Galeria de Fotos

Não perca!!

Banner

Antonio Franco Nogueira

(Imagem Ilustrativa)
(Imagem Ilustrativa)

A algum tempo recebi em minha casa a visita dum casal, pai e filha, ela já minha amiga e ele conhecendo naquele momento - eu havia sofrido um acidente que me tornou tetraplégico, e isto, se não peco na conclusão, consternou muito as pessoas que me conheciam por saberem da pessoa ativa que eu era; e a casa não parava vazia, muitas vezes cheia até de estranhos -, que conversou comigo sobre as mais diversas áreas de interesse de pessoas que se compreendem terem vindo ao mundo com um propósito, que não é nosso, e não apenas para comer e dormir.

Pois bem, ele, empresário, e já com seus 70 e uns, tentava a todo tempo nos convencer que a sua cara, e modo de conversa, sisuda, era o seu normal. Aquilo a partir dum certo ponto começou a me incomodar, e eu já a ponto de dar uma pegada nele por que viver daquele jeito, tratando as pessoas e coisas, de forma invertida, tipo o valor da pessoa no lugar da coisa e vice-versa, não tinha razão de ser e que a política, equivocada, que escolhera para sua vida era um erro. Até apontava uma contradição, uma vez que ele estava ali, sem me conhecer, para me visitar, pois soubera, pela filha, do meu acidente e do estado em que me deixou.

Mas, em certo ponto, passei a observá-lo em cada passo que dava, na direção das olhadas, e nas entrelinhas da sua conversa. E PIMBA: ele se entregou. Já havia apontado a planta seca no xaxim ao seu lado, e alertado a moça que me assistia; já tinha comentado sobre o meu cachorro, ao pé da minha cama, na varanda da cozinha, e perguntado se ele não estaria ali por está com fome; e agora a coroa.

Qual coroa, e coroa do quê? Coroa da minha desconfiança sobre a pessoa dele. Da minha percepção acertada. E coroa de que ele era um sujeito muito o oposto do que tentava fazer parecer. – Ele comentara, lá atrás, sobre um motorista seu, que viajava com o caminhão e sempre voltava sem o dinheiro, culpando o carro, algum defeito ou coisa assim, mas que na verdade gastava a grana toda era com mulheres da beira da estrada. E que esteve com a arma em punho para matar o sacana e que até hoje não sabia porque não o fez.

Mas, de repente, quase uma hora depois de ter contado o caso, me abre a boca e diz que nunca mais iria conhecer filhos de empregado seu, nem visitar suas famílias. Por que na hora “que um me roubar não vou ter nenhuma imagem de minino nem mulher de ninguém na minha mente pra me impedir”. Ao que QUASE ANDO não me cabendo em mim. E, na lata, lhe disse que tirasse a máscara que pusera no afã de 'proteger interesses' por que ela escondia a pessoa linda que trazia nele. Que ali, naquele momento, diante da estupefata filha, eu o havia descoberto um dos homens mais sensíveis, mais humanos, com que cruzei na minha vida até o dia. E ele desabou por dentro – por que vi seus olhos marejados. AQUI HOMENAGEANDO, o velho Tocantins. (in memorian).

- Mas porque conto a você essa história? Por que, faz um tempo, conheci, eu, um simples mortal – (em sua homenagem, amigo), outro empresário, empregador de muitos milhares de pessoas, influente, rico, poderoso, por quem, desde quase sempre, desenvolvi um sentimento – acho que por sua franqueza, e experiência que me passa em cada encontro, e não por seu poder econômico por que a conta do açougue aqui não anda atrasada -, mas que não tenho outra forma de explicar uma vez que jamais o havia visto, ou convivido, mas que me vi incomodado ao observar alguma atitude sua que me lembrava o velho Tocantins.

Nas suas conversas sempre estavam, e ainda estão, muita coisa do tipo to cagando e andando para isso, ou aquilo, para a cidade, e até para pessoas; meu negócio é ganhar dinheiro; eu sou um empresário. E penso só na sobrevivência da minha empresa. É nessa pisada o tempo todo. E meu íntimo triste, mas esperançoso de um dia falar com ele sobre a questão. E eis que na quarta-feira, 17/07/13, o recebo, com outro amigo, em casa.

E, no meio da conversa, muito gostosa, por sinal, tanto que durou quase o dia todo, ele me solta duas maravilhas, que me preservou de ter que chamá-lo na xinxa quanto a essa forma de pensar, por que as pessoas precisam dele, assim como a vida precisa dele.

Na primeira falou da história dum empregado seu, já de idade avançada para o mercado de trabalho, que o estava traindo a confiança, de forma grave, mas com quem teve uma conversa dizendo que mesmo ele tendo o poder de trucidá-lo, pessoal e profissionalmente, dado o estrago que faria a exteriorização do seu erro, não o faria porque isso acabaria com ele. Que, na idade que tem, seria seu fim profissional. - Mas, decerto que considerou foi a história do sujeito na empresa e na família, já que o homem entra na sua casa, da sala à cozinha há muitos anos...

E na segunda, contou dum moço, que entrara na sua vida como auditor da empresa – concessão, ou franquia, que tinha com outras pessoas, uma delas, agora esposa, mas que, dado ao esforço do casal na busca por resultados e, principalmente, por um favor que o pai da sua sócia e então namorada fizera ao seu pai, num passado distante, e sofrido, ao invés de lhe aporrinhar mais com os questionamentos dentro do seu próprio negócio, resolveu pagar tal favor lhe dando um conselho, que mudou sua vida, trazendo o casal ao sucesso de hoje. E DESABOU. Mas, diferente do velho Tocantins, por dentro e por fora. Os olhos vermelhos como fogo.

E eu, de novo, ali do lado, muito feliz por que não errei. Por está, também, assim como com o velho Tocantins, diante dum homem, dum ser humano fantástico, que, tal e qual muitos mundo afora, detentor dum interior tão belo, se mascara para se esconder sem que consiga tamanha alma que tem...

- Mil perdões aos que devo ter feito pensar se tratar "A Mascara", de algo relativo à política local - quem sabe numa próxima...?

Saiba mais sobre: Opinião

Antonio Franco Nogueira, diretor do CFF
Antonio Franco Nogueira, diretor do CFF

 

Camaçari Fatos e Fotos LTDA
Contato: (71) 3621-4310 | redacao@camacarifatosefotos.com.br, comercial@camacarifatosefotos.com.br
www.camacarifatosefotos.com.br