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Antonio Franco Nogueira

Autor da infame declaração
Autor da infame declaração

Aqui não para contestar a perfeição de Deus, com toda a sua criação, tão pouco a semelhança d'Ele com a qual nos criou. Mas a atitude dum sujeito, com todas as características de um ser humano, que recentemente afirmou, em vídeo, logo impossível de se negar, que mendigo deveria ser transformado em ração pra peixe, é preciso confessar que me causa extrema inquietude.

Você deve está se perguntando como pode uma insanidade dessas. E lembrando que sim, Deus de fato nos criou à sua imagem e semelhança, mas que há a Lei do Livre Arbítrio instituída também pelo próprio Criador. E que cada um é livre para fazer e falar o que lhe der na telha – estando sujeito às consseqüências dos seus atos. Mas é exatamente esta a questão.

Sabendo que alguém disse esta sandice você já está indignado/a. E quando chegar no ponto onde diz que o sujeito, de comportamento nazista, quer dizer, o estorvo, ou melhor, o que, do ponto de vista social e político, pode ser considerado de valor semelhante ao do morotó do cocô do cavalo do bandido atende por José Paulo Carvalho de Oliveira, ou Russo, e que se trata dum vereador, eleito, quiçá, por você, ou um parente seu?! Calma. Não arranque os cabelos. Ainda.

No discurso, proferido na tribuna duma Câmara Legislativa duma cidade do Rio de Janeiro, no último dia 08, o energúmeno, que o abriu dizendo que queria "colaborar um pouco", tendo se entregue dizendo que "não existe um político que faça uma mudança sem que seja pensando nele próprio - ainda que tenha tentado se corrigir depois, afirma também que a imprensa, única que efetivamente, em princípio, clama pelo povo sem outros interesses senão o de minimizar suas mazelas, deve ser censurada sim. E que a pena de morte deve ser adotada para bandidos, mas que dizendo que os bandidos fazem o que querem; que andam de avião até mais do que ele; que pegam todas as mulheres das favelas e que, assim, até ele “queria ser bandido”. Está bom pra você, em se tratando dum “representante” do povo? Calma, calma, talvez você não precise arrancar os cabelos. Lembra das leis, a nosso favor? Calma.

Mas, voltando à ração pra peixe, quer dizer, à ideia do sem noção da política carioca, a sua manifestação teria sido por lembrança, segundo um jornal sãopaulino, dum episódio que teria envolvido um seu irmão e uma família de andarilhos, que, depois de acolhidos, o teriam matado. Vá lá que seja. Mas dizer que, ainda segundo o jornal, àquela conduta não condiz com sua “realidade”, tendo dito o que disse adiante no discurso, acerca de se tornar um bandido por conta das “regalias”, não dá para se engolir sobre a afirmação diferir do seu “real” proceder.

Até que se poderia entender que, devido o suposto episódio em suas lembranças, ele tenha deixado escapar toda sua mágoa contra tais pessoas. Mas generalizar dizendo o que disse, num desfile de declarações desequilibradas que se estendeu à outras searas – o que denuncia seu verdadeiro interior, o que não dá para engolir é que ele tenha carteirinha de sacristão, como tentou convencer em entrevista de depois do episódio.

Então, aqui uma conjectura:

- Na fila da ração uma Sardinha se conforma com uma porção de mendigo-drogado. Nada exigente, ela pega o rango e sai pulando, quer dizer, nadando feliz.

- Vem a Anchova e reclama que de drogado ela não come. Quer uma de mendigo, no máximo, bêbado – mas não bêbado de profissão. Quer de mendigo-bêbado que tenha “resolvido” se embriagar por causa dum amor impossível qualquer, mas que tenha pedigree. Recebe e sai da fila.

- Na vez do Robalo, orgulhoso, metido a besta, e preconceituoso que só, ele reclama que não desce nada de mendigo-bêbado nem de drogado. Que só come de mendigo, no máximo, desmemoriado. Que tenha errado o endereço de casa e que por isto esteve morando na rua. Dizendo que de outro tipo, pode dá indigestão.

Pomposa, porém de hábito alimentar mais humilde, atrás do Robalo vem a Baleia. Sem fazer muita exigência, com a exceção, assim como a Anchova, de recusar a de mendigo-drogado, ela pede uma porção de qualquer coisa: seja de mendigo-bêbado, ou de desmemoriado, qualquer um. Recebe uma de mendigo-temporário, e passa a vez.

De detrás dela, surge ele, o Tubarão, o temido devorador de ração de mendigo-quebrado. E de desempregado. Aqueles que foram colhidos pelo triturador por estarem, um errante por ter falido e ter perdido as faculdades mentais por não ter suportado o baque mas que no tempo das vacas gordas se alimentava muito bem, e o outro por está zanzando por ter perdido o emprego e com isso a condição de pagar o aluguel. Só coisa especial.

Questionado pelos garçons sobre a necessidade de ele flexibilizar um pouco seu exigente cardápio, o predador, ao invés disto, diz que está seriamente pensando em ampliar a exigência para também mendigo-político. Aquele que antes de ser colhido nas ruas só comia coisa fina, mas que desnorteado por ter perdido a reeleição, acabou pedindo esmola.

Você lembra, além de que o mundo não à toa é uma bola, de quando falei de leis, mais acima? Pois é: uma delas me referia à da Causa e Efeito.

E aí? Já rearrumou os cabelos...?

(E não deixará de haver pobre na terra; pelo que eu te ordeno dizendo: livremente abrirá tua mão para o teu irmão, para o teu necessitado, e para o teu pobre, na tua terra. – Deuteronômio 15:11).

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Antonio Franco Nogueira, diretor do CFF
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