver ali, tão longe de casa só para abraçá-la pelo seu aniversario, construiu em minha cabeça, a memória mais gostosa até então, pela imagem de alegria daquela senhorinha, a ponto de pensar que jamais viveria tamanha emoção evento num desta natureza.

Foi deveras gostoso ver minha ex-sogra feliz. Ganhei dela uns abraços, e seu retrato, para guardar de lembrança – este que se encontra disposto num móvel do meu escritório. Mas, salvando a devida proporção, estar na celebração do aniversario do amigo Waldo Andrade, além de superar a questão em diversos aspectos, apesar da distancia do deslocamento, logo, do sacrifício, menor, me obriga a reavaliar tal conclusão, pois, invertendo-se os valores, o presente, e dos grandes, quem ganhou foi eu e cada um dos que dividiram com ele a alegria daquela comemoração. O que não me dá outra alternativa, senão dividir o lugar no pódium com o niver da velha Pepeu.

Observando o amigo Samuel - que veio do Rio Grande do Norte para conhecer o seu empreendimento, e projeto de vida, onde tudo aconteceu, que atende por Eco-vila e Eco-parque da Mata, e onde se defende o resgate do Naturismo desde a sua gênese, o naturismo de raiz como costumamos dizer – e o vendo, tanto sem forças para retornar ao seu estado para o seu cotidiano - advogado que ele é,  quanto o seu inquieto estado emocional pelo que estava assistindo e vivendo, passei a observar os demais presentes.

E estancava o olhar hora num, hora noutro. E a partir dum jovem senhor, recém sexagenário, vestido de canga, chapéu e gravata de papel, que ao tornar-se criança, que ao viver e celebrar em toda sua plenitude o seu nascimento literal, babou e fez-nos babar com ele, feito bebês que manda tudo às favas e mete o pé na jaca, quer dizer, o doce na boca, no nariz, na testa e na cara toda; que limpa a mão na terra e depois lambe, e daí; que, quebrando protocolos e costumes locais, redesenhou e fez a todos nós redesenharmos conceitos e quebrar preconceitos, e o melhor ainda, com o conglomerado embriagado de satisfação, conclui o quanto se tem perdido por não se permitir se fazer criança em momentos assim. Não vi um só ali sóbrio dos costumes: todos arrastamos a bunda no chão.

Mas se você me perguntar qual dos momentos eu definiria como o presente do dia, não saberia precisar, pois, alem de ver a expressão de amizade dos estranhos pelo Waldo maluko-sonhador-beleza e determinado, Andrade, como muitos carinhosamente o consideram, ver uma criança discursar feito homem, e chorar feito macho ao falar da família para os amigos, ao lado da esposa – a quem classifica como um presente de Deus, e com os olhos e a mente fixos na barriga da nora, que trará a luz em pouco tempo sua neta, talvez não me deixasse dúvidas para apontar como o momento.

Mas ver o filho, seu mais velho, o Rômulo, tocar violão ao lado do pai, como que dizendo, ta vendo, valeu a pena o violão que o senhor me deu; valeu a pena ter me criado, pois estou aqui, comemorando com o senhor, seus 60 anos de história, mesmo aos menos atentos, foi de apertar o coração, e seria também digno de levar o troféu.

Da mesma forma que seria muitíssimo justo se erguesse o braço aqui, do momento Mariana, sua caçula, que deu um show à parte com sua disposição, pela entrega com que se porta junto ao pai, sobretudo no campo das idéias. Ela, que, como sempre, participou de tudo com doação tamanha, que não seria exagero algum dizer que – meio que com uma pontinha de inveja do aniversariante, pela filha que tem - quase me fez chorar pela forma com que se envolveu por todo o dia.

Mas, ainda que haja quem discorde, pela emoção que a cena me fez sentir, ponho a coroa como o acontecimento da oportunidade, no pranto emocionado da sua filha, a do meio, como ele a apresentou, mas que se chama Talita, que, ao ouvir e ver a emoção do pai ao discursar, banhou-se de lágrimas. De cá pude ver aquela moça chorando com a alma. Quando, sabendo da certa distancia que vive do seu genitor, inclusive no campo das idéias, viajei na possibilidade do abraço dum no outro, como que pedindo um ao outro, desculpas por qualquer coisa.

- Ah, sobre as caras pintadas, as máscaras, os óculos e a peruca, adivinha aí...

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A imagem que fala
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Reconstruindo conceitos
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